Comportar como um casal apaixonado

800 Palavras
Era claro como a água a rivalidade dos primos. Pedro parece que não ia facilitar para ela. Mel não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha. Queria abrir um buraco no chão e entrar. "Como são diretas essas pessoas" Pensou - Conheci Mel em Brasília, foi amor a primeira vista. E como a convenci a vir para cá, quero resolver logo. - Tomás explica surpreendo Mel que nunca esteve em Brasília. - Você e de Brasília - Pronto, agora Vera quer saber. - Não, nasci em São Paulo e depois mudei para Santa Catarina. - Ela sabia que mentir não ia adiantar. - O que fazia em Brasília? - Agora Vera estava dificultando para ela. - Estava em missão quando encontrei Tomás pela primeira vez. Com o desencontro de informação, Tomás mudou rapidamente de assunto. - Corina você poderia ajudar Mel com o vestido de noiva? - Será um prazer. - Não seria melhor eu ajudar? - Vera se sentiu afastada. - Mamãe, você organiza a festa e a igreja. - Explicou o noivo com cara de inocente. mas na questão do vestido, não queria o exagero da mãe. Melhor encarregar Cora - Não queremos te sobrecarregar. Ao ouvir a palavra igreja, Melissa teve vertigens. O falso casamento estava indo longe demais. - Tomás, era para ser algo simples. - tentou argumentar. - E vai meu amor. Vai ser simplesmente lindo. - Deu a ela um sorriso que não chegava aos olhos. - Não faço questão da igreja. - Mas eu faço. Sou o único filho. Se não casar, minha mãe nunca entrará na igreja me levando pelo braço. - Se era para ser divertido, não foi. Enterrou o humor de Mel. E o assunto rendeu mais de uma hora. Mel ficou mais muda que relógio sem pilha. Na volta para casa Tomás levou as moças e se despediu de Cora sinalizando que quer ficar a sós com a noiva. - Que deu em você? - quis saber assim que Cora se afastou. - Acho que está exagerando no nosso contrato. Casamento na igreja e coisa séria. - Para mim o casamento e sério até o fim do contrato. - Cancela a igreja. - De jeito nenhum querida. Na minha família e tradição. - Por favor Tomás. Mel estava entrando em desespero. - Não e negociável Mel. - Os belos olhos verdes escureceram instantâneamente. - Aproveita! Enquanto for minha mulher, terá uma vida de rainha. Depois sentirá falta. - Então passa a ela um cartão de banco e uma caixa com um aparelho celular novo. - Vi que precisa de um novo. Como minha noiva, não pode usar um tão barato. Mais uma vez Mel se cala. Mas seu coração está em pedaços, um contrato vergonhoso e um falso casamento completo. Deus não vai perdoar isso. A beira das lágrimas, ela encerra o assunto. - Então boa noite! - se vira para o elevador e é puxada de volta. - Meu beijo do boa noite querida. A Melissa não faltou vontade de espancar ele até perder a força. - Não exagera ! - Querida, já falei. Vamos nos portar como um casal apaixonado. - Seu sorriso era irritante. Seus lábios pousaram nos dela de forma urgente. O que Mel não sabia era que ele esperou por isso toda a noite. - Agora pode ir. Bons sonhos querida. - Tomás só a deixou ir para que não percebesse sua ereção latente. Mel não consegue dormir bem e chora muito naquela noite. Sentindo falta de seus pais. O pai faleceu a cinco anos. E a mãe estava em uma clínica em Santa Catarina tratando a leucemia. Depois de vender até a pequena casa que morava, veio ao Rio de Janeiro para implorar ajuda ao avô. Mas foi presa na saída do aeroporto, acusada de roubar um colar de diamantes pelo próprio avô que nunca viu na vida antes. Agora estava prestes a se casar com um desconhecido e gerar um filho que não iria criar ou ver novamente. Sentindo-se desamparada, chorou até adormecer, depois de relembrar sua vida simples mas amorosa com seus pais. Ela quando criança, ficava em um educandário de irmãs durante o dia enquanto seus pais trabalham. Lá ela estudou, aprendeu a cozinhar, costurar, bordar e até um pouco de outras línguas. Aos dezesseis anos começou a trabalhar de vendedora em um shopping. Aos dezoito anos perdeu seu pai que foi atropelado e morreu na hora. Dois anos depois sua mãe foi diagnosticada com leucemia. Sua vida no último ano não tem sido nada fácil. Pela manhã, se levanta e resolve ir trabalhar no café Carioca. Da Barra da Tijuca a Vila Catiri gastaria mais de uma hora. Então deixa um bilhete a Cora e sai antes do sol nascer para estar no café as seis da manhã.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR