Capítulo 22 — Reflexos de Medo e o Canto da Fé

281 Palavras
.Aos nove anos, quase completando dez, eu vivia em um conflito interno constante. Por um lado, eu não culpava meu padrasto por tudo; afinal, ele nos dava o que comer e o que vestir. Na nossa carência de uma figura paterna, nós o amávamos e o víamos como um pai, tentando ignorar as marcas que a rigidez dele deixava. Mas o ambiente da casa era pesado, e eu sentia isso na pele. Certo dia, enquanto minha mãe estava fora, eu ajoelhada limpando o tapete, decidi colocar um louvor para tocar. Minha irmãzinha dormia tranquilamente, mas meus olhos viam coisas que me gelavam o sangue. No reflexo da casa, eu via aquela pequena, com sua calcinha amarela, andando com uma faca cravada na cabeça — um horror que contrastava com a paz do seu sono na cama. Ao mesmo tempo, via o vulto da minha mãe, vestida com um longo vestido vermelho, segurando uma cinta e prometendo me bater. O medo me paralisava, mas eu não gritava. Eu apenas chorava em silêncio, esfregando o chão com as mãos trêmulas, sentindo que o 'inimigo' realmente me perseguia. Minha salvação veio através de um gesto de bondade. Uma vizinha evangélica percebeu meu sofrimento e veio fazer uma oração por mim. Aquele encontro mudou minha rotina; passei a frequentar a igreja com ela, que se tornou minha mentora e me ensinou a louvar. No meio daquela escuridão que eu via dentro de casa, a música se tornou minha lanterna. Nunca esquecerei o primeiro louvor que aprendi a cantar diante da congregação: 'Profetizo'. Ali, eu não estava apenas cantando; eu estava declarando que a minha vida seria diferente daquelas visões de morte que tentavam me assombrar."
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