Capítulo 21 — Entre Bolinhos de Chocolate e Marcas de Injustiça

265 Palavras
"Eu já estava na segunda série e tinha 8 anos de idade. Meu irmãozinho lindo estava crescendo e minha irmãzinha continuava arteira como sempre, enquanto minha mãe já esperava mais um bebê. Em um dia marcante, o perigo se manifestou de forma banal: em uma daquelas cadeiras de ferro de bar. Minha irmãzinha colocou a mão na cadeira, que fechou sozinha, prendendo o dedinho dela. O ferimento foi feio, sangrou muito e ela precisou ir ao hospital para levar pontos. Mas, em casa, a dor foi acompanhada pela injustiça. Meu padrasto, buscando um culpado, jogou toda a responsabilidade no meu irmãozinho. Ele apanhou severamente sem ter feito nada, apenas por estar por perto. Naquela mesma época, para tentar trazer um pouco de luz para a vida dele, minhas tias prepararam um bolinho de chocolate caseiro. Foi o primeiro bolo que ele ganhou; era algo simples, pois não tínhamos dinheiro para festas, mas ele ficou radiante de felicidade. Apesar desses pequenos momentos, a rotina era de medo. Apanhávamos por tudo. Éramos crianças e, às vezes, fazíamos as artes típicas da idade, mas as punições eram cruéis e desproporcionais. Quando minha mãe deu à luz a nossa outra irmã, ela nasceu muito gordinha. Meu padrasto, que queria um menino por já ter uma filha com minha mãe, passou a chamá-la de 'muleque'. Embora ele a amasse mais do que a todos nós, o afeto dele era bruto: ele mordia as bochechas dela com tanta força que ficavam as marcas. Era uma casa onde o amor e a violência caminhavam lado a lado, deixando cicatrizes em todos nós."
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