– Minha filha, senta aqui. – disse Belfácia ao ver a sua filha no silencio e muito quieta coisa que não combinava nem tampouco com ela.
Sentadas na varanda da casa estavam sentindo o ar fresco que soprava naquela manha que não trazia nada interessante para Vânia que se sentia um pouco estranha. Belfácia ainda tinha muitos shows para lhe fazer passear pelo mundo, no entanto vendo a sua filha naquele estado lhe deixava muito preocupada e tinha uma grande vontade de chamar a Carlota para poder conversar com ela, mas também não achava uma boa ideia deixar o seu lugar roubado novamente enquanto estava por perto, diferente das outras vezes que estava ausente por conta das suas viagens.
A face da adolescente estava virada para baixo como se estivesse procurando por algo na superfície e os traços na sua cara era de uma tristeza abundante que chegava a transbordar. O transtorno da Vânia era algo nunca vista antes e assim estava explicado o porque de repente mudar de humor e ficar completamente triste e as vezes depressiva.
– Sim, mãe. Vou adiantar que eu queria, mas não estou afim de conversar, me sinto estranha sabe, e tenho uma vontade de colocar questões nada a ver sabe. – ainda com o rosto voltado para a mesma posição Vânia disse para a mãe que passou a sua mão direita pelas suas costas com delicadeza.
– Coloca quantas perguntas que quiseres que responderei a todas – disse a mãe da adolescente com a esperança de ajudar a sua filha com as respostas que daria a cada questão que a outra colocaria.
– Você já se sentiu assim? – a primeira pergunta que Vânia colocou foi uma espécie de subjetividade, mesmo a mãe estando dentro do contexto.
Primeiro Belfácia ficou em silencio por escassos segundos para logo em seguida responder a pergunta com toda a clareza.
– Já sim, muitas vezes. Filha, eu na sua idade passava por coisas piores e isso me faz me sentir culpada por conta de apresentar essa doença.
– Você também tem essa tal doença – espantada Vânia perguntou.
– Sim, e quando os meus surtos começassem todos ao meu redor se enjoavam. Bem, eu ate entendia porque que ficavam daquele jeito.
– O que você fazia para poder se sentir melhor? – perguntou Vânia, agora virando o rosto para a sua mãe com a esperança de receber uma resposta satisfatória que pudesse lhe tirar daquela situação que ela poderia chamar de inferno.
Belfácia cocou a sua cabeça antes de responder como se dela exprimisse a resposta mais importante para a sua filha esperançosa. Se aproximou mais da filha e deu um beijo na testa antes de deixar a resposta ecoar na mente da outra.
– Nada.
O olhar do espanto não se escondeu no rosto da Vânia que voltou a sua face para a mesma posição em que estava.
– Eu… – dizia Vânia quando a sua mãe lhe interrompeu de uma forma delicada.
– Querida, eu sei que não esperava uma resposta assim, mas talvez se eu desenvolvesse a mesma para melhor você entender o que eu quero dizer com “nada”.
– Nunca me senti normal e isso me dói. – com uma voz tristonha ela disse para mãe virando o seu rosto na direção dela.
– São as crises.
– Pois! Explique melhor o “nada”.
– Bem, e bem estranho o que acontecia comigo e ate cheguei a fazer uma coisa que não imaginava que fizesse.
– Como assim mãe?
– Eu quase matei o meu irmão. Mas agora antes de te contar sobre isso, vou te explicar o que queria te explicar.
– Va em frente mãe. – disse Vânia e sua voz não transmitia muita tristeza como segundos atras, parecia que as respostas da mãe estavam resultando, mesmo que ainda estivessem no seu começo.
A curiosidade da Vânia havia se instalado logo que a mãe mencionou algo bem peculiar que não esperava ouvir da sua própria mãe e ai descobriu que na verdade, ela nunca conversara com a sua própria mãe e sim com a empregada da casa, Carlota que sempre estava la para lhe ouvir e lhe dar conselhos constritivos, fazendo um papel nobre que e o papel de mãe.
– Quando as crises começam você não percebe, mas a partir do momento que perceber que esta diante de uma crise, simplesmente não faca nada. E bem assim, vou repetir minha querida, apenas não faca nada.
O ar fresco começou a ganhar um novo comportamento e o céu começou mudar justamente quando a Belfácia dava dicas a filha acerca de como fazer para enfrentar as crises, soou como se fosse a hora de por em pratica o que estava aprendendo ali com a mãe.
Ambas olharam para o céu, no entanto não deixaram a sua conversa cessar e nem abandonaram a varanda para entrar no interior da casa para esquivar o que estava por vir, pois mais parecia uma tempestade do que uma chuva normal.
– Deixa-me ver se entendi bem. Quando as crises chegarem o que tenho que fazer e nada?
– Exatamente.
– Vamos entrar a temperatura mudou de repente e parece que vem ai uma tempestade. – disse Vânia tentando esconder que a sua ansiedade havia começado a atuar no seu interior e assim o seu coração estava prestes a começar a acelerar pelo fato de talvez o grito dos seus estivesse se preparando para soar e lhe assustar de uma forma absurda ate perder a respiração.
– Espera, você não pode perder a chance de por em pratica o que acaba de aprender comigo.
– Como assim, mãe?
– Não pense e não faca nada.
Vânia voltou a sua face para a sua mãe apos ter escutado aquelas palavras e o que mais desejava era levantar sem nada ter dito e entrar dentro da casa para evitar sofrer um ataque cardíaco e apagar-se. No mesmo momento de repente entrou uma mensagem de Edson que dizia:
“Sabe de uma coisa o misterioso garoto das mensagens de madrugada sou eu e estou muto feliz por saber que estas melhor. Eu já havia pesquisado e descoberto que tinhas um tipo de doença, um transtorno bem raro e fiquei com isso só pra mim, era uma forma de te conhecer ainda mais, pois fizeste algo com o meu coração”. Vânia antes de ler pediu permissão da sua mãe que logo lhe deu e ficou a espera que as duas continuassem a conversa que estava tendo.
Ela leu a mensagem e a mesma lhe deu a coragem de obedecer as palavras da sua mãe que estava lhe ajudando para ficar melhor assim como ela que já sabia viver com aquela condição. Vânia depois que tirou os seus olhos da tela do celular virou o seu rosto para a sua mãe e com seriedade no rosto disse:
– Eu estou pronta mãe e agradeço por me dar essas dicas para que eu consiga superar isto.
– Não gradeça minha filha, e o meu dever fazer uma coisa dessas como mãe assim como você também terá deveres sobre o seu filho. Te amo.
– Te amo ainda mais mãe.
O céu exibiu um céu n***o que mostrava a fúria de uma chuva por vir para lavar e regar o que precisava. Vânia olhou para cima e respirou fundo como se estivesse a buscar uma coragem que se escondia detrás das negras nuvens que a adolescente acreditava que estivesse prestes a deixar um grito soar e lhe assustar ate lhe arrancar a alma do seu corpo. Foi muito rápido quando ela piscou uma e única vez e percebeu que a sua mãe não mais estava ali e a porta da casa estava fechada.
– Você consegue! – ela disse para ela mesma olhando para cima e novamente para porta que ela imaginava que estivesse trancada propositalmente para que ela lutasse contra o seu problema que a mãe já havia dominado e vivendo sem mais o mesmo problema consigo mesma.
Nas nuvens ela viu uma face gigante que de uma criatura que ela nunca havia visto antes na sua vida. Era algo tao real para os seus olhos e alem disso aos poucos estavam germinando cabeças menores em relação a primeira que se tornava ainda mais assustadora a cada segundo que passava.
– Tenho que conseguir, e só a minha cabeça. – ela disse para si mesma bem baixinho encarando a mesma imagem que não parava de se desenvolver para algo ainda mais bizarra.
Ela respirou fundo antes de sentir o seu coração começando a batucar dentro do seu peito. A ansiedade havia começado a agir em seu corpo e mesmo que tentasse evitar era tarde demais. Ela estava tentar a não fazer nada, no entanto não estava conseguindo e parecia que a sua mente já não funcionava da forma que ela mandava que funcionasse.
Ainda tinha na sua memoria a imagem da mensagem do Edson no seu celular, mas ainda não sabia o que responder, tendo deixado o garoto sem nenhuma resposta, coisa que ela sabia que causaria uma agonia para o outro que algo sentia por ela. Na verdade, por conta do seu problema com o transtorno não sabia o que ela própria queria para a sua vida, descartando o fato de ainda ser apenas uma adolescente.
A coisa que mais complicou a sua situação foi o fato de ter descoberto que o mesmo garoto, Edson era o e misterioso das mensagens de madrugada. A face que estava no meio, a mais maior ganhou olhos grandes, em seguida nariz e por fim boca e então disse:
– Você não consegue!!
Vânia se conteve e nada disse apenas encarrando o rosto da coisa. No mesmo momento o celular dela tocou e novamente havia entrado uma mensagem da mesma pessoa, o Edson.
“Quando as crises começam você não percebe, mas a partir do momento que perceber que esta diante de uma crise, simplesmente não faca nada. E bem assim, vou repetir minha querida, apenas não faca nada.” Lembrou das palavras da mãe que dissera a minutos atras, mas mesmo assim um pavor lhe subiu repentinamente quando sentiu a vibração dos céus que mais parecia um rugido de leão, assim estando prestes a soar o barulho da trovoada.
Uma vontade de correr e abrir a porta já trancada lhe ocorreu, mas tentou em ser mais forte. Um raio rasgou as nuvens antes de deixar o som dos céus soar estrondosamente. Ela estremeceu antes de sentir um arrepio lhe subir pela espinha, era algo bem familiar para a mesma.
Cedeu e correu ate a porta para abrir, no entanto estava trancada, ela gritou:
– Abra essa porta, mãe!
Ninguém abriu e uma onda de terror lhe subiu pelo corpo inteiro e ate na alma, parecia algo tao real que ela não conseguia controlar. O pavor era imenso que aos poucos ela perdia a respiração. A nuvem chegou o mais perto e disse:
– Eu disse que você não conseguiria.
– Me deixa em paz! – gritou Vânia e no mesmo momento o grito dos céus se repetiu, ela agrediu a porta e de imediato cedeu e tudo ficou escuro.
– Filha, filha será que esta ouvindo o que estou dizendo? – disse Belfácia.
Ai Vânia percebeu que estava diante de uma alucinação.
– Estou ouvindo sim, mãe. Eu estava a…
– Vamos entrar, pois esta tempestade parece de verdade.
– Tem razão, só podemos continuar lá dentro.
A adolescente antes de sair juntamente com a sua mãe da varanda olhou para o seu celular e viu que de fato havia recebido uma nova mensagem do Edson. As nuvens não estavam tão negras como da forma que apareceram na sua alucinação. As duas, mãe e filha entraram e ai de imediato uma ligação do Edson entrou.
Ela não sabia o que responder depois das mensagens que deixaram sem nenhuma resposta e não sabia ao certo o que sentia pelo garoto popular da escola. Ela sabia que o mesmo sentia uma atracão por ela, mas ela não sabia o que estava dentro do seu imo.
– Não vai atender. – disse Belfácia olhando para os olhos da sua filha que não conseguia esconder a sua preocupação.
– Vou atender sim, mas não aqui. – respondeu Vânia e logo em seguida correu ate ao seu quarto para ter privacidade.