Vânia continuava com os olhos fechados. Belfácia pegou na mão da filha e em silencio olhou para ela, agora sem nada dizer como se fosse uma forma de lhe despertar sem precisar de nenhuma palavra pronunciada.
– Não se preocupe mãe, ela esta estável e vai sair dessa sem nenhuma complicação – disse uma medica escondida na mascara descartável azul, quando viu Carlota em uma espécie de agonia.
– Muito obrigada doutora. Mas o que houve com ela, o que ela tem?
– Ela tem uma doença rara chamada Loufinik que ataca o cérebro fazendo com que ela sinta medo de coisas que provocam barulho e também tenha uma espécie de visões como se de um dom se tratasse, ansiedade excessiva e por conta disso ela acabou desmaiando quando uma crise na escola quando estava prestes a apresentar um trabalho de defesa segundo o que os colegas dela relataram. E uma doença genética e por isso não tem cura. Alem disso pessoas que tem essa doença geralmente tem uma mente instável que as vezes mistura a realidade e com o imaginário ou alucinações o que lhes deixa confusões e muita das vezes depressivos, porque também são muito sensíveis.
Era pela primeira vez a Belfácia escutar aquele nome que era de uma doença bem bizarra. Uma decepção lhe envolveu quando percebeu que o seu marido estava fazendo coisas nada ver com aquela adolescente inocente. Passaram 16 anos enquanto senhor Ezildo sempre ia em busca de uma forma de curar a sua filha por meio bem tradicional tendo o auxilio dos curandeiros e feiticeiros, atos que a esposa estava completamente contra.
– Quanto tempo ela vai permanecer aqui? – Belfácia perguntou tendo a sua preocupação se transformado em algo palpável.
– Pode ser amanha caso o quadro dela não mude.
O coração da Belfácia ficou aliviada mesmo tendo escutado algo não tao positivo no fim da frase, no entanto saber que sairia mais cedo para com ela ficar ela sentia um enorme alegria que não conseguia esconder agora que estava olhando para a medica e em seguida ela disse:
– Uau, essa uma noticia muito boa que eu precisava de escutar.
– Eu imagino, fique calma e pode ir para casa descansar para amanha voltar novamente para a alta dela.
Belfacia, mesmo que ausente ela quando voltasse ou mesmo estivesse viajando por conta do seu trabalho sempre gostava de conversar com a sua filha, pois com o seu marido e com o seu marido a coisa estava diferente, na verdade triste, porque sempre que quisessem conversar tudo saia da pior forma, no entanto com a Vania a situação era muito diferente. Uma onda de preocuacao havia lhe atingido em cheio quando recebeu a informação de que a sua filha estava hospitalizada e também recebeu uma grande dor quando chegou no local e não encontrou o seu marido e nem o seu filho para apoiarem a Vania.
– Não, daqui não saio ate ela acordar. – disse Belfacia com os seus olhos fixos no rosto da sua filha que começava a se mexer na cama, assim tendo começado com as suas pálpebras que pareciam prestes a se abrirem e ver a mae que estava bem ali olhando para ela.
– Entendemos e respeitamos isso. – disse a medica e um sinal de tristeza no rosto lhe escapou que ate chegou ao ponto da Belfacia perceber e colocar em seguida uma pergunta.
– Passado difícil? – colocou a questão de uma forma repentina que quase assustou a medica que se sentiu um pouco invadida com a pergunta direta sem rodeios.
– Difícil esconder – ela disse num deslizar das palavras como alguém que tem muita pressa e que a urgência e o elemento principal nos seus objetivos.
– Qual e o seu nome? – Belfácia perguntou.
A medica atras da mascara azul olhou para a Belfácia quando escutou a pergunta com um espanto, no entanto ai foi possível reconhecer a face da outra, não pode acreditar quando associou a sua face a sua voz inesquecível.
– Belfácia?? – num grande espanto ela disse fixando o seu olhar naquela cara do passado.
– Como assim? Você me conhece? – espantada disse Belfácia.
– Sou eu, – disse a medica tirando a sua mascara – Nicole, a nerd.
– Uau, amiga és tu? Há quanto tempo!
– A sim sou eu irmã. Passam bons anos.
O mundo sempre traz surpresas para cada ser humano que pisa essa terra e foi a mesma coisa que aconteceu com aquelas duas grandes amigas que haviam se separado para diferentes sonhos, tendo passado muitos anos e agora se reencontrando no hospital lugar que as duas um dia chegaram a odiar.
– A nerd.
– Acho que e melhor a gente deixar a ela, – disse deixando algo que tinha nas mãos numa mesa móvel que estava perto da cadeira onde a Belfácia estava sentada – descansar.
– Claro! Vamos. – disse mãe da Vânia se levantando da cadeira e em seguida se retirando do quarto juntamente com a sua amiga e ex colega da escola.
As duas foram para fora do quarto e ficaram pertos bancos de espera e aproveitaram para trocar números. Só uma das duas sabia o que a outra sabia, neste caso era a Nicole que sabia que a Belfácia era uma grande cantora que começou como se de brincadeira se tratasse em plataformas online ate que foi lancada para o mundo convencional da musica.
– Como a vida tem te tratado? – Belfácia perguntou a Nicole.
– Bem, como você percebeu, senhora psicóloga a vida não foi tao amigável comigo e assim perdi uma bebe bonita depois de dois meses de idade. – com uma tristeza no rosto ela disse e as lagrimas começaram a se formar dentro das suas orbitas.
– Sinto muto irmã. Eu…
– Relaxa, são coisas da vida, e também fico feliz em saber que a sua filha ficara bem em breve e amanha recebera alta.
– Somos duas – disse Belfácia depois deixou um silencio se instalar para depois colocar uma questão para provocar a outra – casaste com Roberto, o génio?
Nicole riu-se antes de responder a pergunta.
– Ainda não mudaste, sua malandra. Claro que não casei com ele, mas casei com um homem muito interessante.
– E necessário te zoar um pouco para teres certeza que sou eu Belfácia, porque vi que mesmo sem eu ter mascara você não consegui me reconhecer de imediato. – rindo ela disse olhando para outra que também havia sido contaminado pelo riso.
– Verdade, não sei como foi possível de eu não ter te reconhecido logo de cara.
Quando ainda queriam continuar a conversa Nicole teve que parar para atender os seus deveres do trabalho e assim Belfácia ficou no banco de espera por algum tempo. Ela estava disposta a ficar ali ate que a sua filha despertasse e a sua ideia era que isso acontecesse enquanto ela estivesse lhe fazendo companhia no quarto, exatamente na cadeira ao lado da cama.
Doutro lado senhor Ezildo estava com a empregada, obrigando a mesma a viver o mesmo inferno de sempre que ela já estava farta dele e não imaginava que não faltava muito para que se vingasse. Ezildo estava sentado na cama e a Carlota segurava o m****o dele direcionando na boca dela. Uma imensa vontade de acabar com tudo aquilo era enorme, numa mordida firme e insana arrancando aquilo que sentia na sua palma fechada. Uma lagrima lhe escapava de uma das suas orbitas.
Carlota depois da chamada na qual recebeu a ligação lhe informando sobre o estado da Vânia, queria reencaminhar a mesma informação para o senhor, no entanto por estar descontente e como uma forma de vingança acabou desistindo e lhe deixar fazer o que pretendia e com isso se sairia m*l para a esposa que já estava no hospital com a sua filha.
Carlota tentou ser forte em impedir que as suas lagrimas não descessem mais enquanto aquele maldito sujo do Ezildo se aproveitava para o seu intento egoísta.
– E impressão minha ou você hoje esta fazendo bem o seu trabalho? – disse Ezildo sentindo prazer em cada momento que o seu m****o ia a boca da mulher que não tinha nenhum prazer no que estava fazendo, porem nojo.
Ela não respondeu, apenas olhou para ele com ódio nos olhos que chegava a ser palpável. A sua paciência estava se esgotando e não faltava muito para que algo grave fizesse como uma forma de se vingar e o que pretendia fazer não seria o suficiente para a atrocidade que estava fazendo com ela. Carlota estava farta e a sua paciência estava nos seus últimos momentos para a mulher explodir e cometer algo de arrepiar os cabelos de qualquer pessoa.
De proposito, ela com a sua boca fez uma massagem bem caprichada que fez o homem gemer e logo de imediato agarrou a empregada pelos cabelos e fez a mesma continuar com o movimento constante que lhe deixava sem folego e viciado querendo mais e mais. Em silencio ela fez aquilo sem sequer pensar em dirigir alguma palavra para o outro.
– Tira roupa. – ordenou o homem seguindo um riso fraco e breve do mesmo, algo que mais parecia vindo de um individuo que não goza de uma boa saúde mental.
Carlota parou de fazer os movimentos para obedecer o que o seu patrão queria que ela fizesse. O homem dirigiu-se lentamente ate ao seu guarda roupa e de la tirou um chicote para ser usado na cama e também tirou algemas para utilizar durante ação com a sua empregada.
Quando Carlota tirava a roupa a primeira coisa que imaginou foi ter a ousadia de arrancar as bolas do senhor Ezildo com os seus próprios dentes para em seguida lhe fazer o mesmo lhes engolir literalmente. A raiva lhe subiu ate aos olhos que ficaram vermelhos. Ficou completamente nua e deitou-se na cama antes mesmo de ser ordenado para o fazer, ela já estava acostumada e sabia que em seguida seria ordenado a fazer exatamente o que fizera de antemão.
– Esta pronta? – ele perguntou para ela com um certo charme com a maneira como pronunciou as palavras .
– Sim, estou. – finalmente dirigiu uma palavra ao seu patrão mesmo sem ter sido o seu intento.
Ezildo olhou nos olhos da Carlota segurando o seu chicote na mão e quando estava caminhando aos poucos para a sua presa de repente a campainha soou estragando o momento em que ele queria curtir ao máximo.
– Vista rapidamente e vá atender. – irritado disse o homem para a Carlota que suspirou de alivio quando ouviu o som continuo da campainha ecoando pela casa.
Ela vestiu rapidamente o seu uniforme e se esqueceu de vestir a sua calcinha por conta da pressa. Correu rapidamente ate a porta para atender e la estava…
– Você? – espantada disse a empregada ao ver aquele individuo diante dela.
No hospital enquanto a Belfácia ainda estava no banco de espera o Edson entrou n lugar correndo para poder ver como a Vânia estava. Mãe da Vânia percebeu o movimento e quando o garoto estava prestes a entrar no quarto ela disse:
– Oi garoto!
Ele percebeu logo de imediato que se tratava da mãe da Vânia e então enquanto a sua mão estava prestes a agarrar a maçaneta, parou com o seu objetivo e respondeu:
– Ola senhora Belfácia, como a Vânia esta…
– Ela vai ficar bem – de uma forma rápida e direta ela respondeu com uma cara com traços bem sérios. – Quem e você?
– Sou a colega dela e presenciei o momento que ela caiu no chão inconsciente. – ele disse em seguida se aproximou dela. – Meu nome e Edson.
– De certeza que sabes que sou a mãe dela.
– Sei sim, mas o nome não.
– Meu nome e Belfácia.
Os colegas da Vânia haviam combinado lhe visitar, no entanto fazendo escalas para não ficarem cheio no hospital, coisa que não seria nenhuma vantagem.
De repente no mesmo quarto que estava a Vânia entraram dois médicos correndo e em seguida saíram com uma cama as pressas e não tiveram tempo de algo dizer.
Edson e senhora Belfácia se encontraram pelos olhares .
“Minha filha!” pensou Belfácia.
“Minha…” pensou Edson.
Logo depois que passaram escassos segundos os dois, Edson e Belfácia foram atras dos dois médicos que empurravam a cama que saiu do quarto da Vânia.