dezenove

1644 Palavras
– Mas que m***a foi essa? – Tal questão partiu silenciosamente pelos lábios da jovem estagiária, no mesmo instante em que seus olhos se cruzaram com a brilhante cientista. Brenda não esperava que toda a situação se encaminhasse para aquele exato momento, não pensou que ficar a frente de Gabriela antes de qualquer feito fosse o desfecho daquela falha tentativa. Mas nada disso importava mais do que a interrogação da jovem de olhos verdes. Estava claro como água a enorme decepção em seu tom, pois o seu pedido não havia sido acatado, e junto disso, viria novamente a possibilidade de algo que já começa a destruí–la por dentro. – Dra Ernandez, poderia me dizer o que faz aqui? –a questão de Gabriela era simples, a resposta para ela nem tanto, pois não havia nada que realmente explicasse a sua presença, senão a única verdade. E mesmo que omitir tal fato fosse a sua intenção, os computadores a entregariam quando deixasse a mostra a numeração de suas credenciais. Só existia um caminho a se seguir, mas como o fazer sem machucar aquela que não tirava os olhos de si nem mesmo por um único segundo? – O alarme me chamou a atenção, e sendo uma das mais eficientes frente ao projeto, achei que poderia identificar a falha e a eliminar para evitar novos problemas – Estava longe de ser a verdade, mas explicaria o porquê dos seus dados estarem ali, afinal, não era possível um acesso sem antes se identificar. No entanto, as palavras usadas não foram o suficiente para convencer a presidente de toda a corporação. Para Gabriela, algo não se encaixava, alguma coisa estava fora do comum e a incomodava mais do que gostaria de admitir em algum momento. Não soube o que realmente deveria pensar ao encontrar uma das melhores cientistas presa ao seu projeto, deixando a sala do servidor principal. Mas nada lhe tirava a sensação de que a normalidade não pertencia àquela situação. A troca de olhares entre Brenda e Claire a incomodou, a realidade de que ambas se conheciam a abateu sem pensar, e querendo ou não aceitar, sabia que tal conhecimento poderia afetar diretamente os seus planos de recrutar a mais nova para o seu lado. Não conseguiria provar de imediato, mas conhecia as intenções da jovem Dra Ernandez. Sua vigília se mantinha em alerta desde o dia em que foi acionada, e até o momento, os relatórios apresentados a decepcionavam por completo, pois realmente admirava o potencial em meio ao trabalho que a jovem e brilhante cientista possuía dentro de si. – Entendo, e o que me diz sobre o que poderia ter acionado o alarme? – Já que Brenda parecia de fato estar acreditando no que disse, a mais velha fez questão em perguntar, pois todo problema apresentava uma solução, e ela queria saber qual era a daquela situação em si. – Não era nada muito complicado Sra, apenas um pequeno erro de cálculo nos algoritmos da criação projetada como um dos meios de defesa –não conhecia o caminho em que escolheu trilhar, e torcia para que estivesse ligada a mais aquele projeto. Do contrário, havia terminado de assinar a própria sentença. – Pensei que isso já tivesse sido resolvido da última vez – Lamentou Gabriela não querendo mais ficar naquele assunto, pois apesar de o mesmo estar favorável a cientista, a presidente ainda não conseguia engolir muito bem as suas palavras – Mas bem, se tudo está pronto, voltem para os seus afazeres – Disse fazendo um sinal de mão ao soltar um longo suspiro – Claire, por favor, siga ao lado da Dra Ernandez para que conheça a sua nova área de trabalho, já que serão colegas em meio a esse projeto – Diante o pedido, a jovem de olhos esverdeados se limitou a assentir enquanto acompanhava a chefe com o olhar até não poder mais vê–la. Brenda não se sentiu bem com al ação cometida pela jovem, mas não disse nada, sentia que não devia e que também não poderia. Em um silêncio mortal para ambas as partes, seguiram uma ao lado da outra até alcançar os limites da sala responsável por abrigar todos os envolvidos no projeto Runaways. Brenda, era quem mais se segurava para não puxar assunto, pois estava a espera de que Claire o fizesse, mas não aconteceu durante aquele curto período de tempo. Como já possuía conhecimento sobre tudo o que se passava ali, a nova integrante daquele grupo não quis saber de começar alguma discussão de imediato, pois ainda tentava organizar todos os seus pensamentos para não dizer nada que fosse se arrepender mais tarde. Antes de tudo, se encontrava preocupada com o fato de que Gabriela pudesse estar apenas atuando diante aos recentes acontecimentos, e diante disso, para ela, era inevitável não voltar a cada um dos finais já vividos naquele mesmo dia. Toda vez que se via obrigada a tal feito, sentia uma leve pontada em sua cabeça, algo que só veio a acontecer nessa fase atual. Não conseguia entender o porquê das dores, mas deveria significar algo, precisava significar. A jovem Novak se encontrava tão focada no que fazia, que m*l se deu conta do momento em que seu relógio marcou o horário de intervalo para o almoço. Sua atenção estava presa ao computador em sua frente, no qual vários programas eram inscritos. Aquela atenção toda, se devia ao fato de que a sequência digitalizada sem deixar um rastro de ID, ou qualquer outro meio que a ligasse ao mesmo, serviria para a resolução do problema que a meteu em toda aquela confusão. O vírus transcrito era de alto risco, e com uma p******o que seria difícil até mesmo para ela, que o criou, passar por cima. Dessa forma, não conseguiriam eliminá–lo antes do mesmo comprometer cada parte daquele projeto, fazendo todo o estrago que foi programado para fazer. E essa pequena parte já estava resolvida, mas não era o suficiente para destruir tudo,serviria apenas como um longo atraso, mas ainda não seria o fim. Para isso, algo ainda mais forte era criado por detrás das plantas usadas para o design de cada peça já criada. Uma forma de manter em sigilo tudo o que era planejado até ali. – Todos já deixaram a sala – Brenda comentou se colocando ao seu lado, mas não obteve uma resposta para tal comentário. Podia até dizer que a mais nova não havia lhe escutado, mas o aceno positivo quebrava essa teoria. Para a jovem, o silêncio parecia ser a melhor opção no momento, e a mais velha havia se dado conta disso desde o instante em que o pequeno diálogo com Gregori aconteceu, então se deu conta de algo. Se quisesse mesmo ouvir a voz de Claire outra vez, teria de ser ela a puxar assunto, não adiantaria esperar uma atitude da jovem estagiária ao seu lado, focada apenas em seu computador. O esforço teria de ser seu. – Me desculpe pelo que aconteceu mais cedo – Pediu sincera puxando uma cadeira para se sentar ali, já que havia entendido a intenção da de olhos verdes – Achei que poderia ser uma chance única, então não pude deixar de tentar – Assim como o pedido de desculpas, sua explicação também era sincera, e Claire sentia isso. Por esse único motivo, deixou momentaneamente tudo aquilo que fazia de lado, e girou sua cadeira ficando de frente para a bela cientista de olhos tão claros quanto os seus. – Eu te pedi para não se arriscar, para não fazer nada sem mim – Disse em lamento, com a decepção presente em sua voz a todo momento. Mas nada chegava perto do que era transmitido pelo seu comportamento – Você prometeu que iria me esperar, e não fez isso – Brenda podia sentir o peso das palavras caindo sobre si, e mesmo que uma parte de sua achasse ser um exagero da parte da mais nova, a outra lhe dizia para respeitar e aceitar que ela estava com a razão. Afinal, havia feito uma promessa. Cabia a si cumprir com o que selou ao dizer aquelas palavras, mas não foi o que fez. Possuía a certeza de que alcançaria com êxito aquilo que tanto desejava, só não contava que fosse cometer um simples deslize e quase estragar tudo o que vinha sendo traçado até aquele momento. – Eu sei o que disse, Claire, mas ao saber que a Gabriela estaria com o tempo ocupado procurando todos os meios possíveis para conseguir te fazer crer em seus feitos, vi a oportunidade perfeita surgindo – Buscando uma explicação mais convincente, novamente Brenda voltou a defender suas ações, pois apesar do acontecido, ainda acreditava ter feito o certo. Algo que Claire havia entendido. Não importava o que a Novak pudesse dizer, a mais velha sempre teria algo na ponta da língua para rebater com exatidão. E independente do que pudesse ter dito antes de adentrar a sala da chefe, possuía a certeza de que a decisão da cientista a sua frente seria a mesma todas as vezes possíveis. Ela era dona de si, e possuía as próprias convicções, nada a faria mudar de ideia com tanta facilidade, tão pouco ficar parada frente a algo que estaria ao seu alcance para obter uma solução digna para o problema. A cientista que conhecera estava disposta a tudo para dar fim aquilo que estava no caminho da perfeição, graças a sua colaboração em revisar todos os possíveis erros, e se fosse necessário, estava disposta a perder a vida para conseguir aquilo que desejava. Mas essa não era a realidade de quem estava ao seu lado para toda essa confusão. Pois ao contrário da experiente Dra Ernandez, a jovem aspirante Claire Novak estava com a mesma disposição presente em si, mas na intenção de a manter sempre a salvo.
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