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1770 Palavras
O caminho a ser traçado continuava naquela mesma trajetória, nada havia mudado, tão pouco a decisão de Brenda em fazer a jovem na frente dos seus olhos entender todos os seus motivos por trás da iniciativa em seguir em frente com os feitos de horas atrás. Mas o que a cientista não conseguia perceber, era o fato de que tamanho esforço não era necessário. Claire a entendia, e talvez mais do que jamais estaria disposta a admitir. Apesar da enorme preocupação com tudo o que aquela ação implicava, a jovem estagiária se via na obrigação de absorver os feitos da morena em sua frente como se fossem os seus. Pois se fosse ela em seu lugar, com uma certeza de 95% sobre os fatos, possivelmente teria feito o mesmo. Não diria em voz alta, pois não queria dar a razão para a mulher de olhos tão próximos do verde quanto os seus eram. Protegê–la era o seu objetivo, e não precisavam se manter em uma mesma linha para isso, mas não iria negar o quanto seria mais fácil. Seus sentimentos pela cientista parada a sua frente era algo indescritível, não fazia sentido algum em sua mente. Mas o que poderia fazer quando o coração não era o melhor aliado da razão? – Por favor, vamos esquecer esse assunto por um momento e nos focar no que realmente importa – soar de maneira grosseira não era sua intenção, mas os resultados daquela troca de palavras não eram importantes. E mesmo sentindo o peso da frase dita pela dona de olhos verdes, Brenda entendia isso. No momento, o foco de ambas deveria se prender aos afazeres dedicados ao fim do projeto de Gabriela – Quanto tempo ainda falta para que todos retornem às suas tarefas? – a questão da mais jovem partiu junto a finalização daquilo que roubava a sua atenção quando Brenda se pôs ao seu lado. A primeira parte do plano havia sido concluída e posta em andamento. – Não muito, talvez uns dez minutos, talvez até menos – olhando em seu relógio de pulso, a mais velha logo cedeu a resposta. Claire então fez os cálculos necessários para que a porcentagem de sucesso pudesse subir ao nível ideal para si. No fim, dez minutos eram o bastante para causar o estrago que desejava – Vai me dizer no que estava tão focada quando me fiz presente? Parecia ser importante – diante do interesse por parte da cientista, Claire se permitiu um breve sorriso ao se virar para encarar a morena de frente. Não estava brava pelo que ocorreu mais cedo, apenas preocupada com o caminho que tudo sempre as levava. Mas nada disso era desculpa para escolher se manter distante, não era o seu desejo. Por isso, jamais conseguiria algo assim. Era uma situação fora dos seus próprios limites. – Pra gente, esse é o apoio que vamos precisar para enfim dar início ao fim desse lugar. Mas pra eles, isso significa uma luta direta contra um vírus quase impossível de se quebrar a barreira de defesa que o protege durante a sua ação – cedendo a Brenda a resposta que desejava, a jovem estagiária se permitiu um orgulhoso sorriso. Havia mesmo feito um maravilhoso trabalho – Nem mesmo eu conseguiria esse feito de maneira rápida o suficiente para cessar a danificação sobre todas as partes do projeto Runaways. O que nos dará uma chance para fazer o que você queria. Porém, acredito ser mais vantajoso ampliar o raio de ataque viral e deixar que o programa faça todo o trabalho. Dessa forma teremos mais chances de sucesso, sem precisar correr muito risco. – O modo como você me surpreende não está escrito – sorrindo para a explicação de Claire, Brenda comentou em concordância. Acreditava na teoria da jovem, possuía a certeza de que seus planos eram mais vantajosos do que uma ação arriscada para o fim do dia. Já havia feito algo e, querendo ou não, estava sob suspeita. Talvez, estivesse também sob vigília. Então não poderia arriscar muita coisa, tudo poderia ser melhor do que uma nova tentativa de sabotar o ponto principal do projeto. E diante uma confirmação vinda da cientista, a jovem de olhos verdes voltou a digitação no computador a sua frente. Entendia que em menos de cinco minutos todos os outros funcionários estariam de volta aquela sala, mas aquilo precisava ser feito. Com base em toda uma ação controvérsia, Claire não demorou para aumentar o nível de ataque do vírus criado. Não perdendo um único segundo a seu favor, conseguiu uma finalização a tempo de poder observar com serenidade a chegada de todo o restante daquela equipe. Ao lado de Brenda, se viram observadas de modo incomodativo. Todos ali pensavam em algo. Não as viram fora da sala, e encontrá–las juntas em uma proximidade tão grande, os fizeram ir além com alguns dos muitos pensamentos que se passaram por suas mentes. E entre todos, Damon foi quem mais lhes cedeu o seu olhar. Mas os seus motivos não eram os mesmos do outros ao seu redor. O homem havia passado todo o intervalo na presença da chefe, haviam conversado sobre muitos assuntos. Entre eles, o futuro daquele projeto e tudo o que estava ligado a ele. Mas o que chamou a atenção do cientista chefe, foi o enorme interesse que Gabriela demonstrou possuir sobre a nova integrante daquela área do instituto. Estava ciente de que a presidente gostava de se apegar ao novo, mas jamais iria admitir uma derrota para quem nem mesmo possuía o interesse de entrar na disputa. Observando a interação da jovem com sua cientista mais brilhante, Damon não pôde deixar de se sentir ainda mais confiante. Pois aquela aproximação lhe mostrava que, felizmente Gabriela não possuía chances com a jovem prodígio. Mas algo com o qual não estava contando, era o fato de que a mulher sabia de tudo o que vinha acontecendo durante toda aquela semana. Seus motivos para levar Claire até os limites do seu projeto, estavam pré definidos há alguns dias e, não era apenas pelo fato de a garota se mostrar alguém competente e capaz de se habituar com grande facilidade. Porém, não estava em seus planos que Brenda fosse se tornar um empecilho tão desconfortante. Não engoliu por completo a desculpa apresentada no início do dia, mas diante a presença da de olhos verdes ao seu lado, achou que seria melhor deixar passar. No entanto, estando ciente de tudo o que acontece naquela parte do seu instituto, não poderia se sentir mais desafiada. Precisava de algo que aprovasse as ações tomadas para poder agir, não poderia cometer suas loucuras com base em tão pouco. – O que acha de uma carona? – a oferta de Brenda ao deixarem a sala minutos depois do restante dos funcionários daquela área, era algo tentador, algo de insinuações obscuras e, Claire estava gostando daquilo. – Bom, se eu ainda me lembro bem – sorrindo ao observar a cientista enquanto a mesma se ocupava de trancar a sala em que estavam, deu início a sua provocação – Estou certa de que sempre possuo os meus meios de locomoção. – Não terá toda essa coragem, não acredito nisso – o comentário jogado pela dona de olhos na cor de avelã, foi o responsável por fazer o sorriso da estagiária aumentar consideravelmente. Ela estava se divertindo com toda aquela ação, se divertindo com o fato de estar trilhando um caminho com aquela que possuía toda a sua atenção. – Sabe, por mais que os fatos possam me contradizer, você ainda é uma estranha – caminhando de costas, se virou para fitar a incredulidade na feição de Brenda, e riu alto com isso – Teoricamente, nos conhecemos essa manhã. Não posso simplesmente entrar no carro de alguém que não conheço e me deixar ser levada. – Estou abismada com o tamanho da sua consideração por mim – encontrando o argumento perfeito durante sua fala, foi a vez de Brenda sorrir em divertimento – Mas se não sofri com amnésia durante o correr do dia, tenho certeza de que você comentou algo sobre "me conhecer" há alguns dias – suspirando frustrada por ter sido pega, e acreditar que tudo ia muito além daquilo que sua mente lhe fazia buscar por entendimento. Claire lhe deu as costas sem deixar de andar. Haviam alcançado o estacionamento. – Aceito a minha derrota, você me venceu nessa – diante o comentário posto em meio ao assunto, a mais velha se apressou em tomar a sua frente e a brecar ali mesmo. Não entendeu o porquê do sorriso desaparecer e sua feição de alegria perder espaço para o vazio – Eu preciso ir pra casa, aproveitar a oportunidade de viver um amanhã. – O que houve? – a preocupação era evidente em seu tom, mas os seus motivos para isso estavam longe de ter um significado parecido com o que estava para acontecer. Em nenhum momento cogitou a ideia de que viveria algo naquele quesito. Não depois de tudo. Naquele momento, para ambas as mulheres o trabalho estava feito. Naquele momento, tudo poderia enfim ganhar um fim. Porém, não era isso o que parecia estar programado para aquela noite. A fim de buscar por algo que levasse a uma ação justa contra a jovem Dra Ernandez, Gabriela se viu mais do que surpresa com o que havia encontrado. Mas isso não era nada comparado às notícias que recaíram sobre os seus ombros. Não acreditava ser possível que o projeto de sua vida estava por um fio, tão pouco conseguia acreditar que tudo havia ocorrido debaixo do seu nariz e ainda não havia um culpado para tudo. No entanto, ela sabia muito bem a quem abordar. Horas perdidas em um computador sem se perder em mais nada, não poderia ser apenas uma coincidência, não era apenas um trabalho sendo feito. Se haviam implantado um vírus de alto nível na rede do seu projeto, infelizmente não havia um outro alguém para ser ligado a esse feito. – Eu só não sei mais o que pensar sobre esse dia – a sinceridade na voz de Claire para a resposta sobre a questão de Brenda, fez a morena ficar sem ter o que dizer. A única ação tomada pela cientista, foi abrir um singelo sorriso e puxar a jovem para dentro do seu abraço. – Vamos esperar que o amanhã possa se iniciar de forma tranquila – suas palavras não possuíam força para fazer essa nova realidade se concretizar, e a prova para isso, havia se posicionado a pouco mais de cinco metros de distância dos seus corpos.
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