- Não acredito que ele disse isso!
Beatrice toma um gole da sua bebida assentindo.
- Ele disse com todas as letras - Confirma.
- Não faço ideia do que se passa na cabeça de Matteo – Eleonora dá um bom gole em sua bebida – Ele não pode impedir você de seguir sua vida. De se relacionar com outros homens.
- Eu não sei se quero me relacionar com outros homens – admite. Sabia o quão prazeroso era ter apenas uma noite de sexo e depois cada um seguir sua vida, sem se apegar e sem sofrer, parecia ser o melhor a se fazer.
- Não diga isto, Beatrice – Eleonora toca sua mão por cima do balcão – Não anule sua vida por causa do i****a do meu irmão.
- Atena precisa de mim. Precisa de toda minha atenção - E dessa forma, não via como se relacionar com outra pessoa.
Sua filha havia se tornado a prioridade em sua vida.
- Ela crescerá um dia e o que sobrará?
Não havia pensado. Mas sabia que iria sobrar alguma coisa. Nem que fosse o trabalho.
Beatrice n**a com a cabeça, tomando mais da sua bebida.
Tinha em mente que ficariam juntas para sempre. Era assim que tinha que ser.
Seu celular vibra sobre o balcão.
Me desculpe por hoje mais cedo. Era uma mensagem de Jacob.
- É ele, não é? – Eleonora pergunta com um meio sorriso nos lábios.
- É.
Não tem o que se desculpar, digita, hesitando em enviar a mensagem.
- Poderia dar uma chance para ele.
- Não é assim tão fácil.
Vou recompensar você. A mensagem a pega desprevenida.
Compensar? Como?
- Então você está cogitando a possibilidade de...?
- Não! Não estou! – diz levantando, jogando seu celular dentro da bolsa e pegando sua carteira – Estatisticamente é improvável acontecer algo entre nós – Em seguida coloca o dinheiro da conta sobre o balcão e pega seu casaco – Tenha uma boa noite, Eleonora.
- Sonhe com o Jacob! – diz sorrindo.
Beatrice respira fundo ao parar o Jeep na frente da casa de Celly e vê as luzes acesas. Por alguns instantes fica ali, dentro do carro, observando a calmaria, juntando forças para o quê estava por vir.
- E lá vamos nós para meu segundo turno – murmura saindo do carro, caminhando em passos largos até a porta de madeira – Olá. Cheguei – Parando no vestíbulo, pendura o casaco.
- Oi, Trice. Chegou bem na hora do chá da tarde – diz Celly, vindo ao seu encontro.
Olhando para o relógio na parede, nota faltar poucos minutos para ás oito.
- Onde está Atena?
- Dormindo – diz distraída, arrumando um vaso.
Beatrice vai até a filha do outro lado da sala, notando que a mesma dormia, porém com a roupa suja.
- Hoje brincamos bastante – diz a senhora – Passamos algum tempo no jardim.
Atena tinha dois meses e não tinha como interagir muito. Mas o fato de terem se divertido, já era alguma coisa.
- Fico feliz em saber disso.
Após lavar as mãos, a encontra na cozinha, já servindo o chá.
- Já faz algum tempo que não visitamos Ida – diz de repente, fazendo com que Beatrice a olhe – Ela ficará magoada conosco.
Beatrice continua olhando-a, sem saber o quê dizer. Ou principalmente, o quê pensar.
- Celly – A senhora a olha, deixando o bule de lado – Tia Ida faleceu, lembra? - pergunta baixo.
Os olhos dela vagam pelo vazio, sua expressão demonstrando que estava se esforçando para lembrar do acontecido.
- Ah! É verdade! – diz piscando algumas vezes, sorrindo hesitante – Ela morreu no mesmo dia que Romeu.
- Isso mesmo.
- Céus! – Solta o ar dos pulmões se sentando, deixando uma mão sobre o coração.
- Está tudo bem?
- Sim. Está! Acho que... só preciso de um banho – diz se levantando.
Beatrice a observa sair do cômodo, pegando a xícara com chá.
Acabará por ir dormir cerca de uma hora e meia depois, após dar uma mamadeira para Atena e trocar sua roupa.
Cansada adormeceu rapidamente, sendo recebida em seu subconsciente por nada mais nada menos do que Jacob.
A mandinga de Eleonora havia funcionado.
Sonhara que estava em um quarto com apenas a luz da lua o iluminando. As cortinas balançavam lentamente com a brisa da noite, lhe causando leve arrepios na pele.
Seus arrepios se intensificaram ao notar uma figura masculina caminhando em sua direção, completamente nu.
Era Jacob.
Seu corpo era convidativo e seu olhar era malicioso.
Ele se debruça sobre a cama, engatinhando, sem tirar os olhos dos dela, até sobrar apenas centímetros entre suas bocas.
Hesitante, permanece parada, sentindo a respiração dele contra seu rosto. Até que seu instinto fala mais alto e pressiona sua boca contra a dele, puxando-o para cima de si.
Seu m****o era grande, tinha essa noção por senti-lo tocar em sua pele, fazendo -a se contorcer em baixo dele, desejando que entrasse de uma vez dentro dela.
Quando finalmente o sente, arqueia as costas, recebendo um beijo apaixonado e um ritmo nos quadris que a remetia.
Duvidava a última vez que tivera um sonho tão...realista.
Acordara com seu sexo unido e latejando. Seu corpo clamando que pudesse realizar aquele sonho.
Qual fora a última vez mesmo que havia transado?, pergunta a si mesma, ao pegar Atena nos braços.
Luca. A noite com Luca.
Havia sido boa mas, não tão boa quanto a noite que tivera com Lewis.
Podia até evitar de ter relacionamentos, só não podia evitar o fato de querer ser tocada por um homem.
Ela entra na cozinha, vendo Celly parada diante do fogão, encarando a chaleira que já apitava.
- Celly? – Chama tocando seu ombro.
Ela pisca desnorteada, se assustando com sua presença.
- Trice, já levantou – diz num sussurro – Já vou preparar o café. Não vai tomar café da manhã, Trice? – Celly pergunta, quando coloca o bebê conforto com Atena ao seu lado, pegando a bolsa ao lado.
Por alguma razão, não amanhecera com fome naquela manhã. Pelo contrário, se sentia inquieta.
- Não estou com fome. Tenham um bom dia – diz caminhando em direção da porta.
Precisava trabalhar. Ocupar sua mente com o que era importante e ignorar os sinais que seu corpo estava dando.
Não queria e não podia ter sonho eróticos com Jacob Meyer.