Capítulo 17

933 Palavras
Saindo do elevador meia hora mais tarde, a secretaria de Lewis vem ao seu encontro. - Eu tentei impedi-lo, só que ele não me ouviu. Me desculpa. Beatrice respira fundo antes de abrir a porta de sua sala, se deparando com Matteo em pé diante da janela panorâmica. - Suas horas de almoço são tão longas? – pergunta sem olhá-la. - Lewis é mais flexível do que você – diz deixando a bolsa de lado – E o que faz aqui? - Não é um pouco óbvio? - Atena está bem - garante. Ele se vira para ela. - Por quê não atendeu minhas ligações? - Não tinha nada para conversar com você - Ela dá de ombros. Não queria mais fingir uma relação que não tinha. Seria melhor se cada um vivesse em bolhas separadas. Seria melhor para ela. - Não se trata de você e sim da minha filha – Ele ressalta. - E já te disse que ela está bem. - Onde estão morando? – pergunta passando a mão sobre a mesa, ouvindo como resposta o suspirar dela – Eu preciso saber. - Por enquanto com Celly. Até a casa de tia Ida ficar pronta. Ele semicerra os olhos, sustentando o olhar dela. - Não a deixou com aquela senhora - diz incrédulo, deixando evidente com sua expressão que havia sido uma péssima ideia. - Aquela senhora cuidou de você – diz controlando o tom de voz. - Isto foi a quase trinta anos atrás - Beatrice bufa, caminhando pela sala - Talvez Anna devesse... - Não – Ela o interrompe, voltando a olhar para ele – Vou achar alguém. Ele assenti lentamente, colocando as mãos nos bolsos da calça. - Mais tarde irei vê-la – diz saindo em seguida da sala, não esperando uma resposta. Típico de Matteo Montana. Com a saída de Matteo pôde voltar ao trabalho, dizendo a si mesma que em poucos dias teria tudo sob controle novamente, o que lhe daria espaço para cuidar da sua vida pessoal. Uma forte chuva iniciou-se após o expediente, o que causou um leve congestionamento. Quando finalmente quando chega na casa de Celly, encontra a senhora conversando animadamente com Atena que, parecia prestar atenção. - Oi – diz ao entrar na casa – Atrapalho? - Trice! Que horas são? Perdi completamente a noção do tempo – diz procurando o relógio – Nem fiz o jantar ainda. - Esta tudo bem. Preparo o jantar. Só precisava de um banho antes. As observa enquanto preparava o jantar, notando o quanto Celly ainda levava jeito com crianças, apesar da idade. Terminava de por alguns legumes para cozinhar quando a campainha toca duas vezes seguidas. Imaginando se tratar de Matteo e sua falta de paciência, vai até porta secando as mãos em um pano de prato, se preparando para lhe dizer algumas verdades se ele tentasse se meter novamente em sua vida. - O quê!? – diz surpresa, ao ver Jacob parado em frente a porta, segurando Noah enrolado em uma manta contra seu peito. Ambos estavam úmidos. - Preciso falar com você. Ela continua o olhando incrédulo, sem acreditar que ele estava no meio daquele temporal com um bebê. - O que está fazendo com Noah nessa chuva!? – diz o puxando para dentro. - Eu...Eu... – Balbucia – Ele está bem! – De fato Noah parecia estar bem, já que dormia tranquilamente. Beatrice vai até o segundo andar, voltando com uma manta. Pegando o bebê dos braços dele, o embala na manta seca e o coloca no bebê conforto de Atena, voltando sua atenção para Jacob. - Deve ter um bom motivo para sair nesta chuva com um bebê – diz Celly. - E tenho! – diz Jacob, olhando em seguida para Beatrice – Lhe devo desculpas. Ela o olha pasma, sentindo todas suas barreiras caírem naquele instante. - Saiu nessa chuva com uma criança para pedir desculpas!? – vocifera, não querendo diminuir a falta de responsabilidade dele. Ele dá de ombros - Você é mais louco do que pensava! – finaliza, caminhando até o outro lado da sala, trazendo consigo um cobertor. Jogando-o em seguida contra ele – Fiz sopa. Espero que goste. Voltando para a cozinha, termina o jantar, colocando a mesa por último. - Onde está a mãe dessa criança? – Celly pergunta, quando se sentam à mesa. Jacob desvia o olhar para a mesa, dando a impressão que procurava o jeito mais fácil de dizer. - Ela morreu, Celly – diz Beatrice de forma direta, não querendo parecer ríspida, mesmo sentindo que estava sendo. - Oh! Céus! – diz a senhora surpresa – Sinto muito! - Obrigada – Ele sussurra, com os olhos fixos no prato de sopa. - Ela estava doente? Ele n**a automaticamente com a cabeça. - Morreu depois do parto do Noah. Ela estava bem e depois... - Não é uma tarefa fácil cuidar de um bebê. Está recebendo ajuda de alguém? - Minha mãe passou alguns dias aqui com minha sogra, até sugeriram de levá-lo para nossa cidade natal mas, preferi cuidar dele sozinho. O olhar dele se cruza com o de Beatrice. - Não é todos os dias que vemos isto, não é, Celly? - diz Beatrice, com a colher perto da boca. A senhora assenti para ela. Jacob prova a sopa, olhando novamente na direção dela. - A sopa está boa. Não lembro a última vez que comi algo tão cheiroso e gostoso. Beatrice apenas desvia olhar para seu prato, começando a comer, sentindo seu ego crescer um pouquinho. Afinal de contas, conversar com estranhos não estava sendo tão r**m assim.
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