Capítulo 16

945 Palavras
Horas depois, naquela mesma manhã, enquanto vistoriava uma obra quando seu celular toca. Reconhecendo o número da casa de Celly na tela, caminha em passos largos para longe da obra que estava a todo vapor. - Celly, está tudo bem? – pergunta rapidamente. - Sim, Trice! – No fundo pode ouvir Atena resmungando baixo. - Por quê ligou? Alguma coisa com Atena? - Não é nada com a pequena Atena. Ela está bem. Liguei pois há alguns homens na casa de Ida, com marretas e tudo mais - diz Celly com a voz urgente, para o espanto de Beatrice. - Marretas? – repete sem entender – Como assim? – questiona indo em direção do Jeep da empresa. - Estão quebrando alguma coisa! - A voz de Celly se torna abafada, devido ao barulho alto. Desligando, Beatrice entra no carro, jogando o aparelho no banco do carona, dando partida. Parecia que havia demorado uma eternidade para chegar e quando finalmente estacionou o carro, não conseguiu entender o que estava acontecendo bem diante de seus olhos. Havia homens por toda parte, conversando, medindo, quebrando... Se sente tonta, ao caminhar em meio a todas aquelas pessoas e a desorganização aparente. O barulho chegava a ser infernal. Adentrando na casa procura em meio ao pó e o barulho excessivo o responsável por aquela loucura, até que seus olhos o encontra. - Jacob? – diz quando ele se vira distraído na direção dela – O que está fazendo aqui? - Só faltava naquele momento, alguém da grupo de apoio querer lhe fazer uma vista inesperada. - Beatrice. Não é? – diz ele com uma prancheta e com Noah em frente ao seu corpo no canguru, a olhando com os olhos estreitos – Eu que pergunto o que você faz aqui. Beatrice ergue as sobrancelhas, inspirando profundamente, mantendo sua postura, mesmo querendo explodir de raiva por causa da bagunça ao seu redor. - Essa casa era da minha tia e pedi que o arquiteto fizesse uma avaliação e não uma obra sem meu consentimento - Ele baixa a cabeça sorrindo - Qual a graça? – pergunta irritada. Não querendo ter que descontar toda a raiva que estava se acumulando dentro dela, numa pessoa que não tinha culpa de nada. - Por acaso eu sou o arquiteto que faria a avaliação. Ela abre e fecha a boca pega de surpresa, piscando algumas vezes sem reação. - Por quê diabos está fazendo uma obra!? - pergunta elevando a voz. - Geralmente meus clientes confiam no meu trabalho e já querem que eu vá direto ao ponto. - Só que não sou uma de suas clientes e não sabe nem o que eu tinha em mente – rebate. - Não irá se arrepender – diz calmo. - Já me arrependi, de ter ligado pra fazer, de ter solicitado seu serviço! – Girando os calcanhares procura a porta, não conseguindo vê-la em meio a todas aquelas pessoas que estavam transitando em sua frente. - Ei – Ele segura em seu braço. Beatrice se vira, o fuzilando com o olhar, querendo raios laser naquele momento. - É melhor parar essa obra imediatamente – murmura entre dentes, voltando a caminhar. Saindo da casa encontra Celly do outro lado da rua, com Atena aninhada em seus braços. - O que está acontecendo? – Celly pergunta. - Uma pequena falta de comunicação – diz tentando tirar o pó da roupa. - Não sabia que queria reformar a casa de Ida. - Precisamos de uma casa e esta é mais do que perfeita – Suspira beijando a cabeça da filha - Agora tenho que voltar para o trabalho, ainda tenho cinco obras para visitar ainda hoje. Olhando por cima do ombro, nota o olhar de Jacob em sua direção, no mesmo instante, ela desvia o olhar de imediato. Procuraria outro arquiteto assim que possível, um que pelo menos lhe desse tempo de explicar o que tinha em mente. Com a agenda tão apertada e até sem tempo para dormir, só não sabia quando faria isto e quanto tempo duraria as férias de alguns arquitetos. - Beatrice? Ela ergue a cabeça encarando Lia que, sorri automaticamente. - Quer compartilhar algo conosco? - Não – diz séria. Ainda estava irritada com Jacob e desde que chegará estivera evitando olhá-lo, pois não sabia qual era seria sua reação. Na noite anterior ao ir na casa de Ida, após o expediente, pôde ver com mais atenção o desastre. Haviam destruído duas paredes, começando a destruir a terceira. Arrancaram boa parte do piso de madeira e a remover a madeira da escada. Um caos. Ela só queria restaurar a casa e ele simplesmente estava construindo outra! - Como está sendo a conciliação do emprego com a bebê? – insiste. Beatrice solta o ar dos pulmões, imaginando tudo que estaria fazendo, se estivesse na empresa e não ali, tendo que falar dos seus sentimentos. - Estou tentando equilibrar tudo, mas me sinto mais como um palhaço girando pratos – diz com a cabeça baixa, olhando para as mãos sobre o colo – Ainda mais quando surge contra tempos, me dando mais pratos. - O que está se referindo quando diz contra tempos? - Obras sem autorização – diz erguendo novamente a cabeça, forçando um sorriso. - Isso realmente é bastante chato – diz Hilary, dando um sorriso sem graça. - Poderia processar o responsável – diz Megan, a mãe que odiava a maternidade e o fato de ser mãe. Beatrice olha para Jacob fora do círculo. - É. Eu poderia - diz sustentando o olhar dele, da forma mais ameaçadora que conseguiu, para fazê-lo entender que não se deixaria intimidar por uma obra sem autorização.
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