Estava quase cochilando quando o celular toca de repente ao seu lado, lhe causando uma breve dor de cabeça.
Era Matteo, pela décima vez só naquele início de manhã.
Desligando o aparelho, olha para Atena no bebê conforto no chão.
Passando a mão pelo rosto, respira fundo, percebendo o quão cansada estava naqueles últimos dias.
Seus dias éram resumidos em tentar trabalhar, comparecer aos encontros uma vez na semana e ser uma boa mãe.
Só que sentia que falhava miseravelmente em todas as áreas da sua vida.
Não tinha com ficar pior, resmunga, pegando o café frio a sua frente.
Estava vivendo a base de cafeína e salada. Era o que dava para fazer quando se tinha uma bebê que não lhe dava folga nem para tomar um banho digno.
Organização, era do que precisava, conclui quase otimista. Só não sabia por onde começar.
Uma casa, talvez. Não podiam viver na casa da velha Celly até Atena completar 18 anos. Há duas noites atrás, haviam visitado a casa de Ida, em meio a uma das crises de choro de Atena.
Estava mais do que empoeirada, se degradando a cada dia mais.
Precisava de uma boa reformada para se tornar habitável.
E para isto acontecer precisava de um bom arquiteto.
Para isso recorreu a velha pesquisa na internet. Alguns que entrou em contato estavam com a agenda cheia e outros de férias.
- Estou saindo de férias hoje – diz o sexto arquiteto só naquele dia – Mas tenho um amigo arquiteto que está disponível. Posso passar o número dele se quiser.
- Ah, claro. Obrigada.
Beatrice desliga encarando o número a sua frente, sendo interrompida pelo choro de Atena.
- Estou aqui – sussurra, embalando-a em seus braços, lhe oferecendo a mamadeira.
As vezes queria entender o quê se passava com a filha. Queria entendê-la melhor, mas o quê fazia na maioria das vezes em meio ao cansaço, era se estressar com uma criança que não fazia ideia do que estava acontecendo ao seu redor.
Quando liga para o número fornecido, o mesmo cai na caixa-postal, obrigando-a deixar um recado.
- Oi! Consegui seu número com o Lins. Ele não irá poder fazer o trabalho que quero, então me passou seu número. Quando puder, pode entrar em contato? – diz numa voz animada, esperando do fundo do seu coração que pelo menos aquele arquiteto, estivesse disponível. Em seguida desliga, sem gostar do fato de estar conversando “sozinha”.
Voltando a atenção para o trabalho, não soube por onde começar. Tinha trabalho acumulado de duas semanas, projetos importantes que não sabia distinguir qual necessitava mais de sua atenção.
Sentindo-se mais uma vez frustrada, organizou sua mesa, tirando da própria objetos de Atena, enquanto equilibrava a filha em um braço.
Precisava de ajuda e isto estava mais do que óbvio.
A noite na casa de Celly, seu celular vibra sobre o balcão, a fazendo desviar atenção da mamadeira que preparava.
Irei pela manhã para a avaliação.
Era uma mensagem de texto do arquiteto.
Estou no trabalho pela manhã, digita rapidamente.
Só terei horário no início da manhã, responde em seguida.
Beatrice encara a mensagem, controlando a vontade de dispensá-lo. Precisava de um lar e Infelizmente ele parecia ser o único arquiteto disponível num raio de 5 km.
Lhe enviarei o endereço e deixarei a chave em baixo do tapete, diz por fim.
O.k, é apenas o que responde.
Assim que Atena dorme e finalmente se vê sozinha, resolve tentar compensar os dias perdidos fazendo alguns projetos e revisando relatórios de obras.
Deixa memorandos a parte para lembrá-la de comparecer às obras. O que ainda seria uma tarefa complicada com Atena.
Obras e bebês não combinavam.
E conciliar maternidade e trabalho, estava sendo uma tarefa cada dia mais difícil.
Acaba por adormecer na cozinha diante de diversos papéis, apenas despertando ao ouvir passos quase silenciosos pelo cômodo, a fazendo semicerrar as pálpebras pesadas.
- Por quê não me disse que estava aqui?
Ao se sentar corretamente, sente suas costas doloridas e rígidas, demorando para reconhecer a voz.
- Celly – diz rouca com o cenho franzido – Não estava viajando?
- Dois meses é o que posso aguentar longe de casa – diz a velha senhora, cujos cabelos estavam mais brancos e a pele um pouco mais enrugada – Não era para este bebê estar no meio de todo este pó! – adverte olhando para Atena dormindo – Não estava na casa de Matteo?
- Estava – diz arrumando os papéis amassados a sua frente - Mas não dava mais para ficar lá.
Não queria falar que tinha esperanças, expectativas, de tentar ter outro tipo de relação com ele. Depois de tudo que passou, sairia como uma i****a se falasse isso, preferia deixar o fato de vê-lo transando com a babá da filha deles esquecido em sua mente.
Celly se afasta de ambas, caminhando até a dispensa.
- O que andou comendo? Não há nada aqui além de leite.
- m*l tenho tempo de comer, Celly. Atena requer todo meu tempo.
- Vamos mudar isto – diz num suspiro, pegando a pequena bolsa ao lado, saindo da casa antes que pudesse perguntar para onde estava indo.
Um banho rápido, uma troca de fraldas e uma mamadeira depois, se sentia quase pronta para começar o dia.
Por sorte sua ou não, Atena não estava tão chorosa naquela manhã. Talvez a menina finalmente entendeu que só seria elas duas por um bom tempo.
Ao descer os degraus da escada, é recebida pelo cheiro de café. Seguindo o cheiro, encontra Celly terminando de arrumar a mesa do café da manhã.
- Vamos, sente-se – diz Celly sem olhá-la.
Beatrice senta no mesmo instante, se servindo de tudo que havia sobre a mesa, percebendo que estava com muita fome.
- Quem está ficando com a pequena Atena? – pergunta tirando a bebê do bebê conforto.
- Era uma babá mas, tivemos um problema - diz olhando para a filha nos braços da senhora - Agora eu a levo para a empresa, até encontrar alguém que ela se adapte.
- Uma empresa não é lugar de bebê, Trice – A senhora cheira a cabeça da bebê – Ficarei com ela até poder encontrar alguém.
- Celly – repreende. De longe, não parecia ser uma boa ideia. Atena precisava de cuidados e temia que Celly não pudesse suprir todos.
- Não tem com o que discutir e acredito que esteja fora de discussão.
A verdade era que não queria deixar Atena com Celly devido a sua idade. Só não sabia como dizer á senhora isto e acabar a magoando.