- Droga! – Beatrice resmunga, ao acordar e notar ao olhar a hora no celular que estava uma hora atrasada.
Se arrumou o mais rápido que pode, com as primeiras peças de roupa que lhe apareceu ao abrir sua mala.
Ela arruma Atena ainda dormindo, pegando de tudo que precisaria ao longo de um dia e guardando em uma bolsa média.
Com a demora do táxi, só conseguiu chegar na empresa duas horas depois.
Saindo do elevador, encontra a Srta. Perfeita que a confundiu com uma copeira, conversando com a secretária de Lewis. Ambas a olha sem entender o que um bebê estava fazendo em um local de trabalho.
Beatrice as ignora, marchando em direção da sua sala.
O bebê conforto é colocado em uma das cadeiras em frente a mesa, em seguida deixa as bolsas de lado e tenta começar a trabalhar.
Entretanto, é interrompida assim que se concentra.
Atena se torna irredutível pelos próximos quarenta minutos.
A única solução viável que encontrou naquele momento, foi ficar balançando a filha de um lado para o outro, cantarolando todas as cantigas que vinham em sua mente, não obtendo sucesso.
A irritação logo tomou Beatrice, mas mesmo assim continuou. Balançando Atena e tentando acalmá-la e se acalmar.
Apesar da inquietude e da irritação da filha, Beatrice insiste em tentar ler o e-mail de Lewis.
O dia se tornará pior com seu decorrer, incluindo derrubar café no esboço de um projeto e em alguns relatórios, não conseguir conter o choro excessivo de Atena, sendo obrigada a pedir para a secretaria de Lewis que preparasse uma mamadeira.
Após o almoço seu celular vibra, desviando a atenção da fralda que estava trocando, vê o nome de Eleonora.
Estou mandando o endereço do local onde ocorre os encontro da rede de apoio. Hoje terá um ás 14:30.
Beatrice olha para o relógio sobre a mesa, constatando que só tinha quinze minutos.
Isto é uma loucura, pensa enquanto sai do prédio carregando duas bolsas e um bebê conforto. Cheia de trabalho e indo para um encontro de rede de apoio, resmunga, dando sinal para um táxi.
O local dos encontros era em um ginásio um pouco afastado do centro. Imaginava uma reunião igual dos alcoólicos anônimos, onde despejavam seus problemas e esperavam uma solução viável vinda de estranhos. Ou apenas estavam ali, para desabafar, diminuir a carga em seus ombros.
Beatrice não sabia qual dos dois objetivos era o seu. Só estava seguindo um conselho de Eleonora, esperando que de alguma forma, desse certo para ela ou a distraísse da sua dura realidade.
Passando pelas portas duplas encontra mães sentadas em pequenos colchões no chão em um círculo. Todas a olham, sorrindo levemente sem mostrar os dentes.
- Seja bem vinda – diz uma mulher loira de cabelos curtos no centro do círculo – Me chamo Lia.
- Beatrice – diz colocando as bolsas no chão, para então se sentar.
- Olá, Beatrice – As demais diz num coro baixo.
- Acho que já podemos começar, não é? – diz Lia.
A porta se abre de repente, fazendo com que todas voltassem seus olhares para um homem n***o, alto e em boa forma, que entrará, com uma bolsa em um dos ombros e um bebê nos braços.
Todas, menos Beatrice, estavam bastante curiosas.
Era o único homem em meio a nove mulheres.
- Olá. Seja bem vindo – diz Lia – Como se chama?
Ele se senta desajeitado fora do círculo.
- Jacob – diz olhando para todas – Jacob Meyer.
Lia sorri, desviando o olhar para a prancheta.
- Agora acredito que já estão todos aqui – continua – Quem quer começar?
Uma mulher loira de cabelos compridos ergue a mão, em frente ao seu corpo havia um bebê de aproximadamente cinco meses.
- Hilary – diz apontando para ela.
- Minha licença maternidade está quase acabando e não sei se quero voltar a trabalhar – diz Hilary, afagando a cabeça do bebê – Eu e Daniel achamos que é melhor eu permanecer em casa neste primeiro ano do bebê.
- Depois de quatro filhos. O único lugar seguro para mim é no trabalho – diz uma mulher de cabelos rente ao couro cabeludo – Praticamente estou contando os minutos para voltar a trabalhar – Ri sozinha.
Lia olha ao redor.
- Mais alguém prestes a sair da licença maternidade? – Até que seu olhar pousa em Beatrice – Beatrice?
- Já voltei a trabalhar – Força um sorriso, achando se não era um pouco óbvio pela sua vestimenta – Optei por voltar a trabalhar. Não acho que sou o tipo de mãe que fica em casa fazendo biscoitos.
A minoria das mães a olha com reprovação.
Claro que a maioria ali, gostaria e iria ficar em casa assando biscoitos, pensa, sentindo o rosto ruborizar.
Os olhares se desviam para Jacob com a mão erguida.
- Jacob – diz Lia.
- Também optei por trabalhar – murmura – Quer dizer, desde que minha esposa morreu por decorrência do parto do Noah, não tive muita opção.
- Sentimos muito – diz Hilary.
- Não deve estar sendo uma tarefa fácil – diz Lia.
Ele força um sorriso, olhando para o bebê que dormia em seus braços tranquilamente.
- Todos os dias é um aprendizado.
- Sinta-se acolhido por nós – Ele apenas assenti, permitindo que Lia desse continuidade com as outras mães.
Beatrice as escuta com atenção, apesar de sua mente fazer uma lista mental do que ainda teria que fazer antes do dia acabar, incluindo ir ao mercado.
No término do encontro, algumas mães se reúnem ao redor de uma mesa com aperitivos. Sem ser notada, pega suas bolsas e Atena, deixando o ginásio.
Enquanto esperava o táxi, nota quando Jacob caminha até uma caminhonete verde-musgo e coloca o pequeno Noah em seu interior, demorando um pouco mais em dar a partida enquanto checa se ele está bem preso a cadeirinha.
O observa dar partida, ainda precisando ficar alguns minutos esperando o táxi, colocando em sua lista que precisava urgentemente comprar um carro, para ajudar na locomoção das duas.
Além da preocupação na locomoção, sabia que uma longa noite esperava as duas.