- Rede de apoio? – Beatrice repete, segurando os talheres ao lado do prato pela metade.
- Vai te fazer bem – diz Eleonora séria – Você tem que lidar com o luto e com os desafios da maternidade.
Soltando os talheres, coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha, ponderando a sugestão de Eleonora.
Não sabia se conseguiria contar seus problemas para pessoas estranhas, mesmo sendo pessoas estranhas que não a conhecia. Talvez o problema estivesse ali, desabafar com pessoas estranhas.
- Faça um teste. Vá uma semana, se não gostar, não precisa ir mais - Eleonora prossegui.
Ela assenti pensativa, não pela “pressão”, mas por começar a achar que talvez precisasse de uma rede de apoio.
No fim do expediente, estava exausta como nos dias anteriores, apesar que sua mente ainda continuasse trabalhando a todo vapor.
Só queria a banheira do seu quarto e sua cama com cheiro de lavanda.
Matteo não estava esperando do outro lado da rua, o que inicialmente a intrigou. Só depois de olhar com atenção a rua, teve a certeza que ele não estava por perto e começou a imaginar se não teria acontecido nada com Atena, o que a fez procurar rapidamente pelo celular na bolsa enquanto chamava um táxi.
No caminho para a casa, era inevitável não pensar de tudo que r**m que poderia ter acontecido. O pior de tudo que dizia a si mesma que se algo tivesse acontecido com a filha, nunca se perdoaria.
O celular de Matteo cai na caixa-postal após o tum-tum quase infinito, acabando por aumentar mais sua aflição, pedindo para o motorista ir o mais depressa que pudesse.
O telefone da casa não tinha sinal algum, o que a preocupou ainda mais.
Beatrice não esperou o troco da corrida, saltou do táxi fechando a porta num baque alto, caminhando em passos largos até a porta da casa de Matteo.
Entrando na casa m*l fechou a porta atrás de si, parando abruptamente ao encontrar Matteo transando com Anna na sala de estar.
Anna estava debruçada sobre a mesinha onde ficava o telefone que, no momento estava no chão aparentemente quebrado.
Matteo dava fortes investidas em seu interior, gemendo baixo. Estava sem camisa e a calça nos joelhos.
A cena lhe trouxe um aperto estranho no coração, lhe dando a entender que ainda tinha expectativas de reanimar todos os sentimentos que tinha a respeito. Mas diante daquela cena, só conseguiu sentir raiva de si mesma, por ainda cogitar a ideia de ter alguma coisa com ele, mesmo ele nunca tendo deixado claro nada do tipo.
Estava claro que Matteo não a respeitava, muito menos a filha que estava em baixo daquele teto.
Beatrice gira os calcanhares, saindo pela porta entre aberta, acabando por se sentar do lado de fora, não conseguindo pensar a respeito do que acabara de ver inicialmente.
Depois de tudo, ainda tinha que lidar com isto, pensa.
Minutos mais tarde, decide voltar para o interior da casa, dessa vez encontrando a sala de estar arrumada e sem nenhum sinal de Matteo ou Anna.
Quando está indo em direção do seu quarto, acaba por esbarrar em Matteo que saia do quarto.
- Beatrice, eu... perdi completamente...
Ela o ignora, continuando a andar.
- Qual é o seu problema? – Ele pergunta, segurando seu braço.
- Sério, Matteo? Meu problema? – Sua voz soa alta – O motivo de não ter ido me buscar, era que estava transando com a babá da nossa filha! – Ela puxa com força seu braço, andando com passos firmes até seu quarto, onde vai até o closet, enchendo as malas com as roupas que haviam ali.
- O que está fazendo? – Matteo pergunta num tom baixo, na soleira.
- Vamos embora.
- Eu e você não temos nada. Não precisa ser tão drástica.
- É por isto que estou indo embora – Ela o encara – Minha casa não é aqui. Não tem como minha filha crescer num ambiente assim.
- Você não vai levar minha filha – diz entre dentes – Não pode simplesmente arrancá-la de mim, como fez com o Romeu! – Altera a voz.
- Não fala no nome dele... - Ela continua pegando as roupas de qualquer jeito - Não quero passar nem mais um minuto perto de você! - Vocifera irritada.
Terminando de arrumar suas coisas, Beatrice ajeita Atena no bebê conforto, para só então chamar um táxi, saindo do quarto equilibrando a bebê em uma mão e duas malas na outra mão.
Matteo caminha de um lado para o outro na sala de estar, enquanto ela termina de arrumar suas coisas no carro.
- Srta. D’Ângelo – diz Anna, quando está saindo com a última mala - O que...? – Beatrice olha para Matteo e novamente para Anna, para depois sair da casa.
Acabara por dar o endereço de Celly para o motorista, esquecendo-se completamente que a senhora ainda deveria estar no interior com os familiares.
Concluiu isto quando o carro parou em frente da casa. Por sorte, lembrou-se da chave dentro do vaso de planta e conseguiu entrar na casa empoeirada.
Atena resmunga no bebê conforto, lhe apressando em arrumar um canto para descansarem.
O quarto de hóspedes estava do mesmo jeito que deixará. Após abrir a janela, até sentiu que o ambiente ficará mais arejado.
Por sorte, Atena voltará a dormir, lhe permitindo tomar um banho e procurar algo para comer na velha dispensa da casa.
Parada na cozinha, lembrou das memórias boas e ruins que aquela casa trazia e em como se sentia segura ali.
Voltando para o quarto, aninhou-se em baixo da coberta e sentiu suas pálpebras pesarem, indicando que o sono se aproximava.
Não demorou muito para ser acordada bruscamente por um choro estridente familiar.
Soltando o ar dos pulmões e sonolenta, Beatrice se senta, olhando para Atena que mexia-se inquieta ao seu lado, cedendo em seguida a filha que a cada segundo tornava o rosto cada vez mais avermelhado.