Na manhã seguinte, sentia-se como um zumbi.
Não havia dormido direito, já que ficava pensando e repensando se estava tomando a decisão certa.
Felizmente com o nascer do sol, concluiu que não estava em posição de desistir. Não havia desistido antes, quando a situação era pior, então por quê desistir agora?
Foi com este pensamento que arrumou-se para o trabalho e enfrentou o começou de outro dia.
Havia muito o que se fazer na empresa nos dias que se seguiram.
Projetos inacabados, reuniões pendentes e acima de tudo, projetos importantes.
Batida nas porta tiram sua concentração, a fazendo suspirar.
- Entre.
A porta se abre e a secretária de Lewis adentra no recinto.
- Desculpe interromper, senhorita. Mas Sr. Lewis pediu que respondesse às ligações.
Beatrice assenti, só então notando as chamadas de vídeo perdidas e as ligações em seu celular.
Retornando a chamada de vídeo, tenta se concentrar novamente no projeto em sua frente.
- Espero não estar atrapalhando minha engenheira predileta – diz Lewis com uma sobrancelha erguida.
- Se for para saber se estamos bem. Estamos.
- Isto seria o que perguntaria depois. Mas antes preciso comunicá-la que preciso de você, para fechar negócio em Palermo.
Franzindo o cenho, ela ergue a cabeça, olhando-o.
- O que tem em Palermo?
- Um projeto grande. Talvez o maior e mais importante que já tenha feito até agora.
- Lewis, já estou cheia de projetos. Não tem como...
- Sei que irá conseguir. Você é Beatrice D’Ângelo. A ascensão da engenharia civil.
- É assim que me chamam durante os jantares chiques?
Ele se inclina para frente, sorrindo com os olhos.
- É assim que eu te chamo – Havia esquecido de como era bom ter a atenção de Lewis, principalmente da sensação boa que aquela atenção trazia para sua autoestima. Ela desvia o olhar para o projeto a frente – Vou mandar tudo que precisa saber por e-mail.
- Está bem.
Após encerrar a ligação com Lewis, liga para Fred, ouvindo o telefone chamar até ser atendido.
- Casa do Sr. Montana – diz Fred sério.
- Fred, é Beatrice. Como está Atena?
- Olá, Srta. D’Ângelo. A menina Atena está um pouco inquieta essa manhã.
- Deve algum desconforto na roupa ou...ou....cólica - Deduz o óbvio, sem tirar os olhos do papel.
- Srta. Anna já verificou tudo isto. Talvez ela só esteja sentindo sua falta.
Já fazia algum tempo que não tinha muito contato com Atena. Na maioria das vezes, quase sempre, quando saía para trabalhar, ela estava dormindo e quando voltava, também estava dormindo.
Tinha medo de acordá-la ao chegar e não consegui-la fazer voltar a dormir e acabar ambas tendo uma péssima noite de sono.
Mais uma vez, o peso da culpa consegue sufocá-la, a fazendo se achar uma péssima mãe.
Perto da hora do almoço, mais uma vez sua concentração é interrompida por batidas na porta.
- Entra – diz massageando ás têmporas, sentindo uma leve dor de cabeça e uma dor incomoda nos ombros.
- Então é aqui que a Srta. Beatrice D’Ângelo trabalha – diz Eleonora, quando a porta se abre.
- Eleonora! – Ela se levanta rapidamente, abraçando-a.
Não tinha dúvidas que o tempo estava sendo generoso com a mulher. Não havia mudado muito coisa e as poucas mudanças que tinha, havia a deixando mais bonita.
- Já faz algum tempo, não é? – diz sorrindo para Beatrice, para em seguida olhá-la com atenção – A maternidade lhe fez bem.
- Gostaria que fosse verdade – diz Beatrice, conduzindo-a até uma cadeira, voltando a se sentar em sua cadeira que, apesar de confortável, seu corpo já começara a reclamar de permanecer tanto tempo sentada.
- A maternidade é um furacão de sentimentos e ao mesmo tempo a calmaria da ressecada do mar – suspira endireitando o óculos com armação branca no nariz – É tipo uma montanha russa e acho que já percebeu isto.
Beatrice assenti devagar, se dando conta de que tudo que ela dissera, era a mais pura verdade.
A maternidade sem dúvida não era algo fácil. A responsabilidade, as críticas nada construtivas e a sociedade, conseguiam enlouquecer qualquer mãe.
- É tipo isso – diz sem emoção na voz pensativa.
- Como está Atena? Matteo não é muito específico, nem detalha muito - Eleonora inclina a cabeça para o lado, cruzando as pernas - Sei que estou devendo uma visita. Mas os trigêmeos tomam todo meu tempo, mesmo quando não estou em casa.
- Muito bem. Crescendo a cada dia que passa.
Eleonora sorri levemente.
- Só espero que ela não puxe o gênio do pai. Não seria muito bom ter uma mini Matteo por aí – Ambas sorriem.
- Gostaria de garantir que não. Mas Atena já mostra que é parecia com o pai - Beatrice soube disse na primeira crise de choro da filha, nada acalmava a menina.
- Talvez Romeu fosse diferente.
Romeu, o nome ecoa em sua mente, trazendo a lembrança do pequeno corpo esguio em seu peito e em como ele parecia frágil ao segurá-lo.
Mas além de tudo, como foi difícil deixá-lo ir. E como estava sendo difícil ter que lidar com a morte dele.
Evitava falar no nome dele e principalmente pensar.
Sua partida havia sido difícil e deixará feridas que dificilmente fechariam.
- Beatrice – Eleonora chama, atraindo seu olhar – Desculpa. Eu não tinha intenção.
Ela força um sorriso, respirando fundo, não deixando a máscara cair. Precisava mostrar que estava bem, acima de tudo.
Não queria críticas ou algo do tipo.
- Está tudo bem.
Eleonora se mexe inquieta na cadeira de couro, descruzando uma perna, para cruzar a outra.
- Matteo havia “sugerido” que almoçássemos juntas. Ele acha que precisava conversar com alguém e que eu era a pessoa certa para isto. Mas ao ver você, tenho certeza de que não sou.
- Não precisava vir aqui por causa disso, Eleonora.
Beatrice dá de ombros, mascarando tudo o que sentia.
- Mas já que estou aqui. Vamos almoçar - Finaliza.