Capítulo 11

934 Palavras
Na hora do almoço preferiu pedir algo para comer ali mesmo. Não se sentia bem no meio das outras pessoas, acreditava que por estar ainda acima do peso, teria que lidar com certos olhares. Apesar de saber que Atena estava bem, ainda não conseguia se concentrar e acabou se questionando se não teria sido melhor continuar trabalhando em casa, porém com Anna. Sentindo um misto de frustração e irritação, arruma sua mesa, deixando o rolo de papel de lado. Suspirando, sai da sala em busca de uma máquina de café. Pouco mais de um minuto andando, não encontrou nenhuma máquina de café. Até que é surpreendida por uma mulher de cabelos cacheados, com curvas exuberantes. - A máquina de café não está funcionando - diz apontando na direção onde devia ser a copa – Teria como dar uma olhada? - Ela passa a língua por cima dos dentes brancos alinhados, evidenciando ainda mais o batom rosa em seus lábios bem desenhados. Beatrice inclina a cabeça para o lado sem entender, estreitando os olhos. - Não entendi. - Você não é a copeira?- pergunta deixando os lábios entre abertos, após a pergunta. Erguendo as sobrancelhas, a encara, colocando um sorriso lentamente no rosto. Para piorar o dia, era só o quê faltava, pensa, engolindo em seco. O quê a fazia pensar que era a copeira? E mesmo que fosse, não podia sair julgando as pessoas apenas por suas vestimentas ou por estarem acima do peso. - Sou engenheira. A mulher a olha de cima a baixo com a dúvida estampada em seu rosto. - Engenheira – repete com desdém. - Exatamente – Beatrice dá meia volta, decidida em voltar a se trancar em sua sala. De volta em sua sala, caminha de um lado para o outro aborrecida. Sem parar de gritar em sua mente: qual o problema das mulheres!?. Pois ás piores críticas, vinha de mulheres. No término do expediente, deixa a empresa ainda de mau humor, ignorando tudo e todos a sua frente. Enquanto o elevador descia para o térreo, tentava falar com Lewis, em vão, já que o celular apenas chamava. Ao sair do prédio encontra Matteo do outro lado da rua dentro do carro. - Está tudo bem? – Ele pergunta, quando entra no veículo, batendo a porta com força. Antes que respondesse, o celular toca. Era Lewis. - Só vi agora suas ligações. Aconteceu alguma coisa? – pergunta no viva-voz. - Aconteceu que não quero mais trabalhar na empresa. Prefiro trabalhar de longe - diz tentando manter a voz firme, falhando. - Por quê isto agora? - Ele questiona pego de surpresa. Matteo a olha sem entender. - Eu só não quero. - Não, Bea, tem algo errado. Estava feliz pela manhã e agora vem me dizer que quer trabalhar em casa? Os olhos dela mareja, fazendo-a se sentir pior. Sabia que soaria ridículo dizer que suas inseguranças com seu corpo estava falando mais alto que, não estava sabendo lidar com os olhares tortos e os comentários maldosos quando estava por perto das outras pessoas. Matteo tira o celular da mão dela, desligando no mesmo instante. Tendo como resposta, os olhos estreitos dela fixos em seu rosto. - O que aconteceu? - pergunta sério. Uma lágrima escapa, a fazendo limpar de imediato. - Talvez tenha sido uma péssima ideia voltar a trabalhar agora. - Você me fez acreditar que não era – murmura – Foi bastante persuasiva – Ele limpa a outra lágrima que desce pelo rosto dela – Por quê voltar atrás agora? – Ela respira pela boca, controlando a respiração – Você é uma ótima profissional e tenho certeza que logo vai colocar Roma novamente em suas mãos – Matteo gira o tronco em direção do volante, dando partida em poucos segundos. Beatrice não diz nada. Sentia que não tinha como falar de suas inseguranças com Matteo. O que possivelmente ele falaria? Estava na dúvida se seria algo compreensivo ou agressivo. Anna colocava alguns brinquedos numa cesta, quando ambos adentram na casa, sorrindo imediatamente ao vê-los. - Acabei de colocar Atena na cama – anuncia. - Como ela passou o dia? - Beatrice pergunta, deixando a bolsa de lado. - Muito bem, aliás. Tivemos um contra tempo com as cólicas mas, nada que não pudéssemos resolver. Beatrice assenti, caminhando em direção da escada. - O jantar será servido em instantes – diz Fred, vindo da cozinha. Atena dormia em sono profundo ao entrar no quarto, as bochechas vermelhas denunciavam que apesar do macacão de verão, ainda sentia calor. Acabou se questionando se ela sentirá sua falta em alguma parte do dia e acabou concluindo que talvez não, já que tinha aparentemente uma babá maravilhosa cuidando dela. Ficará no banho mais tempo do que necessário, esperando seus músculos relaxarem por causa da água quente. Ainda não sabia se conseguiria trabalhar no dia seguinte. Durante o jantar só se ouviu os talheres. Matteo estava mais do que concentrado em seu prato, ignorando tudo ao seu redor. Anna sorria de vez em quando com o canto da boca, toda vez que seu olhar se cruzasse com o de Beatrice, demonstrando que estava satisfeita. Beatrice por outro lado, apesar da comida com aspecto e cheiro convidativo, não estava com fome. O pouco que conseguiu por na boca, já tinha praticamente enchido seu estômago. - Sra. D’Ângelo – Anna chama, após o jantar, ao deixarem o cômodo – Está tudo bem? Fiz algo que não gostou? - Está. Eu só... – balbucia – não tive um dia muito bom. - Espero que amanhã seja melhor. Ela sorri em resposta, voltando a andar.
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