Na maioria das vezes, Beatrice duvidava do que poderia fazer com um lápis e duvidava se era ela mesma a responsável pelos projetos.
A sede de Roma conseguirá ser duas vezes maior do que a empresa de Matteo.
A impressão que tinha era que Lewis escolherá a dedo um decorador, pois a decoração era a mais moderna possível. E acima de tudo, abstrata.
Ao se aproximar do balcão cinza, sorri para a mulher atrás dele.
- Beatrice D’Ângelo – A mulher digita rapidamente, sorrindo em resposta.
- Seja bem vinda, Srta. Ângelo – diz entregando um crachá – Último andar.
Um homem gentilmente segura o elevador para ela, o que a faz ruborizar um pouco, mantendo-se em um dos cantos.
Vinte andares depois, o elevador apita e ambas portas abrem.
Beatrice se depara com funcionários transitando por toda parte, alguns ainda a olha, enquanto caminham.
Soltando o dos pulmões, sai do elevador, com uma mulher mediana surgindo em sua frente.
- É um prazer tê-la conosco, Srta. D’Ângelo – diz sem diminuir o sorriso em seu rosto – Sr. Lewis me avisou de sua vinda. Sou Amélia.
- Prazer em conhecê -la, Amélia.
- Vou levá-la até sua sala.
Entrando num corredor á frente, viram a esquerda e depois a direita. Amélia abre a segunda porta em frente, dando um passo ao lado.
O lugar era a cópia do escritório de Atenas, parecia que Lewis trouxera todos os objetos e colocará ali. Deixando-a contente em ver os objetos em tons de amarelo e os vasos de plantas.
A vista que tinha era do Coliseu e isso de alguma forma fez seus olhos marejarem. Não achava que merecia tanto depois de tudo.
- Se precisar de alguma coisa. É só chamar – diz Amélia, fechando a porta atrás de si.
Deixando suas coisas sobre a mesa de madeira escura, senta na cadeira giratória, olhando com mais atenção o ambiente.
Lewis pensará em cada detalhe, principalmente em seu bem estar.
O computador a frente ascende de repente, notificando que estava recebendo uma chamada de vídeo via Skype.
Com um click aceita a chamada, sorrindo lentamente para o grego do outro lado da tela.
- Você está linda! – diz Lewis sorrindo – Quase não a reconheci. Como você está? O que achou da sua sala?
Beatrice pressiona os lábios sorrindo antes de falar.
- Primeiramente, obrigada. Estou bem e não tinha como odiar minha sala. É idêntica a sala de Atenas!
Lewis continua a sorrir, inclinando a cabeça para olhá-la melhor. Como sempre fazia quando estava admirado com alguma coisa.
- Não sabe como fico feliz em ouvir isto de você e principalmente em tê-la novamente ao meu lado. Você é minha bússola e sem você, fico completamente perdido.
Ela sabia que se ele quisesse contratar os melhor engenheiros que estivesse ao seu alcance, ele faria. Entretanto, a amizade e o companheirismo que ambos tinham, impedia tal coisa e não sabia o quê iria fazer de sua vida se não existe Lewis do seu lado.
- Estou pronta para o trabalho - diz inspirando profundamente, mantendo a postura reta.
Ele baixa a cabeça, sorrindo. Erguendo uma sobrancelha ao olhá-la novamente.
- Então vamos lá.
Nas primeiras horas Beatrice ainda se achou fora de forma. Não conseguia se concentrar por completo, já que em seus pensamentos só vinha Atena.
Precisou conter a vontade de ligar e saber até por Fred se estava tudo bem.
Mas também se não estivesse, Fred entraria em contato. Ou não. Talvez ligasse para Matteo, pensa inquieta.
E finalmente quando chegasse em casa, Matteo teria um argumento mais do que forte para usar contra ela e fazê-la ficar em casa.
- Droga – murmura, procurando seu celular na bolsa.
Quando o pega, o mesmo toca e o nome de Matteo aparece.
Por uma fração de segundo encara a tela do celular, antes de tomar coragem e atender a ligação.
- Matteo – diz quase num sussurro, esperando pelo pior.
- Atrapalho? – Sua voz exalava tranquilidade. O que a faz franzir o cenho.
Se odiava as vezes, por não conhecer Matteo tão bem, a ponto de saber se ele estava perto de dar o bote ou não.
- Tinha acabado de fazer uma pausa – diz olhando para o papel em branco, onde deveria estar alguns rabiscos – Aconteceu alguma coisa?
- Não – Ele suspira – Acabei de ligar para Fred. Ele me garantiu de que está tudo bem. Só achei que deveria estar sem tempo e saber de alguma notícia de nossa filha.
Respirando fundo, ela solta o ar dos pulmões bruscamente. Sentindo um peso sair de suas costas.
- Estava prestes a fazer isto, Matteo. Mas já que você já fez isto, ótimo. Obrigada.
Uma breve pausa se instala. Beatrice ouve com atenção a respiração de Matteo do outro lado.
- Vai querer uma carona de volta para casa? – Ele quebra o silêncio de repente, chegando a assustá-la com a pergunta.
Ela massageia o lado da cabeça, apoiando a cabeça na mão por fim.
- Infelizmente.
Em seguida, Matteo desliga. Beatrice olha para a tela do celular apagada, sem entender o quê havia acabado de acontecer ali.
Ainda não se sentia completamente curada de Matteo Montana, seu coração acelerava quando ele aparecia de repente ou quando lhe dirigia a palavra. Mas se forçava a entender, que o tipo de relação que tinham, era por causa de Atena, só por ela. Não tinha espaço e não haveria para sentimentos.
Sofrer não estava em sua lista, principalmente se fosse por Matteo. Ele já havia conseguido atingir a cota dele.