Beatrice passará metade da noite em claro, ansiosa para o dia seguinte e também esperando que Atena desse seu show noturno como todas as noites.
Entretanto, naquela noite, Atena não chorou.
Dormiu tranquilamente, como se não dormisse há bastante tempo.
Na manhã seguinte, antes do despertador tocar, Beatrice saltou da cama, adentrando rapidamente no banheiro.
Em frente do espelho, começa a escovar os dentes, enquanto encarava a própria imagem.
Em seguida tira o pijama com facilidade, jogando-o sobre o cesto de roupas, não hesitando em entrar em baixo do chuveiro.
A água quente lhe ajudou a amenizar os pensamentos e relaxar os músculos quentes, lhe causando uma boa sensação por todo corpo.
Apesar de querer encher a banheira ao lado com água quente e sais de banho e continuar relaxando, precisava encarar aquela nova etapa que estava se iniciando.
O vestido vinho parecia ameaçador em suas mãos, estreito demais, um pouco até...curto. Fazendo-se se perguntar em qual ocasião que o teria usado.
O suor começou a se acumular em sua testa ao tentar fazê-lo passar das coxas. Sabia que tinha engordado, só não imaginava o quanto.
Com um pouco mais de força, o tecido subiu e precisou limitar a respiração, para tentar puxar o bendito zíper lateral.
E após alguns segundos, que pareciam minutos intermináveis, conseguiu fechar o zíper e se olhar no espelho.
Não havia muitas curvas diante de seus olhos, apenas um corpo modificado pela gravidez.
Se sentiu horrível ao soltar o ar dos pulmões e notar o quanto ficava ridícula naquele vestido.
Mesmo querendo arrancá-lo de seu corpo, não havia outra opção melhor.
Então, respirou fundo, ajeitou a postura e encolheu o abdômen, de forma que desse para disfarçar algumas gorduras localizadas no abdômen.
Concluindo essa parte, pegou a escova ao lado e começou a desembaraçar o cabelo que, por sinal estava quebradiço e sem vida, além da queda excessiva que deixará de lado por se dedicar totalmente á Atena e tentar equilibrar sua vida profissional.
A maquiagem disfarçou meramente as olheiras em baixo dos olhos e os lábios secos, permitindo destacar a cor dos olhos.
Encarando-se no espelho concluiu que não era Beatrice D’Ângelo que via e sim uma pessoa completamente diferente.
Voltando para o closet, encarou um par de saltos altos, descartando-os sem ao menos tentar, preferindo um par de saltos baixos.
Atena ainda dormia e para não “atrapalhar” o sono da filha, deixou o quarto apreensiva.
Ao sair do quarto, por infelicidade de sua parte, acaba encontrando Matteo que, a olha atentamente, antes de olhá-la nos olhos.
- Parece que está pronta para seu primeiro dia.
Ela afaga o cabelo.
- Só preciso passar no escritório.
- A babá já chegou? – pergunta caminhando pelo corredor. Beatrice o acompanha.
A campainha soa de repente.
- Deve ser ela.
- Quer uma carona? – Ele a olha novamente.
Beatrice abre e fecha a boca, assentindo por fim.
- Srta. D’Ângelo – diz Fred logo a frente – Srta. Anna já chegou.
Em pé em meio á sala de estar, estava Ana com apenas uma mala.
- Espero não ter demorado – diz com um leve sorriso.
- Atena ainda dorme – diz Beatrice, mexendo as mãos em frente ao corpo – Acredito que já saiba o que fazer.
Anna assenti automaticamente.
Matteo sustenta o olhar de Anna por alguns segundos, antes de simplesmente caminhar em direção á sala de jantar.
- Fred, pode mostrar para Anna o quarto de hóspedes?
Fred apenas assenti, indicando com uma das mãos o caminho da escada.
No escritório, Beatrice respira fundo algumas vezes, tentando diminuir o nervosismo que havia se instalado em seu corpo.
Mentalmente pedia que seu primeiro dia fosse ótimo e que conseguisse realizar todas as suas metas mentais que havia criado.
Estava voltando a trabalhar não apenas por ela, mas pela filha também. Queria poder oferecer o mesmo conforto que Matteo dizia ter naquela casa, só daquela forma, conseguiriam seguir suas vidas.
Após pegar suas coisas, inclusive sua bolsa, Beatrice se encontra com Matteo na sala de jantar. Sem apetite, come um pouco do que é oferecido sobre a mesa.
O silêncio era persistente, mas nada anormal. Comiam daquela forma, pelo menos era daquela forma quando Atena não estava por perto.
Assim que Matteo levanta, vestindo o paletó nas costas da cadeira, o segue para fora da casa, onde seu carro o aguardava.
Neste momento, sentiu falta de seu carro em Atenas, mesmo se sentindo enferrujada em relação em dirigir por avenidas tão movimentadas e cheias de imprudência.
Por um momento não soube como faria tal coisa com um bebê no banco traseiro. O risco de acidentes era alto e não queria por Atena de modo algum em perigo.
Matteo não diz nada enquanto dirige pelas ruas de Roma. Sua feição era séria e de vez em quando apertava o volante como se estivesse se alguma forma se controlando.
Olhando para ele disfarçadamente, naquele momento começou a entender pela primeira vez, as coisas na percepção dele; Entendia o lado dele como pai mas, precisava que ele a entendesse também. Mas sendo Matteo Montana e o conhecendo parcialmente, era algo que não poderia acontecer.
Se tudo não fosse como ele queria, acabaria que a situação complicaria.
Estacionando em frente a empresa de Lewis, onde algum tempo atrás era o casino de seu pai, ele respira fundo, olhando para ela.
- Tenha um bom dia – diz sem emoção na voz.
- Obrigada – murmura, antes de sair do veículo esportivo.