A Sra. Carlota Fontana, era uma mulher meramente robusta que, mantinha as roupas e o cabelo loiro escuro completamente alinhados.
A impressão que Beatrice teve ao vê-la passar pela porta, era que Carlota era do tipo de babá que gostava de manter as crianças sob controle.
Fred se aproxima, após pendurar o casaco de Carlota.
- Srta. Beatrice, Sra. Fontana – diz cordial.
- Obrigada, Fred – Beatrice olha para Carlota com um meio sorriso nos lábios – É um prazer conhecê-la, Sra. Fontana. Por aqui, por favor - diz indicando o sofá ao lado – Quer fazer alguma pergunta?
Carlota inspira profundamente.
- Quantos anos tem sua filha? – diz séria.
- Biologicamente Atena teria que ter menos de um mês. Mas como nasceu antes do tempo, faz dois meses que nasceu.
- Bebê prematura – conclui.
- Exato.
- Isso requer mais cuidados.
Beatrice força um breve sorriso.
- Ela é um bebê normal, a única diferença é que ela nasceu antes do previsto.
- Por qual razão?
Franzindo o cenho, se mexe desconfortável no sofá.
- Achei que poderia conciliar longas horas de trabalho com uma gravidez de gêmeos, sem o auxílio médico necessário.
Carlota semicerrar os olhos.
- E apesar de tudo ainda quer voltar a trabalhar ?
- Sim. Não vejo motivo para não voltar.
- Não acho que seu marido apoiaria essa ideia.
- Não sou casada – diz ríspida.
- Não?
- Não. Sou mãe solteira.
Carlota aperta a alça da bolsa sobre o colo, balançando levemente a cabeça.
- Isto está fora dos meus princípios.
- Como assim?
- Me desculpe, Srta. Beatrice – diz levantando.
Beatrice a observa sair, sem entender o que acabara de acontecer ali, concluindo apenas minutos depois que, Carlota havia recusado a vaga por ela ser mãe solteira.
Demorando para acreditar que realmente ela não queria o emprego por causa deste detalhe.
Cerca de duas horas depois, a campainha toca novamente Fred passa por Beatrice lhe olhando, talvez sem entender o motivo de estar com a expressão irritada enquanto alimentava Atena.
- Oi! – diz uma mulher bronzeada de longos cabelos mel – Sou Anna Bernardi, estou aqui por causa da vaga de babá.
- Por aqui – diz Fred, guiando-a até a sala de estar.
Anna abre um largo sorriso ao vê-las, se aproximando em passos largos com seu corpo esguio.
- Como ela é linda! – diz com os olhos brilhantes – Como ela se chama?
- Atena.
- Um nome perfeito para uma bebê perfeita. Posso segurar?
- Hã. Claro – Anna a pega dos braços de Beatrice, a colocando imediatamente encostada em seu peito, para arrotar.
- Já faz algum tempo que você trabalha como babá?
Anna sorri.
- Desde meus quinze. Acho que não nasci para fazer outra coisa. Gosto de crianças.
As referências de Anna comprovaram isto. Basicamente as crianças éram loucas por ela.
- Ela requer algum cuidado, além do normal? – Beatrice pisca saindo de seus pensamentos.
- ...Não.
- Eu fazendo perguntas e nem sei se já não ocuparam a vaga.
- Hã. Não! Ainda não – diz rapidamente levantando.
- Que bom! Quer dizer, se não se importar, posso passar o dia aqui. Claro, se não tiver nenhum problema.
Beatrice ergue às sobrancelhas, assentindo por fim.
Precisava de alguma forma saber se estava escolhendo a melhor pessoa, era algo que pretendia fazer antes da admissão.
- Não tem problema nenhum.
Anna sorri, olhando para Atena em seus braços.
- O que achou dela até agora? – Lewis pergunta do outro lado da linha.
Beatrice encara os rolos de papéis em cima da mesa de mogno, contente por ter conseguido terminar alguns projetos inacabados, apesar de ainda ter escutado o choro de Atena uma vez ou outra.
- Eficaz – murmura – Até agora não veio me chamar para ajudá-la.
- Isto é uma notícia boa.
- É. Acho que sim – diz pensativa.
- E quando acha que vai poder voltar a trabalhar?
- Se tudo correr bem hoje, amanhã – Beatrice desejava voltar a trabalhar o mais rápido possível. Claro, quando tivesse certeza que Atena ficaria bem.
- Sua sala estará lhe esperando.
Ela sorri para si mesma otimista.
Minutos mais tarde, após o anúncio do almoço, estranha quando encontra o silêncio ao sair do escritório.
Com o cenho franzido, procura por Anna, até encontrá -la no jardim com Atena dormindo no carrinho.
- Ela estava com sono – Anna comenta – Fiz m*l em colocá-la pra dormir?
- Não. Eu só... – diz sem acreditar – É difícil fazer Atena dormir ultimamente.
Anna sorri.
- Então é um ponto ao meu favor?
- Parece que sim – Beatrice sorri de volta.