– É, Matteo. Eu estou – diz sem rodeios.
– Você só pode estar de brincadeira! – vocifera alterando a voz.
Beatrice franze o cenho levantando.
– Não vai fazer isto – Ele continua.
– Você não pode tomar essa decisão por mim! Me impedir de voltar a trabalhar!
– Muitas mães abandonam os empregos para cuidar exclusivamente dos filhos.
– Este não é meu caso. Precisamos de um emprego. De uma casa e de estabilidade.
– Minha filha já tem uma casa, bem aqui. E não precisa pensar em estabilidade financeira herdeira de uma empresa.
Ela bufa.
– Eu não vou mudar de ideia. Além do mais, já me decidi. Irei voltar a trabalhar.
Matteo passa ambas as mãos no rosto irritado, sua irritação sendo interrompida pelo choro agudo de Atena.
– Ah, querida – diz se aproximando – Acordei você.
Atena resmunga.
– Vou recompensa-la com uma mamadeira.
– Vou fazer – diz Beatrice, se dirigindo para a porta.
– Não precisa. Eu mesmo faço – diz interrompendo-a, deixando o quarto com a filha nos braços.
Claro que ele não iria fazer, Beatrice pensa, encarando a porta aberta. Pediria para Fred ou um dos ajudantes fazer.
Beatrice os segue até a cozinha, onde sem pedir ajuda para os funcionários ali presente, Matteo prepara a mamadeira de Atena, lhe oferecendo logo em seguida.
Com o cenho franzido, ela o observa sem acreditar no que seus olhos estavam vendo.
Como assim, Matteo sabia fazer mamadeira!?, diz mentalmente ainda desacreditada.
– Quando aprendeu a preparar mamadeiras? – pergunta quando deixam a cozinha.
– O livro que estou lendo, tem me ajudado muito.
Ele balança Atena que ainda mamava.
– Não faça isso, fará ela colocar tudo para fora – adverte.
Matteo a olha por uma fração de segundo, antes de voltar sua atenção para a filha.
– Sei o que estou fazendo.
Inspirando profundamente, Beatrice assenti, ainda mais convicta que precisava deixar a casa de Matteo.
Sendo assim, vai para o escritório. Lá manda um e-mail para as duas candidatas e marca para que ambas comparecem no dia seguinte, em determinados horários.
Não tinha dúvidas que estava tomando a decisão certa.
Foi difícil escolher o que vestir na manhã seguinte, já que fazia algum tempo que o pijama era a peça essencial do seu guarda-roupa.
Seu cabelo praticamente gritava, enquanto tentava “arrumá-lo", que o lavasse. Mentalmente prometeu que faria isto, assim que escolhesse a babá.
Por fim, achou-se apresentável diante do espelho com Atena em seus braços, limpa e perfumada e, com seu melhor macacão.
Matteo a encara com atenção ao entrar na sala de jantar, surpreso por vê-la em um vestido florido e não de pijama.
- Vai sair? – pergunta voltando a comer.
- Vou receber as duas candidatas a vaga de babá.
Ele ergue novamente o olhar, sem demonstrar qualquer emoção.
- Pensei que iríamos conversar sobre isto.
- Já conversamos. Ontem.
Ele força um sorriso.
- Não pode simplesmente escolher qualquer pessoa para cuidar da minha filha.
- Não vou. São todas profissionais. Lewis garantiu isto.
- Lewis – Repete quase em um rosnado – Devia ter imaginado, que ele estaria por trás desta sua ideia mirabolante.
- Não tem nada de mirabolante em querer voltar a trabalhar, Matteo! – Beatrice altera a voz, pressionando os lábios.
Ambos sustentam os olhares, antes de Matteo baixar novamente o olhar para o prato em sua frente e terminar seu café da manhã, levantando em seguida.
- Só não tente contratar uma psicopata ou uma ex-presidiaria – diz parando ao seu lado, apenas para beijar a cabeça da filha, antes de sair do cômodo.