Capítulo 9

857 Palavras
Beto Acabamos de chegar na casa do técnico, claro que o Roberto deu uma carona e também sabia o endereço. Pois ele tinha buscado o técnico daqui para levá-lo para o campo do dia que nos reuniu. Bato na porta e quem apareceu para abrir era a Júlia. — O que está fazendo aqui? — Pergunto, espantado por ela estar na casa do técnico. — O senhor Dantas achou melhor eu morar aqui, enquanto estou grávida. Depois o que aconteceu com a minha mãe… — Ela baixa a cabeça. E vem na minha mente o que aconteceu, o Lucas tinha me contado sobre a tragédia da sua mãe. Ela foi guerreira contra aquele desgraçado! Ainda bem que está morto! — Sim, entendo. E o senhor Dantas está? Queria falar com ele. — Ela volta a olhar para mim, sacudindo a cabeça em sinal que sim. Disse que acabou de sair do banho, se ofereceu para ir chamar. Mas disse que posso esperar aqui na sala mesmo. Dar passagem para eu e Roberto entrar. Quando entro não deixo de notar a barriga, da última vez que vi estava pequena, mas agora dá pra ver. — Está com quantos meses? ― Perguntei, sentando no sofá junto com o Roberto. Ela caminha até onde estávamos e olha para a barriga, dá um sorriso. ― Da última vez que nos vimos, estava com três meses, agora estou quatro meses, mas indo para cinco. ― Ela disse sentando-se na poltrona. Alisando a barriga. ― Cadê o pai? ― Questionou o Roberto olhando para os outros cômodos da casa. Eu e a Júlia nos olhamos. Ficamos em silêncio por um tempo. Depois olhei para ele e disse. ―Ele não está. Ele está jogando na Espanha. Lembra o que o senhor Dantas comentou que o filho dele assinou um contrato? ― Balança a cabeça que sim, me fitando. ― Então, por isso que ele não está aqui. ― Olha para a Júlia, tenta dizer algo mas faço um gesto para ficar calado. Acho o Roberto um cara maneiro, porém, não posso ele falar alguma coisa que poderia deixar a Jú mais triste. Dava para ver como ela sente a falta do meu amigo. Logo ouço passos vindo na nossa direção. Me viro e vejo o senhor Dantas, que se espanta quando me vê. ― Beto? Roberto? O que vocês estão fazendo aqui? ― É que precisava falar com o senhor. ― Digo, puxando para o canto, me distanciando do sofá. ― Não podia esperar para amanhã no treino? ― Indaga. ― Não, não dá… é que tenho um encontro, quer dizer, um jantar com uma ruiva… Tem como me dar um adiantamento do meu salário? ― Me olha por tempo, quando digo que é a ruiva que falamos mais cedo, cai a ficha do que estava falando. ― Que bom Beto. Mas você disse que não tinha o telefone dela? ― Pergunta, levantando a sobrancelha. ― Depois eu explico isso, mas o senhor pode me dar um adiantamento, não quero que ela pense que não posso pagar um jantar né? ― Digo com as mãos entrelaçadas na sua frente. Olha para o lado e vê a Júlia conversando com o Roberto. Logo, ele volta olha para mim. Pede para eu esperar um pouco, que vai no escritório. Balancei a cabeça concordando. Ele saiu e fiquei aguardando, não demorou ele veio com um contra cheque e me entregou. Quando eu olhei levei um baita susto. — Acho que o senhor errou aqui? O senhor colocou um zero a mais. — Devolvo o contra cheque para ele. — Não. Não errei. Esse é o seu salário. — Ele disse sorrindo. Dou várias piscadas, não acreditando. O senhor toca no meu ombro. — Vá lá se divertir. Não precisa vim no treino amanhã, sei que depois desse jantar não vai mesmo para esse treino. — Demos uma gargalhada. Agradeci, dei um abraço nele, que retribuiu dando dois tapas nas minhas costas. Depois chamei o Roberto para irmos. Antes, me despedir da Júlia. Em seguida sairmos. Estávamos na porta e o senhor Dantas me chamou. — Beto? Beto? — Sim, senhor Dantas. — Disse, me virando para olhar pra ele. Caminha na minha direção. — Esqueci de entregar isso. — Ele mostra um jogo de chaves. O olho confuso. — Você vai para um jantar e esquecendo de levar o carro? — Peraí… Eu conheço esse chaveiro… Não pode ser? — Exclamo. Levando as mãos na cabeça. — Sim. É a chave do Audi do Lucas. Vai lá e leva sua ruiva para o jantar. — Me entrega o chaveiro. Fecho a mão com o chaveiro. Fico sem palavras. Olho para ele e sinto uma lágrima cair no meu rosto. Me jogo nos seus braços e abrir a boca para agradecer, mas não sai nada. — Não tem de que filho. — Sussurra no meu ouvido. Me afasto, enxurgo as lágrimas com as costas da mão. Sacudir a cabeça, concordando. Nunca pensei que ele poderia fazer isso por mim. Esse carinho todo. Sou muito grato por isso. Vou poder ter uma noite especial com a minha ruiva.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR