Beto
Duas semanas depois
Estou indo para o vestiário. Depois de aquecer o corpo correndo, hoje o treino foi de jogadas aéreas e pênaltis. Hoje não foi o meu dia. p**a merda! O técnico liberou o time do treino de hoje. Estou tomando banho e quando saio do banho, caminho até o meu armário com a toalha enrolada na cintura, escuto umas risadas quando passo. Viro-me e vejo o Luiz e Roberto fazendo a cena do tapa daquele dia da boate.
― Nossa que engraçado. Vocês têm mais o que fazer, não? ― Estou encostado no armário com os braços cruzados, encarando-os.
― Foi m*l, Beto… ― Roberto sem aproxima, desculpando-se.
― Tudo bem. ― Dou uma bufada de ar, em seguida toco no seu ombro.
― Me diz aí, está ardendo o rosto? Também depois do fora que aquela gata te deu? ― Luiz zomba. ― Achei que você ia conseguir levá-la para cama por ser mais velha, mas até nisso você é r**m! ― Ele se senta no banco que está aqui à nossa frente e amarra o cadarço do seu tênis. Aproximo-me e dou um belo tapa na sua cabeça.
― Seu i****a! Como pode falar assim, parece que comeu bosta ― repreendo-o. Ele olha para mim, com certeza não gostou da minha atitude, levanta-se do banco me dando um empurrão, acabo batendo minhas costas no armário pela força que ele impôs. Sinto o impacto, o fito fixamente, ele continua me encarando, no momento que ia avançar o Roberto me segura.
― Não faça isso, Beto ― ele me alerta, segurando o meu braço.
― Qual o seu problema, Luiz? ― indago.
— O problema é que você não serve para ser o capitão, hoje está perdido nos treinos e sem contar que não serve para ser líder — ele cospe as palavras, vindo em minha direção com os olhos fixos em mim.
— Só não estava bem hoje, acontece! — Solto-me e me afasto do Roberto que estava me segurando para não ir para cima do Luiz. Bem que ele está merecendo.
— Já que não mereço ser o capitão, na sua percepção, quem deveria ser o capitão? — pergunto, fitando-o com os braços cruzados.
— Ora, claro que eu, né? — ele diz como se fosse óbvio. Começo a gargalhar e ele olha para mim, sem entender. Volto a olhar para ele.
— Fala sério. Você é um baita perna de p*u, tanto que sua posição é na defesa que o técnico tirou você do ataque, é um merda. — Ele me dá um soco, pegando-me de surpresa, fazendo-me cair no chão. Ele iria continuar, mas dou um chute na canela que o faz se desequilibrar, aproveito esse momento, levanto-me e vou pra cima dele, dando vários socos. Só escuto alguém vindo em minha direção, mas Roberto impede, deixando-me continuar.
— QUE MERDA É ESSA AQUI? — Entra o senhor Dantas com o assistente. Paro de desferir os socos e me afasto, já o Luiz teve ajuda dos outros para levantar. Já de pé, olho para o técnico e depois olho para o Luiz que vira o rosto e cospe um pouco de sangue, depois ter batido tanto nesse i****a.
— Estava aqui de boa e veio o Beto do nada pra cima de mim — Luiz diz para o técnico apoiado por um dos jogadores. p**a merda! Esse desgraçado mente na maior cara dura! O Roberto que está do meu lado e dá um passo para frente.
— Isso não é verdade, senhor Dantas. Quem começou, foi ele. Questionando sua escolha por ter colocado o Beto como capitão. — O técnico dá um passo para frente e fita o Luiz.
— Isso é verdade? — pergunta. Ele começa a gaguejar, não consegue olhar para o técnico direito. Mas finalmente assume e diz que o senhor Dantas errou por ter me escolhido. Ele respira e depois solta o ar e olha mais uma vez, o senhor Dantas diz que ele não tem o direito de questionar nada. Ele é o técnico e sabe quem deve ser o capitão. O Luiz fica mudo depois dessa chamada, o técnico manda todos saírem, que quer falar comigo em particular. Logo os jogadores saem e o Roberto me olha, aceno para ele que pode ir que vou ficar bem, depois agradeço. Ele sai e o senhor Dantas se senta no banco e fez um gesto para me sentar ao seu lado. Vou até o banco e sento-me.
— Beto, o que está acontecendo? Está distante nos treinos, chegando atrasado, indo pra noitada… Agora, brigando com um jogador que faz parte do seu próprio time. Eu sei que não foi você que começou a briga, mas estou ficando preocupado? ― Ergue a mão e toca no meu ombro.
― Eu estou bem… ― digo, encolhendo os ombros. Ele tira a mão e coloca no seu joelho, que depois dá uma bufada de ar. Levanta a sobrancelha, não acreditando no que acabei de falar. ― Está bem, está bem. Faz duas semanas que conheci uma ruiva…
― Sabia que tinha uma mulher no meio. Você e o Lucas têm isso em comum. ― Ele sorri levando a mão para o rosto. E continua. ― Você passou a noite com ela e não para de pensar nela?
― Antes fosse isso. ― Ele me olha, sem entender. ― Na verdade, ela me deu um fora.
― Só um instante, está desse jeito por conta que ela não quis sair com você? ― Se levanta do banco, apoia-se no armário, depois se vira ficando de frente para mim. ― Essa mulher te pegou de jeito mesmo. Liga para ela e resolva isso.
― Não tem como.
― Como assim? Você não pegou o número do telefone dela? ― pergunta, se senta no banco olhando para mim. Balanço a cabeça que não. Ele fala que tenho que arrumar um jeito para resolver isso, que daqui a um mês tem o jogo do Mundial. Que vai precisar de mim e preciso estar focado e concentrado. Dou a minha palavra que vou resolver esse pequeno obstáculo. Despeço-me dele, vou me vestir. Logo que ele sai, penso que tenho que arrumar um jeito de vê-la de novo.