Chego na cidade, ela é pequena, acolhedora, a primeira coisa que faço é ir em uma ótica e comprar uma lente na cor castanho escuro, em seguida vou a um salão de cabeleireiro.
Cabeleireira - O que vai ser meu bem?
Mila - Quero colocar um mega e mudar a cor para loiro, o mais natural possível - ela me olha assustada.
Cabeleireira - Ualll, mudança radical.
Mila – Sim, quero mudar um pouco.
Cabeleireira – Vamos lá então, você quem manda. – Ela estava assistindo o noticiário e a mesma repórter começa duas notícias que me chama atenção.
Repórter – A justiça foi feita com as próprias mãos, o possível estuprador Sidney Almeida Ramos, foi encontrado pela sua esposa caído no meio da sala com três tiros, um, no abdome, um, na perna direita e um, no ombro esquerdo, foi socorrido, está em estado grave no hospital central. O que nos leva a pensar que se fosse realmente inocente, isso não teria acontecido.
A polícia segue investigando, quem o agrediu, mas até agora, não se tem suspeitos. Procuramos por sua esposa, mas a mesma não quis gravar entrevista, apenas nos disse que ele era inocente, e sua enteada até o momento, não foi encontrada, o que nos leva a hipótese de foi ela quem tentou assassiná-lo? Ou ela foi sequestrada? Fiquem com os comerciais e já voltamos com mais informações.
Cabeleireira – Se eu fosse ela, eu teria matado aquele desgraçado.
Cabeleireira 2 – Está na cara que foi a garota, quando ela viu que esse monstro foi solto.
Cliente – Mas na televisão falou que ele foi solto, como soltam alguém como ele?
Voltamos com as notícias, pode falar Júlio Marques.
Repórter - Estou aqui na residência do doutor Mário, seu filho foi assassinado no quarto, junto com sua amiga Tiphanie, ambos estavam nus quando os legistas chegaram, tudo indica que estavam em momentos íntimos quando foram surpreendidos, com um tiro em cada um deles. A principal suspeita é Milena Fattinni, a mesma vitíma do estupro pelo padrasto, o mesmo segue internado e não temos notícia de seu estado. Será que a menina enlouqueceu? Ou apenas se vingou do padrasto estuprador e do namorado infiel?
A polícia está investigando e não nos deu mais informações. Essa é a Suzane mãe de Luan, uma das vítimas assassinadas.
Suzane – Oi Mila, sei que está me assistindo, eu sei o quanto você sofreu com a morte do seu pai, o estupro, em um curto intervalo, não estava psicologicamente bem, e ao se deparar com a traição do meu filho com sua melhor amiga, não deve ter sido fácil! Quero que saiba que eu te entendo, sinto muito pela dor que ele te causou, você sempre foi uma menina boa, sem malícia, delicada, doce… eu realmente sinto muito! Mas eu jamais irei te perdoar, te considerava como uma filha.
Essa é a Suzane, mãe do Luan, obrigado pelas palavras, a polícia pediu para que se alguém encontrar essa garota, ligue imediatamente. – Mostra minha foto em rede nacional.
Nesse momento, estou chorando de soluçar, as palavras da mãe de Luan tocaram fundo no meu coração.
Cabeleireira – Oh! Querida, o que aconteceu, se acalme meu bem. Larissa pega água pra ela, por favor. – Então a cabeleireira olha a foto na TV e olha para mim, coloca a mão na boca e diz – Vamos para a sala de depilação, você está passando m*l minha linda. - Já na sala eu olho para ela e pergunto.
Mila – Vai me denunciar?
Cabeleireira – Jamais, meu nome é Manuela, mas pode me chamar de Manu. Tem pra onde ir? – Apenas n**o com a cabeça e pego o copo de água que ela me oferece. – Ok, então vamos pra casa comigo, agora entendi porque quis colocar mega e virar loira, e para esse olhos azuis.
Mila – Comprei uma lente castanho, por que vai me ajudar? - Eu pergunto curiosa, e surpresa com a atitude dela.
Cabeleireira - Porque no seu lugar, eu teria feito a mesma coisa, ou pior. – Dou um sorriso sem graça.
Mila – Obrigada! - falo secando minhas lágrimas
Manu – Bom, vamos te deixar linda, eu moro na comunidade Esperança, o dono do morro é gente boa, vou pedir para ele arrumar uma casa para você.
...
Algumas horas depois…
No Morro Esperança.
Manu - Chegamos gata, vamos direto na boca falar com o Magrin, ele é o dono agora.
Mila – Eu nunca entrei em uma comunidade.
Manu – Fica tranquila, ta comigo ta com Deus. – Eu confesso que estava morrendo de medo, pois os jornais pintam o pior dos morros, dos traficantes, até imagino, deve ser um velho asqueroso. – VH preciso falar com o Magrin. – Ela pergunta pra um moço que está com uma arma imensa pendurada e atravessa nas suas costas.
VH – Vou ver se ele pode te atender, tá gata hem! Quem é a morena?
Manu – Toma teu rumo rapa, e tire o olho da minha amiga.
VH – O que é bonito é pra se mostrar – ele fala rindo, entra em uma porta, depois de uns minutos ele sai falando – Pode entrar meninas.
Assim que eu entro na sala quase caio de costas, que homem lindo, ele não tem nada de magrinho, nem sei porque deram esse apelido para ele.
Magrin – O que devo a honra desta visita? Apresenta a amiga Manu.
Manu – Viemos pedir ajuda – ele levanta uma sobrancelha - pode contar Mila, ele é de confiança. – Eu respiro fundo e conto tudo para ele, quando termino ele fica olhando sério pra mim.
Magrin – Com essa carinha de anjo, você fez esse estrago todo?
Manu – Acho que junto tudo, fui acumulando os sentimentos e quando vi, já tinha feito e não dava mais para voltar. Se me arrependo, sim, me arrependo muito por ter matado o Luan e a Tiphanie, mas o Sidney não, se eu pudesse eu o matava de novo.
Magrin – E eu ajudava, não admito esse tipo de coisa. Mas vamos lá, eu tenho uma casa, ela já está mobiliada, é de uma amiga minha, eu vou ligar e perguntar se posso alugar ou vender para você. - Ele liga pra uma tal de Gabi, depois fala pra mim – Ela disse que pode usar pelo tempo que precisar, e o aluguel é quinhentos reais, mas ela pediu para depositar nesta conta.
Mila – Casa de Caridade Esperança?
Magrin – Sim, é o centro esportivo que temos no morro, ela que fundou, tem várias atividades legais voltado para crianças e jovens.
Mila – Nossa que bacana, eu agradeço muito.
Magrin – Vai pro baile de hoje, que já me agradece.
Manu – Ela vai ficar na casa da patroa?
Magrin – Vai, sim, mas pode deixa que eu levo ela.
Manu – Amiga esse é meu número de telefone, assim que você comprar um me adiciona.
Magrin – Pode usar esse até comprar o seu, aqui na boca sempre tem sobrando, só precisa comprar um chip.
Mila – Não imagine, já está me ajudando tanto.
Magrin – Pega, fica como presente de boas-vindas.
Manu – Não pode recusar presente.
Mila – Sendo assim, obrigada! – Dou um sorriso para ele que retribui, meu Deus que homem que sorriso é esse, olha para ele chega me dar calor.
Manu – estou indo então, qualquer coisa me liga, leva ela pra comprar um chip Magrin - ela me dá, um beijo e segue pra casa