Capítulo 2

1799 Palavras
  Sentindo a dor excruciante de seu coração se partindo, Steve percebeu que estivera se enganando todo aquele tempo. Droga, ele definitivamente não era capaz de suportar ver Amy nos braços de outro, mas agora descobrira algo muito pior: a agonia de saber que ela sentia por outro o que ele sentia por ela. Ele tinha pensado que seria horrível se ela um dia se apaixonasse por alguém como Elliot Cross, mas, afinal, havia algum homem sobre a face da terra que merecesse alguém tão fantástica quanto Amy? Havia alguém que estaria sempre ao lado dela, pronto para segurá-la quando ela repentinamente tropeçasse mesmo em superfícies perfeitamente planas? Algum outro aprenderia tanto sobre o gosto literário dela que seria capaz de comprar seus livros favoritos mesmo antes dela descobrir que foram lançados? Alguém mais poderia perceber que ela sempre precisava ser distraída com conversas ou cócegas durante as partes assustadoras dos filmes de terror para conseguir dormir tranquila à noite? Afinal, outro garoto descobriria que ela sempre lia Romeu e Julieta para se acalmar depois que tinha um pesadelo? Qualquer um seria observador o suficiente para perceber que o cheiro delicioso dela era uma mistura de seu shampoo de morango favorito com as frésias da campina perto da casa dos Thomas onde ela gostava de se deitar para ler? Quem cuidaria dela? Quem se preocuparia se ela não ficou estudando até tarde e se esqueceu de comer? Quem saberia apenas por conta de seus ombros levemente caídos que Robert ou Pauline a haviam negligenciado de novo? Droga, ninguém era capaz, porque ninguém mais passara uma vida ao lado dela como ele passava. Amy não era o mundo de mais ninguém além do dele. Mas, infelizmente, agora ele sabia que havia outro homem que fizera algo muito maior do que tudo aquilo: conquistara o coração dela. Algo que Steve jamais fora capaz. Surpreso por sentir as lágrimas querendo se acumular em seu rosto, Steve rapidamente as enxugou. Por mais que uma parte dele quisesse nada mais do que irromper naquele quarto e implorar que Amy o aceitasse, que ela lhe desse uma chance, que ela o deixasse dizer o quanto a amava profundamente há mais de 14 anos... Ele não podia ser tão infantil. Ele podia querer descobrir quem era aquele cara e estragar tudo entre os dois, para impedir a si mesmo de sofrer vendo sua Amy amando outro, mas Steve não faria aquilo. Porque seu amor por ela era mais forte do que seu ciúme. Porque a razão pela qual ele era capaz de fazer todas aquelas coisas por ela, era porque a felicidade de Amy importava mais do que qualquer coisa. Inclusive a própria felicidade dele. Com um suspiro inaudível, ele procurou se concentrar novamente na conversa das garotas, preocupado que pudesse ter perdido o nome da paixão de Amy enquanto estava mergulhado em seu choque. Ele prometeu a si mesmo que queria saber quem o garoto era não para poder bater nele até a morte, mas sim para saber se Amy não estava prestes a cair nas mãos de um aproveitador. Talvez aí, e apenas aí, ele pudesse interferir um pouco, para protegê-la... - Eu só quero que você me responda se tem algo que eu possa fazer para parar de ter esses sonhos, Suzie. – Amy choramingou, quase desesperada – Eu quero que eles parem... Só me fazem desejar ainda mais uma coisa que eu sei que nunca vou ter. – o murmúrio triste de Amy era tão baixo que Steve teve que se esforçar para entender. Será que ela já havia se declarado e o i****a a havia rejeitado? Como ele ousava fazê-la soar tão desolada? - Isso é tão ridículo...  – Suzie grunhiu, completamente frustrada – Você colocou na sua cabeça que ele nunca vai querer você e agora fica aí sofrendo! Aposto que se descesse agora mesmo e se declarasse para ele, vocês dois ficariam trancados no quarto dele por dias. – havia um leve nojo na frase de sua irmã que Steve não compreendeu, talvez porque estivesse revoltado demais com o fato dela estar estimulando Amy a abandonar sua tradicional noite de sexta ao lado dele e ir se declarar para aquele outro cara... E até mesmo acabar na cama dele, possivelmente. A única coisa que o impediu de dar um soco na superfície mais próxima, para extravasar a fúria que o consumia, era saber que não poderia estar com Amy por um bom tempo se sua mãe o colocasse de castigo por ter feito um buraco na parede. - Não finja que não entende do que estou falando, Suzie. – Amy sussurrou, tristemente irritada – Eu sou a garota mais desastrada, desinteressante e patética que Little Winter já produziu. E ele... – o suspiro de Amy não podia ser descrito como nada além de apaixonado – Ele é perfeito. E inteligente, e divertido, e forte, e seguro, e gentil, e atencioso, e bondoso, e talentoso, e lindo, e quente, e sexy, e... O monólogo ardente de Amy foi interrompido pelo som de Suzie fingindo vomitar. – Eca. Pode ter um pouco mais de consideração por mim, por favor? É do meu irmão que estamos falando aqui. Quero manter meu almoço no estômago e ouvir você se derreter por ele não ajuda. O choque foi tão forte que Steve podia jurar que seu cérebro entrou em pane por alguns minutos. Elas... Estavam falando sobre ele? Tudo aquilo que Amy disse de maneira tão intensa... Era descrevendo-o? Mas aquilo não podia ser verdade, porque, do contrário, significaria que a pessoa por quem Amy estava apaixonada, e suspirando, e tendo sonhos eróticos... Era ele. - Por isso eu quero que você me ajude a parar de amar ele, Suzie. – Amy insistiu, quase desesperada – Está ficando pior! Hoje mesmo, quando ele descobriu que Grace tinha me provocado porque eu nunca ia em nenhum baile, ele fez de tudo para tentar me convencer a ir com ele. Tão lindo e gentil... – ela choramingou desoladamente – Que eu quase aceitei. Mas eu não quero isso. Não quero que ele vá comigo simplesmente porque é meu melhor amigo e não quer me ver triste. Eu queria que ele me convidasse porquê... Porque queria estar comigo... Como um garoto quer estar com uma garota. – ele quase podia vê-la balançando a cabeça lentamente, como sempre fazia quando ficava muito triste, como seu tom de voz revelava que ela estava naquele momento – Mas eu sei que isso nunca vai acontecer, porque ele só gosta de mim como amiga. Por isso quero aprender a gostar dele só como meu melhor amigo também. Porque um dia ele vai se apaixonar por alguma garota e... A única coisa que eu vou ter é meu coração partido. – sua Amy choramingou. - E no meio de toda essa sua previsão do futuro... – Suzie resmungou, amuada – Não tem a mínima possibilidade de você dizer a ele como se sente e tentar ser essa garota por quem ele vai ser apaixonar? - Você não ouviu nada do que eu disse? – Amy arfou, horrorizada – Eu sou a invisível Amy Thomas. E ele é o Steve Bennet. Em que universo ele olharia para mim como alguém além da melhor amiga de infância? Ele nunca reagiria com nada além de piedade se eu dissesse que estou apaixonada e sonhando acordada com ele desde os 04 anos. Ouvi-la dizer com todas as letras que era por ele que ela estava apaixonada, – mesmo que o resto da conversa até ali já tivesse deixado aquilo bem óbvio – fez uma onda de emoção tão grande percorrer o corpo dele que Steve quase teve que se apoiar na parede, que antes planejara esmurrar, para não cair. Aquilo era mesmo verdade ou apenas mais um de seus sonhos? Sua Amy realmente o amava de volta? Ela realmente sentia o mesmo? Inclusive a parte de que só era vista como amiga? - Eu realmente acho que você deveria tentar dizer a ele. – Suzie falou gentilmente – Ele pode surpreender você. - Eu não suportaria ouvi-lo dizer que não sente o mesmo, por mais que eu saiba que não sente. – o choro na voz de Amy o fez ter vontade de irromper por aquela porta e toma-la nos braços para dizer como ela estava errada, mas Steve se conteve – E não quero que ele continue sendo meu amigo apenas por pena. Ou pior, que se afaste de mim. – ela afirmou veementemente – Eu sei que ele não é culpado por eu ter me apaixonado. Ele não pediu que eu o amasse tão profundamente como amo. É por isso que ficar tendo todos esses... Desejos... – a voz dela soou estrangulada – Não é bom para mim. Só vai me fazer sofrer mais quando eu o vir com outra garota. Porque, no fundo, por mais i****a que seja, ainda tem uma parte minha que sonha que um dia ele vá se apaixonar por mim também. – ela confessou, cabisbaixa. – É melhor eu parar com isso agora... Antes que eu acabe me machucando de um jeito que não vou ser capaz de curar. - Às vezes vocês dois idiotas realmente me dão nos nervos. – o grunhido frustrado de Suzie foi tão baixo que ele teve que se concentrar para entender. - O quê? – Amy perguntou, genuinamente confusa. - Oh, nada. – Suzie desdenhou e Steve quase podia ver a irmã revirar os olhos sarcasticamente – Eu só estava dizendo que eu tenho que me arrumar para o meu encontro com o Hawk. E você para a sua noitezinha de apenas cinema com o Steve. Aparentemente vocês dois ainda vão ter muitas pela frente. – o suspiro debochado dela ficou repentinamente próximo demais e Steve rapidamente saiu do alcance da porta, seguindo pelo corredor até o banheiro, com um sorriso enorme se espalhando por seu rosto. Amy o amava. Sua Amy o amava. Depois de todas aquelas vezes em que ele desejou poder segurar sua mão enquanto eles andavam; depois de todas as noites de cinema em que ele ardeu de vontade de beijá-la; depois de todas as madrugadas em que ele ansiara por ela na escuridão, imaginando como seria se ela tivesse os mesmos sentimentos e os mesmos desejos intensos que ele; depois de 14 anos inteiros fazendo orações silenciosas para que um dia ele pudesse ocupar o coração dela como ela ocupava o dele... E agora seu pedido fora realizado. Ela está apaixonada por mim. Ela está há poucos metros e está apaixonada por mim... E ela vai passar a noite comigo. Aquele pensamento fez seu sorriso se tornar malicioso. Porque se havia um coisa correta no que sua irmã dissera... É que eles tinham muitas noites como aquela pela frente.
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