Marta sentia o peso da descoberta crescendo a cada dia. Cada laudo, cada novo detalhe que ela vasculhava, a levava mais fundo no abismo das suas próprias emoções. Ela já não sabia onde o profissionalismo terminava e onde a envolvência pessoal começava. Tudo estava entrelaçado, e a linha que separava sua missão de seu próprio desejo se tornava cada vez mais tênue. Naquela noite, sozinha em seu escritório, ela refletiu sobre o que tinha lido e sentido. O riso de Navalha, sempre tão forte, tão impiedoso, tinha algo que a inquietava. Ela o chamava de O Homem Que Ri pela primeira vez, mas a expressão não era apenas uma observação sobre seu comportamento. Para ela, o riso dele agora representava um grito por socorro. Cada risada abafada escondia uma dor insuportável que ele não sabia como expre

