Marta trancou-se em si mesma. Após o almoço com Navalha, algo dentro dela foi despertado — ou talvez, reaberto. Um gatilho antigo, escondido sob camadas de profissionalismo, racionalidade e controle. Ela havia se preparado a vida inteira para ser forte. Para nunca mais ser vítima. Mas bastou um toque, uma frase, e sentiu-se de novo aquela menina que engolia o choro e acreditava que merecia a dor. Decidiu se proteger da única forma que sabia: mergulhando no conhecimento. Na solidão de sua sala, longe das sessões e dos corredores da base, começou a estudar traumas complexos. Queria ajudar Navalha com mais profundidade. Entendê-lo além dos sintomas. Além da casca rígida e dos olhos frios. Mas, à medida que lia, as palavras ganhavam outro destino. Cada capítulo sobre memórias somáticas,

