Navalha estava deitado na escuridão de seu quarto, o teto de concreto acima dele parecia mais opressor do que nunca. As palavras de Marta ecoavam na sua mente como marteladas: "O seu medo me lembrou o que eu sempre fui. Usada." Ele se lembrava do momento em que saiu naquela manhã, do cheiro dela em sua pele, do calor do corpo dela ainda colado ao dele... e da covardia que o fez fugir. Ele esperava rejeição. Estava certo disso. Tão certo, que não quis dar a ela a chance de mostrar o contrário. Preferiu julgar por ela. Preferiu abandonar antes de ser abandonado. Agora percebia a verdade: ele a feriu antes mesmo de saber se seria ferido. Fez com ela o que o mundo tinha feito com ele por toda a vida — rejeitar antes de ser rejeitado. "Eu errei com ela." Não bastava saber. Precisava fa

