Marta sentia demais. Cada movimento de Navalha, cada palavra, cada gesto — tudo parecia intensificar uma sensação que ela tentava entender, mas não conseguia. Ele estava próximo demais, seu olhar penetrante a desnudava de uma maneira que ela nunca imaginara ser possível. E, apesar da dor que isso lhe causava, algo em seu peito a impelia a ficar mais perto, a buscar mais. Ela estava dividida, insegura, mas, ao mesmo tempo, a atração era tão avassaladora que ela não conseguia se afastar. Os traumas de sua vida, o medo que ela sempre carregara, pareciam ser anulados pela presença de Navalha. Ele estava ali, fisicamente distante, mas suas ações e palavras a tocavam de uma forma que ninguém jamais havia conseguido. Com ele, Marta se sentia vulnerável e, ao mesmo tempo, mais viva do que jamais

