O silêncio que seguiu o beijo parecia ser mais pesado do que qualquer palavra que pudesse ser dita. Ambos estavam ainda tentando compreender o que acontecera, como se o tempo tivesse se estendido em um único momento, suspenso entre eles. Os olhos de Marta estavam fixos em Navalha, mas suas palavras estavam presas, como se, ao falar, tudo o que havia se acumulado ao longo de suas vidas se desmoronasse de uma vez. Navalha, por sua vez, estava igualmente perdido. Ele, que sempre tivera controle sobre suas emoções, sentia agora o caos tomar conta de seu peito, um tumulto que ele não sabia como lidar. Ele se aproximou dela, mas, em vez de continuar com as palavras não ditas, ele falou com a honestidade que só poderia vir após aquela noite. “Eu não sei o que fazer com isso, com tudo que aconte

