A atmosfera estava carregada, elétrica, como se o ar ao redor deles estivesse pronto para estourar. A tensão entre eles, quase palpável, era o reflexo de algo que os dois sabiam que aconteceria, mas que, por algum motivo, ainda os assustava. A cada olhar furtivo, a cada movimento leve, o desejo crescia, expandia-se, até se tornar um fogo que queimava sem piedade. E, no entanto, havia algo mais, uma força invisível que os mantinha afastados, como se o destino estivesse brincando com suas emoções, empurrando-os, mas nunca permitindo que caíssem totalmente. Navalha estendeu a mão para Marta, seu gesto simples, mas imensamente carregado de uma intenção que fez o peito dela acelerar. Ele a chamava sem palavras, com aquele olhar que parecia saber mais sobre ela do que ela própria. Ela hesitou.

