Marta caminhava pelo corredor como quem tenta equilibrar a alma num fio de navalha. A sessão com Navalha ecoava dentro dela como um trovão contido — os olhos dele, as palavras não ditas, a presença que transbordava até quando ele tentava se esconder. Ela estava sentindo demais. E isso era um problema. Na sala da coordenação, a voz do diretor soou fria e pontual. — Doutora Marta, a senhora foi vista por outros profissionais deixando a sessão visivelmente abalada. Está tudo bem com o paciente? Ou... com a senhora? Ela engoliu seco. Manteve o olhar firme, mas por dentro... a culpa dançava com o desejo. — Está tudo sob controle. O paciente exige atenção, mas sigo o protocolo. — Protocolo? — ele franziu a testa, avaliando. — Espero que sim. Porque se estivermos diante de um envolvimento

