Marta chegou diferente naquela segunda-feira. O andar era o mesmo. O jaleco, igual. Mas havia algo na forma como ela segurava a caneta, como olhava nos olhos dele sem piscar, como respirava com calma mesmo diante da presença densa de Navalha. Ele sentiu. Ela estava mais centrada. Mais firme. Impenetrável. E aquilo o desestabilizou de um jeito que ele não sabia nomear. Navalha estava acostumado a provocar reações. A ver os outros desviarem o olhar, engolirem em seco, suarem frio. Mas com Marta... agora era diferente. Ela estava blindada. Como se tivesse apagado todos os caminhos que ele achava que conhecia. — Você dormiu bem? — ela perguntou, a voz suave, mas firme como pedra. Ele riu de canto. — Parece que você dormiu por nós dois. — respondeu, tentando soar debochado. Mas o s

