Na sexta-feira à noite. A cidade respirava com menos pressa. O som dos carros era abafado pela música suave de um bar discreto na esquina. Marta não esperava encontrar ninguém do centro ali. Estava de jeans, cabelo solto e um livro nas mãos — um refúgio casual para a mente cansada. Mas quando levantou os olhos e viu Navalha encostado no balcão, sem a jaqueta pesada, com a camisa arregaçada e o olhar atento, soube que aquela noite mudaria tudo. Ele também a viu. Nenhuma palavra foi dita no começo. Apenas o caminhar dele até sua mesa. Nenhum tom ameaçador, nenhum escudo visível. Apenas ele, humano demais para o que costumava mostrar. — Vai me expulsar também do bar? — ele provocou, puxando uma cadeira. Marta fechou o livro com calma. — Isso depende... você veio como Navalha ou como o h

