Giulia Ricciardi
Era impossível conter minha animação enquanto colocava as últimas peças na mala. Um casamento na fazenda da família significava uma pausa na rotina opressiva da casa em Milão. Alice, minha prima, sempre foi como uma irmã mais velha para mim, e agora que ela iria se casar, eu estava emocionada em fazer parte desse momento tão especial.
Os vestidos das madrinhas estavam impecáveis. Meu tio, Antônio, havia contratado um estilista renomado para cuidar de tudo, e o resultado era deslumbrante. Os vestidos verde musgo, que combinavam perfeitamente com o cenário da fazenda, tinham cortes elegantes e delicados, destacando a beleza de cada uma de nós. Só de imaginar a cerimônia, cercada pela natureza, com Alice radiante em seu vestido de noiva, meu coração se enchia de felicidade.
Depois de arrumar minha mala com roupas para os quatro dias, itens de higiene, sapatos e, claro, o vestido de madrinha, fui tomar um banho rápido. A água quente ajudou a relaxar meus músculos, mas minha mente continuava a mil, imaginando como seria o casamento, quem eu encontraria lá e como seria a viagem até a fazenda.
Saí do banho e vesti algo confortável: uma legging preta, um moletom cinza e meus tênis favoritos. Prendi o cabelo em um r**o de cavalo alto, prático para viagens, e peguei minha mala. Ao descer as escadas, encontrei meus pais e Marco já prontos, conversando na sala de estar.
— Finalmente! — Marco brincou ao me ver. — Pensei que tivesse decidido não ir.
— Engraçadinho — retruquei, revirando os olhos enquanto deixava minha mala perto da porta.
Logo depois, Francesca apareceu, também com uma mala e com uma expressão animada no rosto. Ela estava radiante, provavelmente ansiosa para reencontrar Matteo, com quem tinha trocado mensagens sem parar desde o café da manhã.
Com tudo pronto, saímos de casa. Meu pai iria dirigindo, mas, claro, a segurança estava em peso. Dois carros iam à frente e outros dois nos seguiam. Era um comboio que chamava atenção, mas, considerando o histórico da nossa família, qualquer precaução era pouca.
A viagem até a fazenda não era longa, cerca de uma hora, mas parecia uma pequena aventura. Durante o trajeto, Francesca, eu e mamãe estávamos animadas, conversando sobre os preparativos do casamento. Marco, que estava ao lado do nosso pai no banco da frente, parecia mais calado, mas logo que perguntei sobre Celeste, sua namorada, o rosto dele se iluminou.
— Celeste vai chegar hoje à noite. Pegou um voo dos Estados Unidos direto para Milão e vai seguir para a fazenda — explicou ele, com um sorriso.
— Que ótimo! — exclamei. — Faz tempo que não vejo vocês juntos.
— Faz mesmo — concordou Francesca. — E quando você vai pedi-la em casamento?
Marco hesitou por um momento, mas então deu um sorriso tímido.
— No casamento da Alice. Achei que seria o momento perfeito. E claro, pedi permissão dos noivos para isso e como eles aceitaram, não podia perder a oportunidade!
Eu e Francesca soltamos exclamações de entusiasmo ao mesmo tempo, batendo palmas.
— Isso é maravilhoso, Marco! — falei, genuinamente feliz por ele.
— Estamos muito orgulhosos de você, filho — comentou minha mãe, acariciando o braço dele. Meu pai, no entanto, apenas assentiu com a cabeça, parecendo satisfeito com a decisão do meu irmão.
A conversa animada continuou por mais alguns minutos, mas logo o balanço do carro e o som suave do motor começaram a me deixar sonolenta. Encostei a cabeça no vidro e fechei os olhos, deixando o sono me levar.
Enquanto minha mente vagava entre pensamentos sobre o casamento e momentos felizes da minha infância na fazenda, um sorriso escapou de meus lábios. Apesar de todos os desafios de ser uma Ricciardi, esses momentos com minha família eram preciosos, e eu faria de tudo para aproveitá-los ao máximo.
...
— Ei, dorminhoca, acorda! — A voz de Marco me tirou do sono. Abri os olhos devagar, piscando contra a luz do sol que entrava pela janela do carro. — Já chegamos.
Esfreguei os olhos, ainda meio zonza, e me sentei direito. Olhei pela janela e senti meu coração acelerar. A fazenda estava ainda mais bonita do que eu me lembrava. Fazia anos que não vinha aqui, e, para ser sincera, minhas lembranças eram vagas. Mas agora, diante de mim, estava um lugar que parecia ter saído de um conto de fadas.
Saí do carro e respirei fundo, sentindo o ar puro do campo. A grama estava impecavelmente aparada, um tapete verde que se estendia até onde a vista alcançava. Havia alguns animais soltos pelo pasto — cavalos, galinhas e até alguns coelhos. Cachorros corriam de um lado para o outro, brincando entre si, e logo as lembranças de eu, Francesca e as primas correndo atrás deles, rindo.
O celeiro, que eu me lembrava como uma estrutura velha e desgastada, agora parecia novo. Estava pintado de vermelho vibrante, com detalhes brancos nas janelas e na porta. A casa principal da fazenda era ainda mais impressionante. Totalmente reformada, com uma pintura fresca e janelas enormes, parecia saída de uma revista de arquitetura. Ao lado, a casa dos funcionários estava igualmente bem cuidada e organizada, algo que me deixou feliz, pois sabia que meu pai prezava por isso.
Peguei minha mala no carro e, antes de entrar, decidi caminhar um pouco pelo jardim. As flores estavam deslumbrantes, de várias cores e tipos, cuidadas com carinho por quem quer que fosse o jardineiro. Passei a mão suavemente pelas pétalas de uma roseira branca, sentindo a textura delicada e admirando a perfeição de cada detalhe.
Continuei andando, explorando cada canto do lugar. Ao lado da fazenda, a piscina chamava atenção. Alguns funcionários estavam limpando e preparando o espaço, que logo seria usado pelos convidados. Era enorme, com espreguiçadeiras alinhadas e guarda-sóis abertos para o sol escaldante.
De longe, algo ainda mais especial chamou minha atenção: o velho balanço de madeira que meu pai havia construído quando eu, meus irmãos e meus primos éramos pequenos. Lá estava ele, preso em uma árvore que parecia mais imponente do que nunca, como se guardasse todas as memórias de nossa infância. A nostalgia me invadiu, trazendo flashes de risadas, corridas e brincadeiras que pareciam ter acontecido em outra vida.
Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto, mas foi interrompido por uma voz familiar atrás de mim.
— Está admirando o passado, minha querida?
Virei-me e encontrei minha avó, Nonna Teresa, de pé com um sorriso caloroso. Ela estava linda, com seu cabelo grisalho preso em um coque e vestindo um vestido azul claro que a deixava elegante e simples ao mesmo tempo.
— Nonna! — exclamei, correndo até ela. Envolvi-a em um abraço apertado, sentindo o perfume leve que sempre me lembrava de casa.
— Ah, minha Giulia... sempre tão linda — disse ela, segurando meu rosto entre as mãos. — Não sabe como estou feliz de te ver aqui.
— E eu estou feliz de estar aqui, Nonna. A fazenda está incrível. Não lembrava que era tão bonita.
Ela riu, colocando uma mão sobre meu braço.
— Seu pai e seu tio investiram muito para deixá-la assim. Alice merece um casamento especial, não acha?
— Com certeza. — Concordei, olhando novamente para o balanço.
— Vamos entrar? Tenho certeza de que Alice e Luis estão ansiosos para te ver.
Caminhei ao lado da minha avó até a casa principal. Por dentro, a decoração era tão deslumbrante quanto o exterior. Tudo estava impecável, com toques rústicos e elegantes que combinavam perfeitamente com o clima do campo.
Alice estava na sala, rindo com Luis e algumas das primas. Assim que me viu, ela abriu os braços em um gesto acolhedor.
— Giulia! — Ela exclamou, vindo até mim e me puxando para um abraço. — Que bom te ver!! Pensei que não tinha vindo!
— Como eu não viria? — retruquei, sorrindo. — Parabéns, prima! Estou tão feliz por você. Vocês merecem toda a felicidade do mundo.
Luis, que estava ao lado dela, também veio me cumprimentar. Ele era um homem simpático, com um sorriso fácil e uma energia contagiante.
— Obrigado, Gigi. É um prazer ter você aqui.
— E lá vem ele com esse apelido de novo — comentei e Luis sorriu.
— Você sabe que eu te adoro, Gigi — comentou me abraçando e eu sorri retribuindo.
Passamos alguns minutos conversando sobre o casamento, as madrinhas e o cronograma dos próximos dias. Alice estava radiante, e vê-la assim me enchia de alegria.
Mais tarde, enquanto caminhava de volta ao meu quarto para desfazer a mala, me peguei sorrindo novamente. A fazenda, minha família, e até mesmo o clima de casamento — tudo parecia perfeito, pelo menos por enquanto. E eu estava determinada a aproveitar cada segundo.
(Nonna: Avó)