Giulia Ricciardi
Acordei com o som das risadas e vozes animadas de Francesca e Liz. Ainda meio grogue, demorei alguns segundos para me situar. O quarto estava iluminado pela luz da manhã que atravessava as cortinas, e as duas já estavam de pé, aparentemente discutindo o que vestir para o evento de hoje.
— Finalmente! Achei que você não ia levantar nunca. — Francesca provocou, olhando para mim pelo espelho enquanto arrumava os cabelos.
Liz virou-se com um sorriso caloroso.
— Bom dia, dorminhoca!
— Bom dia, meninas. — Respondi, esfregando os olhos. — Parece que vocês já estão animadas para o dia.
— Claro que estamos! — Liz respondeu, rindo. — Hoje é o grande dia das mulheres.
Lembrei-me do que Alice tinha nos contado na noite anterior: um amigo secreto “adulto”, algo ousado e divertido que ela havia organizado para nós. A ideia era que cada uma levasse um presente que pudesse ser usado por qualquer uma das participantes, sem saber para quem o presente seria. Confesso que a ideia me deixou um pouco nervosa no início, mas acabei me rendendo à proposta inusitada da minha prima.
Levantei-me lentamente, esticando o corpo enquanto as duas continuavam a se arrumar.
— Então, vocês já estão prontas?
— Quase. — Francesca respondeu. — Vai se arrumar, temos que descer logo.
Peguei minha toalha e fui para o banheiro, tomando um banho rápido. A água morna ajudou a despertar completamente, e enquanto enxaguava o rosto, sorri ao lembrar do presente que havia escolhido em Milão: um vibrador em formato de golfinho, pequeno, discreto, mas incrivelmente funcional. Alice tinha deixado claro que era para ninguém economizar na criatividade, e eu segui o conselho à risca.
Após o banho, vesti uma roupa confortável — jeans e uma blusa leve — e prendi o cabelo em um r**o de cavalo. Peguei a sacolinha discreta onde havia embalado cuidadosamente o presente e voltei para o quarto, onde Liz e Francesca já me esperavam.
— Pronta? — Francesca perguntou, segurando sua própria sacola com um sorriso divertido.
— Pronta. Vamos?
Descemos juntas até a sala de jantar principal, onde Alice havia marcado o encontro. Assim que entramos, fiquei impressionada com a decoração. Tudo estava impecável, seguindo a paleta de verdes do casamento. A mesa estava repleta de opções para o café da manhã: frutas frescas, pães artesanais, bolos, sucos e um espumante para as mais ousadas.
Ao redor da mesa já estavam as outras participantes: minha mãe, Sophie, e minha tia, Jorgina; Celeste, namorada do meu irmão Marco; Alice e sua irmã Gabriela; Penelope, mãe delas; e, claro, minha avó, que parecia encantada com toda a preparação.
— Que lugar lindo! — Liz comentou, com um tom admirado, enquanto nos aproximávamos da mesa.
Alice nos recebeu com um sorriso radiante.
— Bom dia, meninas! Sentem-se, por favor.
Nos acomodamos, pegando pratos e servindo-nos enquanto Alice fazia um pequeno discurso.
— Quero agradecer a todas por estarem aqui hoje. Este é um momento especial para mim, e eu queria compartilhar isso com as mulheres mais importantes da minha vida. — Sua voz carregava uma emoção genuína. — E, claro, espero que todas vocês estejam prontas para o nosso amigo secreto. Nada de timidez, hein?
Todas riram, quebrando qualquer tensão que pudesse ter restado. Penelope, a mãe de Alice, balançou a cabeça, ainda rindo.
— Eu nunca pensei que estaria participando de algo assim com vocês, meninas.
— Imagine eu, querida! — Minha avó interveio, arrancando mais risadas de todas.
O ambiente era leve e descontraído. A conversa fluía facilmente enquanto todas terminávamos de comer e nos preparávamos para o sorteio. Alice foi até um canto da mesa e pegou uma pequena caixa de madeira, contendo os papéis com os nomes.
— Vamos começar! Cada uma tira um nome e guarda o segredo até o momento da troca.
Uma a uma, fomos sorteando. Quando chegou minha vez, peguei um papel e o abri discretamente: Liz. Contive o sorriso, guardando o papel no bolso. A ideia de presentear minha nova amiga deixou tudo ainda mais divertido.
As outras também pegaram seus papéis, trocando olhares cúmplices e risadas abafadas. O suspense tornava a dinâmica ainda mais interessante.
— Muito bem, meninas. Agora que todas já têm seus papéis, podemos começar o nosso dia juntas. — Alice anunciou. — Vamos fazer uma pequena rodada de conversa antes da revelação, para deixar o momento ainda mais especial.
O restante da manhã foi recheado de histórias, risadas e provocações. Era impossível não se sentir à vontade naquele ambiente. Mesmo minha avó, que normalmente mantinha uma postura mais reservada, parecia estar se divertindo.
Enquanto olhava ao redor, percebi o quanto aquele momento era raro e precioso. Não era apenas sobre o amigo secreto ou os presentes ousados, mas sobre a união entre nós, mulheres da família e amigas. Alice havia conseguido criar algo especial, algo que todas nós lembraríamos com carinho.
E, ao pensar nisso, não pude evitar de me sentir sortuda por fazer parte daquele grupo.
Alice se levantou com um sorriso confiante e pegou o primeiro presente da pilha ao seu lado.
— Bem, meninas, eu vou começar. — Ela olhou para cada uma de nós com uma expressão de expectativa. — A pessoa que eu tirei é alguém muito especial para mim, minha prima, minha amiga… e uma mulher que definitivamente sabe como roubar a atenção de todos ao seu redor.
Minhas bochechas esquentaram enquanto as outras começavam a rir e a me olhar.
— Vamos lá, Giulia, venha pegar o seu presente!
Levantei-me sob aplausos e risadas, caminhando até Alice, que me entregou uma sacola decorada em tons de verde e dourado. O ambiente estava cheio de uma energia leve e divertida, e, ao pegar a sacola, percebi o peso do momento: era o tipo de evento que ninguém esqueceria tão cedo.
Voltei ao meu lugar e, com todas as atenções voltadas para mim, abri o presente. Dentro, encontrei um vibrador discreto, acompanhado de um controle remoto que parecia uma chave de carro.
— Meu Deus, Alice! — Exclamei, segurando o vibrador e o controle enquanto as outras explodiam em risadas.
— Ele é discreto, não é? — Alice comentou, piscando para mim. — Pode levar para qualquer lugar!
Rindo, decidi testar o presente ali mesmo. Peguei um copo de água, coloquei o vibrador dentro e, com um leve toque no "controle", liguei o dispositivo. O copo começou a vibrar intensamente, a água quase transbordando.
— Isso é muito potente! — Francesca exclamou, rindo tanto que precisou se apoiar na mesa.
— Acho que Alice queria garantir que ninguém ficaria insatisfeito. — Minha mãe, Sophie, brincou, arrancando mais gargalhadas de todos.
Depois que a comoção diminuiu, levantei-me novamente para fazer minha entrega.
— Certo, agora é minha vez. — Comecei, olhando para Liz com um sorriso malicioso. — A pessoa que eu tirei é alguém que conheci há pouco tempo, mas que já ocupa um lugar especial na minha vida. Ela é divertida, inteligente, e tenho certeza de que vai amar o presente que escolhi.
Liz se levantou, rindo, enquanto as outras batiam palmas e incentivavam. Entreguei a sacola a ela e voltei ao meu lugar, ansiosa para ver sua reação.
Liz abriu o presente devagar, criando suspense, até que finalmente revelou o vibrador em formato de golfinho. O quarto explodiu em risadas.
— É… adorável! — Liz comentou, segurando o brinquedo enquanto analisava as diferentes funções.
— Não é só adorável, é funcional. — Respondi, rindo.
Assim como eu, Liz decidiu testar o presente. Pegou um copo de água, colocou o vibrador dentro e ligou-o. A água borbulhou instantaneamente, arrancando mais gritos e risadas de todas nós.
— Isso é um golfinho assassino! — Gabriela gritou, segurando a barriga de tanto rir.
A troca de presentes continuou, e a sala encheu-se de risadas e comentários espirituosos a cada revelação. Cada presente parecia mais ousado e criativo que o anterior: lubrificantes aromatizados, algemas de veludo, velas que se transformavam em óleo de massagem… Não havia limites para a diversão.
A tia Penelope, com seu jeito sempre elegante, recebeu um chicote pequeno e elegante, acompanhado de uma venda.
— Acho que vou precisar de um manual para isso. — Comentou, arrancando mais risadas.
— Você tem um marido, Penelope. Tenho certeza de que ele será seu manual. — Minha avó brincou, com um sorriso travesso.
— Nonna! — Exclamamos em uníssono, chocadas e rindo ao mesmo tempo.
O tempo passou voando, e quando todas haviam recebido seus presentes, o clima na sala era de pura alegria. Minha prima Alice estava radiante, orgulhosa de ter organizado um evento tão memorável.
Eu olhei ao redor e senti uma onda de gratidão. Estar cercada por essas mulheres — minha família, minhas amigas — era algo que aquecia meu coração. Era raro termos a oportunidade de estarmos todas juntas, rindo e compartilhando momentos tão únicos.
O resto da manhã foi um misto de conversas animadas, mais risadas e a sensação de que, não importa o que aconteça, sempre teremos umas às outras.
(Nonna: Avó)