Capítulo 37 – P.O.V - Lucio
Anne ficou em pânico, e eu também, por que não tinha forma melhor de dizer que estávamos muito fodidos, tipo de verdade agora que começamos o apocalipse, mas como se coloca dois serem que se sentem atraídos um pelo outro em uma profecia história sobre o fim do mundo e acha uma boa ideia iniciar isso com um p*u entrando em uma b****a? isso não parece meio bárbaro de qualquer jeito? c*****o!
Lily parecia não ter entendido uma palavra do que eu falei, talvez por isso tenha saído correndo como um animal assustado pela porta. Por um segundo eu consegui enxergar a velha Lily, mas foi só por um segundo mesmo, porque logo depois voltou a ser a mesma garota frágil que eu conheci a alguns meses estando naquele subúrbio.
Quem era ela? o ser implacável de antes ou ela não era mais a mesma? era a pessoa que mataria milhares de pessoas apenas para provar o seu ponto ou ela era a garota doce que me perguntou com os olhos inchados de chorar se eu podia ficar um pouco mais por que ela estava com medo?
Enquanto eu rodava atrás dela, esses pensamentos me ocorreram, eles me deixavam no mundo da lua sem mim nem perceber o que estava a minha volta. Eu deveria confiar? deveria inclui-la em meus planos de evitar a a******a de selos? ou deveria agir com ela da forma como ela merecia por tantas merdas que apronto antes desse mundo ser esse caos?
Como se perdoa alguém por tentar te matar e conseguir? Como se perdoa uma pessoa que você ama profundamente, mas que te entregou da maneira mais saca que podia apenas para obter as vantagens de ser a favorita?
Então eu a vi, sentada em um banco no meio da rua, estava com o queixo batendo de frio e confusa com tudo, parecia tão frágil, estava alucinando? se lembrando de quem era? tudo isso era irrelevante para mim naquele momento por que ela não era a Lily vingadora que conheci, ela era apenas uma mulher que sabia pouco sobre si e sobre todas as coisas a sua volta.
- Ei, por que fugiu? - eu disse me sentando ao lado dela, a noite estava gelada até para os padrões daquela cidade insana.
- Eu não vou mais atrapalhar nada Lucio... eu... vou me virar sozinha, eu não entendi nem metade do que você falou e eu estou morrendo de medo, eu sou um tipo de monstro é isso? - os olhos dela estavam forrados de lágrimas que eu adoraria enxugar se eu não estivesse com a minha mente a milhão trabalhando e dizendo "fica frio, ela é mentirosa... ela já fez isso antes" mas não, era mentira, ela nunca tinha feito isso antes por que sempre, em todos os séculos, ela sempre estava certa sobre o seu próximo passo.
Até ter a ideia que colocou metade dos anjos em uma penitência eterna, enquanto ela gozava de sua posição como a pessoa que impediu.
- Nós somos os monstros! então, não é só você... eu não sei como explicar isso... então lá vai... nós somos anjos Lily, só que anjos caídos! - ela me olhou como se eu fosse um louco, lógico que sim, quem acreditaria naquela história logo de cara?
As pessoas estavam tão preocupadas com seus smartphones e coisas palpáveis que esqueceram que entre o céu e a terra existem mais coisas do que sonham a nossa vã filosofia, então eu aceitei a sua recusa em acreditar.
- Tá, para de tirar uma com a minha cara, eu não sou um anjo, e nem você é... somos um homem e uma mulher... que... - ela foi perdendo a fala no meio da frase, talvez tenha se lembrados de nossos olhos ficando negros mais de uma vez, talvez tenha se lembrado de seus sonhos estranhos e até mesmo do colar que ganhou da Anne para se proteger. - Desculpa isso é demais para mim... eu... - começou a chorar ainda mais inconsolável do que antes, me doía o coração saber que eu não podia fazer nada, a verdade era como era e não importava que a gente tentasse mudar.
Tudo tinha um começo e absolutamente tudo tinha um final, e o nosso começo aconteceu antes que ela soubesse em sua mente atual, mas para mim martelava todos os dias desde o dia que eu caí ali.
- Eu caí a duas ruas para trás, bem aqui, Anne caiu no meio da ilha, bem poético se pararmos para pensar - eu falei sorrindo como se fosse realmente algo engraçado, e não algo que doía tanto que me faltavam ar nos pulmões.
- Como assim caíram? literalmente... caíram? - ela falou ainda meio incrédula, mas já estava começando a ser "convertida" as minhas falas.
- Caímos de cair mesmo, do céu até aqui... na verdade fomos jogados, eu e mais uma legião! arrancaram nossas asas e passamos a ser civis normais, assim como você.
- E deixa eu adivinhar, a culpa de tudo isso foi exclusivamente minha? - ela disse um pouco mais triste
- Sim. - falei seco - bom, o seu eu... aquele seu eu, eu não sei como explicar. Você não parece a mesma Lily, não a mesma que eu conheci antes.
- Eu sou uma cretina, que boa notícia... e por que eu estou aqui? provei do meu próprio veneno? por que eu não tenho memória de antes e você tem? - ela pegava as coisas rápido, então não era como se eu tivesse que ficar repetindo várias e várias vezes.
- Olha você era uma cretina, mas eu posso te dar a oportunidade de não ser mais... se você trabalhar comigo, que tal? - peguei na mão dela, e estava quente como o inferno, mesmo estando um frio descabido.
- Eu tenho essa sensação dentro de mim... de que eu posso fazer coisas terríveis Lucio...
Ela disse olhando para o trânsito que se formava na veia principal da cidade
- Eu sinto isso todos os dias, desde que acordei no hospital, e os meus instintos estavam certos! Eu sempre fui essa pessoa... ou esse ser... capaz de f***r com todos os amigos, e com todo mundo a minha volta pelo visto! - parecia tão melancólica que estava doendo em mim o que ela falava. Era insano.
- é pior ter memória, pelo menos você refez a sua vida! Eu e Anne... não tivemos exatamente a mesma sorte.
- Vocês são mesmo irmãos?
- Pode se dizer que somos sim, de alma. Sempre estivemos juntos nessa empreitada, sempre brigando, mas ainda assim, juntos!
- E eu e você Lucio? o que éramos? - ela perguntou agora olhando diretamente no meu rosto e eu nem conseguia falar de tanto nervoso, por que eu não sabia como eu deveria responder aquela questão, por tudo o que tinha acontecido, por tudo o que poderia acontecer, por saber que ela podia me magoar e não teria pausa para o meu sofrimento, eu fiquei calado.
- Você não quer responder, não é? - ela falou segurando mais forte a minha mão - você foi quem eu mais magoei não foi? de novo baixou os olhos.
- Não temos tempo para isso agora, vamos ter que seguir em frente e ir atrás da mulher que o médico teve um caso, provavelmente um ex anjo também, e então, você está dentro?
- Só se no final eu receber exatamente a resposta que eu preciso, você promete que me fala?
- Prometo!