Capítulo 32 – P.O.V – Lily
E lá estava eu, em um salão de baile que estava decorado do jeito mais brega do mundo, com cores que eu pessoalmente era contra, mas tudo bem, eu não ligava mais pra nada relacionado ao Benjamin. Acho que era o meu ego ferido!
- Nossa, está tudo tão lindo... - disse Patrícia ficando emocionada, acho que era bem o estilo dela mesmo, não sei o motivo pelo qual ela estava comemorando aquele salão tão feio, mas acho que tem a ver com a maternidade.
Benjamin estava sorrindo também, feliz da vida porque estava em uma festa em sua homenagem, nessa parte o ego dele era realmente muito inflado, ele gostava de ser louvado, adorado... mas ele não tinha a adoração de quem mais importava para ele.
E nesse caso era eu.
- O que você achou Lily? - disse ele e eu estava tão alheia que nem respondi - Lily? - chamou minha atenção de novo
- Oi? o que foi?
- O que você achou do salão? - disse ele e eu já vi Vivian se aproximando, a oportunidade perfeita que eu tinha de sair correndo para longe dali o mais rápido possível.
Me sentei em uma mesa e fiquei ali, com a minha cara de poucos amigos habitual.
- Você não vai nem se esforçar, não é? - disse Benjamin chegando perto e me oferecendo uma taça de champagne.
- Me esforçar para que exatamente? você quer uma maldita salva de palmas? - eu comecei a aplaudi-lo, se era do que ele precisava... estava servido.
- Por que tá fazendo isso Lily? por que está agindo assim o dia todo? eu não consigo entender o que te fiz para você nem se animar com uma coisa que eu ganhei com trabalho duro. Você não se importa com ninguém além de você mesma e acho que isso já está bem claro... eu aceitei a sua possível traição com o vizinho, aceitei você me humilhar para o bairro inteiro tantas vezes... mas hoje eu não vou aturar isso! Eu sou uma boa pessoa!
- Você está acima de mim Benjamin? você está acima da possível traição como você disse? você está acima do meu egoísmo? você é uma piada!
- Eu estou acima de você em muitos quesitos...
- O meu erro foi não ter transado com o Sam... eu deveria ter me entregado a ele em cada oportunidade possível, e não só o básico que foi o que fizemos... engole essa doutor!
- Vagabunda!
- Vagabundo! você acha que eu não sei que você estava trepando com a maluca quem está nos perseguindo? você não é melhor do que eu seu filho da p**a egoísta, você não é mais iluminado... você me deixou sozinha dia após dia... para... comer outra!
- De onde você tirou isso? você ficou maluca?
- Um ano! Um ano Benjamin... e você já estava com outra, e me repreendendo por andar a noite com o Sam, por falar com a Anne, pelo abraço que você viu! E você estava com a mulher... por isso ela está tão obcecada comigo! Então não se faça... de melhor do que alguém aqui, porque você não é!
- Como você soube disso? - ele disse amargo segurando o meu braço, acho que temia que eu desse algum show.
- Eu fiz minhas investigações... achou que eu era burra? que eu não sei procurar as coisas por que eu não sou médica? melhore Benjamin... a propósito, você mandou a moça abortar? olha no meu olho e me esclarece isso!
- Não... droga... ela perdeu o bebê! - disse amargo, mas não o incomodou, ele não dava a mínima para a moça, deve ter usado ela para suas vontades. O que me deixou mais raivosa ainda, ele tratar aquela situação como se não fosse nada - Lily... foi um momento de fraqueza, ela nunca significou nada para mim! Eu posso garantir que isso já acabou...
- Um ano Benjamin, você estava a um ano com ela! Como pode olhar para mim e dizer que ela não significava nada? você não tem vergonha? você engravidou essa mulher! Você só está me deixando mais irritada ainda! Eu juro!
- Me perdoa Lily, nós podemos consertar isso... podemos consertar tudo em nossa vida, basta você querer... eu perdoo você pelo Sam.
O cara era um hipócrita profissional, como eu não enxerguei antes?
E no microfone começou a palhaçada interrompendo nossas discussões - E agora o Doutor Baker vai dizer algumas palavras...
- Vai até lá Doutor Baker... você está com tudo! Vai finalmente ser aplaudido pela sua honra e a sua moral tão inquestionável! não se esqueça de citar lá em cima todas as suas qualidades, mas com bastante fervor católico, eu juro que ninguém vai perceber que você é um filho da p**a traidor!
Ele me olhou nos olhos antes de se afastar.
Eu senti o nosso castelo ruir ali, não havia mais nenhuma maneira de admiração possível, não existia um modo mais de engolir aquilo, não havia modo de eu conseguir continuar naquele baile sem enlouquecer.
Eu não ia aguentar, o meu coração estava explodindo no peito... eu apenas saí correndo, o mais rápido que eu consegui, eu não sabia para onde eu ia, mas eu sabia que aquela mochila pronta ia servir para alguma coisa.
Peguei o carro, Benjamin e Patrícia que se fodessem! eu não ia andar até minha casa usando Loubotins!
Dirigi com os olhos molhados pelo meu choro que não parava, por que eu estava chorando?
Cheguei até a minha casa, peguei a mochila e algum dinheiro e saí pela porta sem nem saber que rumo eu ia tomar, para mim iria? Como eu recomeçaria com alguns dólares e uma mochila velha?
E foi quando eu vi, quase brilhando com uma seta neon... o carro de Sam, não pensei para correr e abrir a porta antes que ele conseguisse me expulsar dali.
Eu não devia mais nada a ninguém não tinha mais nenhuma amarra, não havia nada que eu pudesse fazer para conseguir viver aquela vida que eu estava vivendo, mas eu não ia dizer ao Sam que minha vida estava ruindo e por isso eu precisava entrar no carro dele.
Então a minha desculpa escolhida foi precisar procurar a amante do meu marido.