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2179 Palavras
Darius Os feromônios de Kysha pulsavam em ondas quase palpáveis, subjugando meus sentidos. Era tão forte e inesperado que fiquei sem palavras até que ela se lançou sobre mim, agarrando minha camisa com força. Não havia nada além de luxúria e desejo em seus olhos. — Kysha? — gritei, tentando afastá-la, mas qualquer tentativa de raciocínio se mostrou inútil. Suas mãos continuaram a explorar meu corpo, deslizando sobre meu peito. — Que diabos...? — tentei empurrá-la suavemente, mas ela rebateu minhas mãos como se fossem mosquitos irritantes, inclinando-se para beijar minha clavícula. Com um vigor intenso, tentei me afastar. — Ei, Kysha. Para! — Agarrei seus pulsos, mas ela era forte e altamente treinada. Livrou-se das minhas mãos com facilidade e voltou a atacar. O cheiro dela drenava meu autocontrole rapidamente. Kysha sempre se lançava em missões perigosas, assumia operações traiçoeiras, sempre tentando provar seu valor. Ela me irritava, me desafiava, e era a única capaz de quebrar meu autocontrole calculado e preciso. E naquele momento, não ajudava em nada. Ela se aproximou, os olhos semicerrados de desejo. — Me fode, Darius — gemeu. O choque me deixou boquiaberto, mesmo com meu corpo traidor respondendo instantaneamente. Em um segundo, fiquei duro — em parte pelas palavras, em parte pelos feromônios e pelo calor intenso que emanava dela. Uma urgência primitiva se apoderou de mim, desejando rasgar suas roupas ali mesmo, em plena calçada, sem pensar nas consequências. Fechei os olhos com força e tentei me recompor. Consegui, embora com dificuldade, recuperar parte do controle. Abri os olhos, apertei seus pulsos e a prendi no chão. Seus quadris se arquearam, tentando esfregar-se em mim, aumentando meu desespero silencioso. Que p***a estava acontecendo? Isso não era típico dela. Se eu não visse seu rosto, teria jurado que não era Kysha. Lembrei-me do vídeo, lembrei-me do i****a colocando algo em sua bebida. Será que aquilo tinha causado esse calor insano? Não havia outra explicação. O veneno, sedativo ou droga que ele tentou usar não apenas falhou, mas provou um efeito totalmente inesperado. A faca ainda estava cravada em seu ombro, e a prata queimava meu olfato, misturando-se com o cheiro de sangue e adrenalina. Pânico e raiva me invadiram. Ela estava sangrando muito rápido. Quem sabia o que a lâmina havia atingido? Certamente algo vital. Mais uma vez, Kysha se livrou da minha mão e seu braço disparou à frente, os dedos acariciando meu p*u por cima da calça. — Por favor — ela choramingou. — Me dá. Eu preciso. O toque dela sobre mim, a fricção e o gesto desesperado quase me fizeram perder completamente o controle. Minha mente entrou em curto-circuito, incendiada pelo desejo, pela adrenalina e pelo medo. Imaginei como seria se estivéssemos em qualquer outro lugar, seguro e isolado. Imaginei o toque dela, a i********e de nossos corpos, o calor de sua pele contra a minha, e o som dos nossos gemidos ecoando. — Não — sibilei para mim mesmo, balançando a cabeça. — Não. Tive que reunir todas as minhas forças para ignorar os feromônios, as palavras e ações de Kysha, focando no que precisava ser feito. A culpa me consumia — ela estava ferida, e lá estava eu, completamente consumido pelo desejo. Kysha se lançou sobre mim novamente, mas o cabo da faca bateu no meu peito. A lâmina se cravou mais fundo em seu ombro, e ela gritou. Fazendo uma careta, segurei a faca e a retirei cuidadosamente de sua carne, pressionando rapidamente o ferimento para estancar o sangramento que escorria pelos meus dedos. Ela olhou para minhas mãos, os olhos arregalados. — Deuses — sussurrou. — Pelo menos me toque. Me dê alguma coisa. Sua voz transbordava desespero e desejo, quase como se a excitação tivesse se misturado à dor física. Meu corpo reagiu imediatamente; minha ereção pulsava com força. Eu estava preso numa névoa de desejo, e pensamentos coerentes eram impossíveis de encontrar. Pisquei, tentando afastar as imagens mentais, concentrando-me na necessidade de mantê-la viva. — Jorge? Peter? Onde diabos vocês estão? — gritei pelo rádio. — Kysha precisa de atendimento médico! A voz de Jorge, ofegante, respondeu alguns segundos depois: — Chamamos uma equipe médica. Estamos procurando o metamorfo leão. A equipe médica está a dez minutos de distância. — Dez minutos? Por que diabos vai demorar tanto? — rosnei. — O mais próximo recebeu uma chamada sobre um agente atacado por um demônio rebelde. Má sorte. Mas eles estão a caminho. — p***a — resmunguei, apertando os dentes. — Tudo bem. Deixei que voltassem à caçada. Kysha se sentou, ainda tremendo, e me abraçou, lambendo e chupando meu pescoço. Não estava facilitando nada. Eu precisava agir, ou o pouco controle que restava seria destruído. Em poucos minutos, estaríamos fora de controle, perdidos em nossos impulsos. Kysha subiu em meu colo, rasgando minha camisa em segundos. Suas mãos deslizavam pelo meu peito suado pelo esforço de contê-la. Lágrimas escorriam de seus olhos, uma mistura de dor pelo ferimento e calor intenso. Olhei ao redor: estávamos sozinhos. Uma pequena bolsa pendia transversalmente sobre seu peito. Procurei rapidamente e peguei o celular dela, procurando o número de Charlie. Talvez ouvir a voz dele pudesse ajudá-la a se recompor. — Ei, querida, o que está acontecendo? — Charlie perguntou assim que atendi. — Charlie, aqui é Darius Blackwood. Preciso que você... — Meu Deus, eu quero tanto chupar seu p*u. Por favor, Darius, só um segundo? — sussurrou Kysha, a voz entrecortada pelo desejo e pela dor. Fechei os olhos, estremecendo com o que viria a seguir. — Que diabos era isso? — Charlie gritou pelo telefone. — Era mesmo a Kysha? — Não é o que você está pensando — respondi, tentando que ele percebesse a seriedade na minha voz. — Tá querendo t*****r com a minha garota? Seu merda, juro pela Heline que te mato se tocar no que é meu! — — Charlie, não há tempo para isso! — interrompi. — Kysha foi esfaqueada e envenenada. Preciso que vá até a Black Pine Brasserie, em Cullman, agora. Depressa! Kysha choramingou, quase implorando: — Ai, deuses. Droga, me faça gozar. Me faça gozar, e acaba logo. Por favor, Darius. Merda. Charlie continuava gritando, ignorando completamente a gravidade da situação. Os últimos cinco minutos tinham sido alguns dos mais estressantes e ridículos da minha vida. Eu já não tinha paciência, principalmente com o babaca do suposto namorado predestinado de Kysha. — Charlie, por favor, cale a boca e escute. Kysha está machucada. Ela precisa de você aqui, agora, antes que eu tenha que lidar com isso sozinho. — Cortei a ligação e joguei o telefone no chão, sentindo um alívio misturado à frustração. A cada minuto que tentava conter Kysha, meu autocontrole se esvaía. Quando Charlie finalmente apareceu, acompanhado de Emily, a amiga feiticeira de Kysha , senti um misto de alívio e irritação. Claro, ele chegou justamente quando Kysha se inclinava, lambendo meu mamilo exposto. Eu queria afastá-la, mas estava ocupado demais mantendo pressão sobre seu ferimento de faca. Os olhos de Charlie brilharam de raiva, os punhos cerrados. Ignorando o sangue e a dor visíveis, apontou para mim: — Seu filho da p**a! O rosto de Emily empalideceu diante do sangue escorrendo de Kysha. Ela correu e posicionou as mãos sobre o ferimento, tentando estancar o sangramento. Ter mais alguém ali foi um alívio. Minha própria luxúria e desejo se dissolveram diante da urgência. A culpa começou a ressurgir; Kysha era minha melhor amiga, e eu estava deixando o desejo e a excitação se sobreporem à realidade. Deuses, que merda eu estava pensando. Charlie continuava blefando: — Não acredito nisso. Vou garantir que meu pai te demita. Ele conhece pessoas. Pessoas poderosas. Você vai — Droga, quer calar a boca? — interrompi, virando-me para oferecer Kysha a ele. — Aqui, pega ela. Emily balançou a cabeça com firmeza: — Não. Ela está perdendo muito sangue. — Virou-se para Charlie, impondo autoridade. — O que quer que tenha envenenado ela deve ser altamente tóxico. Olhe para ela. Ele olhou para o rosto pálido de Kysha e sua expressão suavizou um pouco, mas não o suficiente para meu gosto. — É? Conserte ela. Você é uma fada, né? — disse emburrado. — Quero ir pra casa. — Então, estremeceu de desgosto. — Deuses, ela está fedendo a sangue. Vou ter que dar um banho nela quando chegarmos. Uma raiva flamejante brilhou nos olhos de Emily. Eu tive a sensação de que, sem minha presença, Charlie talvez não tivesse saído dali vivo. Com os dentes cerrados, Emily murmurou: — Farei o meu melhor, mas não entendo muito de feitiços de cura. Acho que consigo estancar o sangramento. Ela colocou as mãos no ombro de Kysha e murmurou palavras suaves e ritmadas. A cabeça de Kysha pendia de lado, a respiração tornando-se pesada, mas lenta. Ela havia sido acalmada, ao menos temporariamente. O sangue que escorria tinha diminuído para um fio tênue. Suspirei, aliviado, sentindo cada músculo relaxar após a tensão de tentar impedir que Kysha se machucasse ainda mais. Por alguns segundos, a cena se estabilizou. O perigo imediato estava contido, mas a adrenalina ainda pulsava em minhas veias. Precisava manter a vigilância — Kysha estava ferida, vulnerável e, de alguma forma, ainda intoxicada pelos efeitos do veneno e do ferimento. E eu não podia me permitir perder o controle novamente. Charlie, no entanto, parecia mais preocupado em se recuperar do que com qualquer outra coisa. Ele olhou para o relógio e depois para Emily. — Ela está bem agora? Você pode nos levar para casa? Quero assistir ao jogo que começa logo. Emily suspirou, dando um leve aceno na direção dele. Antes que pudéssemos reagir, os olhos de Charlie rolaram para trás e ele caiu no chão, batendo a bochecha no pavimento, profundamente adormecido, como se fosse uma cópia inconsciente de Kysha. Fiquei boquiaberto, observando sua boca aberta e os roncos altos que saíam dele, tão intensos que pareciam um trem de carga. Quando olhei para Emily, ela me lançou um sorriso envergonhado e deu de ombros. — Ele é um i****a. Sorri de volta para ela. Sempre considerei a amiga de Kysha um pouco volúvel, meio descontrolada. Mas agora eu a admirava. Ela cuidaria da Kysha, não importando o que acontecesse. Eu tinha certeza disso depois de ver a forma firme e prática como lidou com Charlie. Meu fone de ouvido voltou a chiar. — Darius? Você aí? — Estou aqui, Peter. O que está acontecendo? — A equipe médica estará no restaurante em menos de três minutos. — suspirei aliviado. — Graças aos deuses. Momentos depois, a equipe chegou. Emily e eu recuamos e os deixamos trabalhar. Um dos médicos olhou para o corpo inconsciente de Charlie no chão. — E ele? Precisa de ajuda? — Ah, não — disse Emily. dispensando-o com um gesto firme. — Ele está sofrendo de uma doença terminal. Não tem cura. Mas obrigada por perguntar. O médico franziu a testa, mas voltou a colocar Kysha na maca com cuidado. Emily olhou para mim antes de me puxar de lado. — Obrigada por ajudá-la. Se você não tivesse pressionado o ferimento, ela teria perdido ainda mais sangue. Acho que ela ficará bem quando a levarem a um curandeiro treinado. Dei de ombros. — Sem problemas. Ela faria o mesmo por mim. Emily fez uma careta, mas com um leve sorriso. — Provavelmente, mas ela teria reclamado por semanas depois. Eu sei que deveria estar sempre ao lado dela, inclusive te odiando — disse, revirando os olhos. — Os deuses sabem que ela deixa isso bem claro, mas eu ainda aprecio tudo o que você faz para mantê-la longe de problemas. Só lembre-se: nunca posso dizer isso quando ela está consciente. Então, se eu for chata com você da próxima vez que nos encontrarmos, saiba que é por isso. Rindo, assenti. Era um bom lembrete de que Kysha me odiava. Tudo remontava àquele dia, há tanto tempo. Pelo que conseguia me lembrar, aquela foi a última vez que a vi coberta de tanto sangue. Havia mais naquele dia do que eu queria admitir, uma verdade incômoda que sempre me perseguia. Engoli em seco e afastei o pensamento. — Entendo. Obrigado por vir, Emily — disse, minha voz mais calma, quase resignada. Minhas próprias emoções em relação a Kysha sempre foram confusas. Eu me preocupava com ela, agindo quase como um irmão mais velho no trabalho, tentando impedir que ela se perdesse em suas próprias escolhas impetuosas. Ela estava constantemente em apuros — ou ao menos era assim que me parecia. Quaisquer outros sentimentos que eu pudesse ter permaneciam sob rígido controle, enrolados, dobrados em minha mente. O calor do corpo dela, a umidade de sua língua, as coisas que ela disse e pediu... quase me enlouqueceram. Fiquei grato por tudo ter acabado, ou ao menos tentei me convencer disso. Aquela droga, fosse lá o que fosse, era o único motivo para ela ter se comportado daquela maneira. Eu precisava me lembrar disso, me agarrar a essa explicação como a uma âncora, se quisesse manter a sanidade perto dela.
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