Kysha
Minha cama estava úmida de suor. Foi a primeira coisa que notei ao abrir os olhos. Tudo, desde o momento em que o alvo entrou no restaurante até abrir meus olhos na cama, foi uma grande névoa febril. Eu não tinha ideia de quanto tempo estava inconsciente, mas devia ter sido pelo menos alguns dias. O calor forçado a que fui submetido havia drenado todas as minhas forças. do meu corpo, deixando-me fraca e exausta.
Eu entrei e saí de um sono profundo pelo que pareceram dias. Eu me lembro de flashes de curandeiras fadas. médicos humanos e médicos metamorfos trabalhando em mim. O que quer que tenha acontecido deve ter sido r**m.
Duas intravenosas estavam conectadas ao meu braço. Olhei para as bolsas. Uma parecia ser uma solução de hidratação, enquanto o outro tinha uma cor roxa escura.
— provavelmente alguma poção de cura que uma fada tinha preparado. Com cuidado para não me machucar, puxei os dois tubos do meu braço. Eu odiava ver aquelas coisas saindo de mim. Eu só conseguia imaginar como estava abatida com tubos e fios. Eu detestava parecer fraca. Mas, estou me sentindo melhor do que em qualquer momento desde aquele gole de vinho, decidi que seria bom tentar voltar a me sentir como eu mesma.
Me acomodei nos travesseiros atrás de mim e observei o ambiente familiar. Estava na casa da minha família. Do lado de fora da janela, a imensa floresta das Terras Selvagens Orientais se estendia para além da propriedade do meu pai. As terras da Décima Primeira Alcateia talvez não fossem tão vastas quanto as de outras, mas continuavam magníficas. Fiquei aliviada por estar ali, e não em um hospital.
Algumas garrafas de água repousavam sobre a mesa de cabeceira ao lado da cama. Avidamente, agarrei uma. A água em temperatura ambiente deslizou pela minha garganta seca como um elixir celestial. A intravenosa certamente me impediu de desidratar, mas nada se comparava ao simples prazer de um gole de água quando se tem sede.
Depois de beber até me fartar, percebi que ainda não estava totalmente de volta ao normal. Os curandeiros haviam me tratado com rapidez, e toda a sensação dolorosa — aquela estranha urgência que me consumia — havia, enfim, desaparecido.
Minha v****a realmente doía para ser preenchida, e não de um jeito bom. Os efeitos residuais ainda estavam no meu corpo, no entanto. Um desejo insistente ainda pulsava dentro de mim, e a umidade se acumulava entre minhas pernas.
Talvez se eu me masturbasse, o orgasmo eliminaria o resto da substância. Deuses, Eu não poderia pensar com a luxúria aquecendo minha b****a. Eu preciso ter controle total do meu corpo se eu quiser enfrentar as reuniões, os questionamentos e talvez até as repreensões que eram comuns depois de uma operação m*l sucedida.
Deslizei a mão por baixo das cobertas e, em seguida, por baixo do cós da calcinha. Uma respiração estremeceu enquanto meus dedos deslizavam pela minhas b****a molhada. Olhando de relance para a porta para me certificar que não tem ninguém chegando. Eu fechei os olhos e deslizei a ponta do meu dedo médio pelo meu c******s.
Sem que eu quisesse, uma lembrança inundou minha mente: Darius embalando meu corpo. O cheiro dele, o gosto da sua pele, os músculos ondulantes do seu corpo sob minhas carícias. Eu estava encharcada só de pensar. Ao deslizar um dedo para dentro de mim, um gemido escapou dos meus lábios. O som da voz de Darius, profunda e sexy como se ele estivesse tentando me acalmar, me deixou em frenesi. Minha mão trabalhava furiosamente entre as minhas pernas enquanto mil fantasias se desenrolavam em minha mente.
Imaginei-nos naquele estacionamento, mas em vez de esperar por ajuda, Darius cedeu aos meus pedidos. Me deu o que eu estava desesperada por ter. Um segundo dedo deslizou para dentro da minha b****a enquanto eu pensava nele rasgando meu vestido, meus s***s livres e doloridos pelo toque de suas mãos e lábios. Ele deslizava sua língua sobre meus m*****s enquanto eu puxava febrilmente seu zíper até que seu p*u grosso finalmente estava em minhas mãos.
Era errado — não, era completamente errado — pensar nisso, mas, depois que comecei, não consegui parar. A droga a poção que aquele metamorfo-leão me deu ainda estava me perturbando, e tudo o que eu podia fazer era aguentar.
Esfreguei meu c******s com a mão livre enquanto a outra continuava a penetrar e a sair de mim. Minha respiração se dividia em suspiros curtos e superficiais. A próxima imagem que me veio à mente foi a dos músculos rígidos e definidos de Darius, cobertos de... um brilho de suor, suas mãos fortes agarrando meu quadris enquanto seu
pau deslizou fundo em mim, até as bolas, e foi como se eu estivesse completa. Inteira. Depois de vinte e três anos de vida, esse momento foi o mais intenso que eu já tive. A sensação de Darius me preenchendo deveria ter sido horrível de imaginar. Em vez disso, soltei um suspiro de satisfação.
Por alguns breves segundos, desejei que não fosse uma fantasia. Se imaginar me fazia sentir assim, como seria a realidade?
Antes que eu pudesse mergulhar nesse pensamento, um tremor violento me percorreu. Uma explosão de êxtase crescia dentro de mim, como se eu estivesse sendo erguida no ar, subindo e me preparando para despencar em êxtase.
Na minha fantasia, Darius começou a me f***r mais rápido, quase como se sua vida dependesse de me fazer gozar. O suor escorria da testa dele para a minha barriga, e eu deslizei meus dedos por ele antes de segurar meus s***s.
Então, como uma bomba desligando minha mente e corpo, o prazer surgiu da minha b****a subindo pelo meu peito e atravessando todo o meu corpo. Continuei pressionando meus dedos contra mim mesma, surfando na onda. Por um momento, pensei que nunca terminaria, mas depois diminuiu deixando-me ofegante e inundando ainda mais minha cama.
Eu olhava para Darius, gemendo e batendo os quadris dentro de mim enquanto seu próprio orgasmo me atingia. Sorrindo, observei-o mentalmente. O sorriso desapareceu tão rápido quanto surgiu. Meus olhos se abriram de repente e olhei ao redor, uma culpa imensa e imediata, tingida de horror e nojo, descendo sobre mim.
Sentando-me, respirei fundo e estremeci. Minha pele se arrepiou com a fantasia da pessoa que era meu maior inimigo, o único homem que sempre conseguiu me irritar.
Ele fez mais do que me irritar um momento antes, pensei, e então estremeci com minha piada sem graça.
O pior era que Darius era um homem inerentemente lindo. Qualquer outra mulher estaria babando e se esforçando para que ele ao menos olhasse para ela. Isso era algo que eu jamais poderia imaginar fazer. Tínhamos muita história, muita bagagem. Não. Eu precisava esquecer que um dia eu havia escorregado e tido aqueles pensamentos.
Culpei a droga. Ela tinha mexido com a minha cabeça e me colocado nessa posição. Se um velho gordo e cambaleante, com uma perna só e fungos no rosto, tivesse me encontrado em vez de... Darius, Eu ia ter os mesmos pensamentos que estava tendo com Darius.
Com o próprio Darius. Fazia sentido — era o que eu repetia para mim mesma como um mantra, jurando que nunca mais teria um pensamento profano sobre ele até o dia da minha morte.
Assim que me senti quase completamente recuperada, olhei para a mesa de cabeceira e encontrei meu celular carregado. Quando a tela acendeu, precisei piscar e conferir a data duas, três vezes. Três dias? p**a merda. Se aquilo estivesse certo, minha cerimônia de acasalamento seria no dia seguinte.
Afundei de volta nos travesseiros. Charlie e eu tínhamos escolhido a data semanas antes, mas meu acidente poderia ter mudado os planos. Eu tinha uma lembrança vaga dele no estacionamento, no momento em que Darius me encontrou. Fechei os olhos, tentando decidir se aquilo foi real ou apenas um sonho febril dos últimos dias. Por mais que me esforçasse, tudo o que conseguia lembrar era Darius.
Desisti, afastando esse caminho perigoso de pensamentos. O cara estava gravado na minha mente, e eu precisava parar de pensar nele. Esperava, sinceramente, que Charlie não estivesse por perto — isso só tornaria tudo mais estranho entre ele e Darius. Os dois nunca se suportaram.
Alguns minutos depois, decidi testar minhas pernas. Tirei os pés de debaixo das cobertas e me levantei. Não me senti tonta nem fraca, mas estava… nojenta. Percebi que não tomava banho desde o dia da operação. Um banho com certeza ajudaria. Depois de me limpar, seria mais fácil encarar qualquer resquício do que me aconteceu.
No banheiro, tirei a camiseta e a calcinha e me observei no espelho. Eu havia perdido um pouco de peso, o que fazia meus músculos parecerem ainda mais definidos. Uma pequena cicatriz branca e recente marcava o ombro, perto da clavícula — quase imperceptível. As fadas curandeiras tinham feito um ótimo trabalho; ninguém notaria a não ser que soubesse exatamente onde olhar.
Depois do banho, vesti uma blusa larga, leggings e tênis, e sequei o cabelo. Impressionante como me senti melhor. Assim que saí para o corredor, ouvi um suspiro e vi Emily se levantar de um salto. Parecia que estava de vigília em uma cadeira do lado de fora do meu quarto — só Deus sabia há quanto tempo.
Ela correu para mim e me abraçou, lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Meu Deus… você está bem, você está mesmo bem! — soluçou.
Tudo o que pude fazer foi abraçá-la de volta. A culpa escorreu por mim como uma corrente fria. Eu não tinha feito nada de errado, mas minha lesão tinha deixado Emily desesperada, e isso me fazia sentir péssima.
Quando as lágrimas dela finalmente diminuíram, dei um tapinha em suas costas.
— Emily, está tudo bem. Estou ótima. Acabou — garanti.
Ela se afastou, enxugando os olhos e o nariz.
— É… mas seu vestido não está. Você o estragou — disse, com um risinho.
Retribuí o sorriso.
— É, uma facada no ombro e uns bons 450 ml de sangue bastam. Fico te devendo uma. Que tal uma semana inteira de noites só de garotas? Máscaras de lama, vinho, filmes melosos e muito chocolate?
— Faça chocolate branco e você tem um acordo — retrucou ela.
Torci o nariz.
— Esquisita. Mas está bem.
— Oh, graças à Deusa! — uma voz exclamou atrás de nós.
Virei-me e vi minha mãe correndo em minha direção, meu pai logo atrás, com um sorriso de alívio.
— Estávamos vindo ver como você estava — disse mamãe. — estávamos loucos de preocupação.
Ela me envolveu em um abraço quase de quebrar as costas. Não chorou como Emily, mas o jeito como me apertou dizia tudo. Quando enfim me soltou, foi a vez do papai me abraçar.
— Tivemos os melhores médicos e curandeiras da matilha — disse ele. — E eu avisei: se eles errassem uma agulha, eu os caçaria um por um.
Emily riu.
— Posso confirmar — comentou.
Meu irmão Kolton subiu a escada às pressas, o olhar frenético.
— Kiki?
Revirei os olhos.
— Quase morri e você ainda me chama assim?
Ignorando a provocação, ele me pegou no colo e me girou. Ri, apesar de tudo.
— Eu já me preparava para escrever na sua lápide: “morta por um metamorfo-leão”. Seria uma vergonha vitalícia para mim — zombou.
— Cale a boca! — ri, empurrando-o.
— Kolton, você não devia balançar a pirralha assim. Ela ainda está se recuperando — uma voz grave interrompeu.
Uma onda de irritação percorreu meu corpo. Darius. Todos os pensamentos impróprios de minutos atrás evaporaram. Empurrei as lembranças do que aconteceu no estacionamento para o fundo da mente, tentando sufocar a vergonha, mesmo quando o calor subiu às minhas bochechas.
— Darius — cumprimentei, seca.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Kysha.
Cruzei os braços.
— Não sabia que a Décima Primeira Alcateia andava fazendo parceria com lobos solitários agora.
Se a provocação o afetou, ele não demonstrou. Parecia até satisfeito.
Papai suspirou.
— Kysha, você sabe que Darius e Kolton são amigos. E que os lobos solitários têm sido uma grande ajuda para nós nos últimos anos.
— Claro, mas será que podemos realmente confiar neles? — retruquei, com um aceno de cabeça para Darius. — Forasteiros desleixados infiltrados nas famílias, é isso que queremos?
A tensão no ar poderia ser cortada com uma faca. No fundo, minha raiva não era contra Darius, mas contra mim mesma — por ter permitido que ele ocupasse meus pensamentos.
Kolton revirou os olhos.
— Eu encontrei Darius durante a corrida e o trouxe para ver como você estava. Relaxa.
— Corrida? Agora membros não-oficiais da matilha participam de corridas? — perguntei.
— Parem vocês dois — interrompe o papai. — Não podemos simplesmente ficar felizes porque Kysha está bem?
— Exato — disse Kolton. — E você não devia ficar feliz porque Darius salvou sua vida?
— Emily salvou minha vida, não ele — rebati.
Emily pigarreou.
— Eu não teria percebido nada se Darius não tivesse chamado Charlie. Depois Charlie me ligou e me obrigou a correr até lá. Você teria sangrado até a morte. Então… bem, Darius meio que te salvou.
Eu amava minha melhor amiga, mas naquele momento poderia tê-la estrangulado. Ela falava a verdade, mas eu preferiria que tivesse alimentado minha versão dos fatos.
Darius parecia conter um sorriso presunçoso. Pela expressão dos meus pais, entendi que era hora de ceder.
Suspirei.
— Hum… obrigada, Darius — murmurei, entre dentes.
— Sem problemas — respondeu ele, com um brilho divertido no olhar. — Um dia você vai encontrar uma forma de me retribuir por todas as vezes que salvei sua pele.
As palavras me atingiram como flechas em chamas, fazendo a raiva borbulhar. Antes que eu retrucasse, mamãe interveio:
— Agora que Kysha está recuperada, precisamos garantir que tudo esteja pronto para a cerimônia oficial de acasalamento amanhã.
Fiquei boquiaberta.
— Então… ainda vai acontecer?
— Sim — confirmou mamãe. — E é melhor assim. Os rumores de guerra crescem a cada dia. Quanto antes unirmos nossas matilhas, mais fortes estaremos. Não podíamos adiar, a menos que você estivesse inconsciente ou em mau estado. — Ela sorriu, radiante. — Estou tão feliz que você e Charlie finalmente vão oficializar.
Emily suspirou, monótona:
— Realmente… feliz.
Kolton desapareceu assim que ouviu a menção da cerimônia. Darius, por algum motivo, ainda permaneceu ali, como se a conversa também fosse dele.
Levantei a mão.
— Se está esperando outro agradecimento, vai esperar umas décadas. Podemos ter um pouco de privacidade?
Ele fez uma careta, mas saiu, enquanto mamãe continuava a falar animadamente sobre os preparativos.
— Charlie ficará radiante em finalmente tê-la como companheira. Você vai estar deslumbrante no vestido. Aposto que vai parecer a própria Deusa da Lua.
Dei um suspiro de alívio quando Darius finalmente se afastou. Nem ele nem Kolton aprovavam meu noivado com Charlie, mas a união fortalecia nossa matilha — e eu estava disposta a fazer o necessário para garantir nossa sobrevivência.
As tensões entre as matilhas cresciam.Pequenas escaramuças se transformavam em embates perigosos. Os boatos de guerra já não eram apenas sussurros; eram um rugido que ecoava por toda parte. A Décima Primeira Alcateia, periférica e menor, não resistiria a um ataque das grandes. O vínculo com a Nona era a única forma de garantir proteção.
— Kysha, querida — chamou minha mãe, interrompendo meus pensamentos —, quer ensaiar o cabelo e a maquiagem para amanhã?
— Tenho umas ideias — disse Emily com um sorriso travesso. — Quando eu terminar, o Charlie vai querer… hum, arrancar o fôlego.
Papai fez uma careta. — Essa é minha deixa para sair — comentou, sumindo pelo corredor.
— Certo — respondi, rindo. — Vamos.
Segui mamãe e Emily de volta ao quarto. Eu não estava nem um pouco animada com a cerimônia de acasalamento. Charlie era um bom companheiro, mas jamais teria sido minha escolha — nem de longe. Tudo o que eu podia fazer era afastar a inquietação, permitir que elas cuidassem de mim… e me preparar para o grande dia.