Eu ainda nem havia sido coroada, mas os deveres já pesavam como uma coroa de ferro sobre meus ombros. Compromissos inadiáveis, sorrisos forçados, decisões que exigiam mais maturidade do que eu sentia possuir. Não havia espaço para reclamações — essa era a minha vida agora, e, ao que parecia, seria assim até o fim. O que antes parecia um sonho dourado agora começava a se revelar como uma prisão de luxo, sufocante, implacável. E, como se não bastasse, havia Nikolai. O som da sua voz repetindo que me escolheu, que se apaixonou por mim, ecoava na minha mente como um mantra falho, uma prece que eu não sabia se deveria acreditar. Eu me agarrava a isso como se fosse uma boia em um mar tempestuoso, mas, no fundo, me parecia mais um fardo do que um consolo. “Ele está comigo por comodismo”, pensei,

