The Unwanted

763 Palavras
Daniel Stifler era conhecido pelo departamento por sua inconstância. Apesar de ser qualificado para o cargo, sua personalidade apenas destacava sua esquisitice. Cheio de trejeitos, o cientista forense amava seu trabalho de forma que mesmo as cenas mais preocupantes e grotescas o extasiava. Um gênio incompreendido, Stifler mantinha sempre o cabelo ruivo bem penteado e carregava um sorriso estranho e cheio de dentes. Poucos pareciam ver mais do que um garoto que andava esquisito e possuía mais espinhas do que o normal para quem já havia saído da puberdade. Jeremiah Gargia, no entanto, o aceitou como pupilo assim que Daniel começou uma conversa sobre Criminal Minds e como deveria ser interessante trabalhar para FBI. Apesar da sua obsessão por serial killers — coisas que graças a Deus não era recorrente em Lee’s Summit —, o tanto que Stifler era curioso, ele era inofensivo. Jeremiah encontrou-o tirando fotos da cena do crime. Os corpos já haviam sido encaminhados ao OCME* e, assim que chegasse na delegacia, as imagens das estradas de Raytown iriam estar disponíveis para averiguação. Ainda havia uma equipe vasculhando o perímetro da casa com cachorros de caça e mais tarde organizaria as convocações para depor na polícia. Com cuidado, o detetive começou a vasculhar por algum furo em seus planos, mas parou assim que percebeu que Stifler não estava sozinho. Fiscalizando o trabalho da perícia, o Detetive Richard Lawrence caminhava pelo sótão impacientemente. Jeremiah respirou fundo, temendo que a presença de Lawrence significasse o que havia cruzado sua mente, embora a verdade estivesse escancarada à sua frente: depois de três meses sem um parceiro, finalmente o capitão havia lhe designado alguém para trabalhar junto com ele. No entanto, esperar por um novo colega de trabalho nunca foi-lhe tão desanimador, levando em consideração que teria que lidar com o maior almofadinha da delegacia. — Algum problema, Richard? — indagou Jeremiah, ensaiando uma expressão serena, porém cautelosa. — O que aconteceu com sua camisa? Jeremiah soltou um resmungo ao perceber que ainda tinha manchas vermelhas em sua vestimenta. Eram discretas, mas era seu dever ter no mínimo a trocado. — Problemas de trabalho, eu acredito — respondeu sem se abalar. Richard, no entanto, incomodou-se com sua atitude. — Está aí o porquê de não se mandar qualquer detetive para o campo. Jeremiah colocou as mãos nos bolsos da calça, a sensação térmica baixando assim que encarou sem medo o melhor e mais insuportável detetive de Lee’s Summit. — Concordo, detetive — disse ele. Stifler levantou o olhar de sua câmera, estranhando a atitude de Jeremiah. Gargia era conhecido por não levar desaforo para casa e sua atitude cordial era anormal para aqueles que o conheciam. — Agora, se me der licença o detetive qualquer aqui precisa fazer seu trabalho. Daniel levantou as sobrancelhas e segurou o riso. Observou Jeremiah aproximar-se de Stifler, que sorriu ante ao amigo. — Dia difícil? — Nem me fale — respondeu Gargia — Diga-me o que era tão interessante que me fez vir até aqui. Com uma animação renascida, Stifler se pôs a falar do modo organizado em que o criminoso executou o assassinato. Tudo indicava que a diferença da hora da morte era de menos de um dia e havia apenas três cadeiras no sótão, não quatro. Havia pacotes de salgadinhos e doces jogados por todas as partes; todos dentro da validade. Os pequenos pacotes de suco de caixa e garrafa de água foram levados em busca de um DNA que pudesse levar ao culpado. Apesar de ser explicado para o Detetive Gargia, Lawrence os rodeava como abutre em busca de respostas. Ele anuía, fazia notas e perguntas, transformando a paciência de Jeremiah em graus menores a cada segundo. Seu jeito invasivo era fogo aceso perto da pólvora que era o temperamento de Gargia. Embora tenha melhorado com a idade, sua essência impaciente ainda permanecia intacta diante de idiotas que não sabiam seu lugar. E, com toda certeza, Lawrence era um deles. — Vou precisar que tragam os cachorros para farejar a área de dentro. Talvez tenha algo que estamos esquecendo. Lá fora, encontrei algumas pegadas que iam para fora do perímetro em que os policiais estavam, vocês deveriam dar uma olhada — disse Richard meio sugerindo, meio ordenando. De toda maneira, ainda assim recebeu o olhar arqueado de Gargia de “você sabe que esse caso é meu?” que era muito mais efetivo do que as palavras propriamente ditas. Foi quando Lawrence sorriu, o bastardo. — O que há, Gargia? Não me diga que não sabe que somos parceiros a partir desse caso?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR