Maya narrando
Eu que sempre fui uma pessoa totalmente afrontosa e revoltada com o mundo, parece que agora nada disso faz sentido, estava me vendo totalmente de mão atadas. Eu não acho que Vicente era uma pessoa r**m, mas não queria ter que me casar e muito menos assinar um contrato.
Eu olho clausula por clausula para ver se alguma delas iria me prejudicar, pelo pouco que eu entendia, parecia que estava tudo Ok, eu me sento no banco do piano com os papeis em mãos, enquanto Vicente serve dois copos de bebida e coloca um em cima do piano e eu o encaro e abro um leve sorriso, volto a olhar os papeis e fico pensando se deveria ou não assinar eles.
Começo a pensar em Vicente, na forma em que nos conhecemos e nas poucas palavras que trocamos antes do casamento e depois ele ainda foi atrás de mim e me salvou daqueles homens, ele não parecia ser um homem m*l, realmente ele queria me ajudar, mas sei que esse casamento também irá beneficiar ele, como as pessoas não irão tratar ele como o noivo que foi abandonado no altar, porque voltaríamos a nos casar.
— Se tiver algo que você não concorda, posso mandar mudar conforme a sua escolha – ele fala.
— Parece que está tudo ok – eu falo – a gente vai noivar na festa do natal?
— Sim – ele fala – tenho algumas ideias para o dia.
— Quais?
— Podemos fazer uma festa de natal beneficiente, ajudar ongs, isso iria trazer mídia e colocaria a gente no auge.
— Parece uma ideia legal, mas pelo fato de ajudar as crianças – eu respondo e ele assente.
Após tudo que eu aprontei ter sido descoberto, eu tive que parar de aprontar um pouco e viver a vida da forma que eu sempre gostei, livre, leve e solta, sem me importar e me preocupar com nada, tive que mudar a minha forma de agir, de pensar e de ser em pró do meu pai, eu fico pensando, será que depois que esse contrato finalizar, eu vou poder ser a Maya que eu sempre fui?
Meu pai jamais admitiu tudo que eu fiz e disse que se um dia eu fizesse novamente, ele mesmo sumiria comigo daqui, eu sei que ele não era capaz de fazer nada que pudesse me machucar, mas eu tinha medo de suas ameaças, ele sempre foi um homem com uma presença firme dentro de casa, principalmente na paternidade.
— Contrato assinado – eu falo assinando e entregando para ele – em breve eu serei a senhora Miller.
— Tenho certeza que carregará esse sobrenome com muita sabedoria – ele fala.
— Não irei te envergonhar, se é isso que você quer saber – ele me encara.
— Não foi isso que eu quis dizer.
— No fundo você deve saber, assim como todos, o que eu fiz no passado.
— Confesso que muitas pessoas tentaram me dizer – ele fala – mas isso não me importa, o que importa é o nosso presente e o futuro que estamos traçando com esse contrato.
— Eu espero que tudo isso der certo, porque eu quero que tudo passe rápido e que eu me veja bem longe daqui.
— Não se preocupe – ele fala me olhando – você terá a tua sonhada liberdade.
— E você o seu prestígio? – eu pergunto para ele.
— Uma troca, não é mesmo?
— É.
Vicente guarda os papeis assinados do contrato dentro da pasta e depois sai em direção a empresa, eu me encaro no espelho e abro um sorriso pensando que voltaria a ser a Maya que eu era, sem nenhum trauma, sem Daniel , sem Jonas e sem meu pai.
— Senhora – a governanta me chama – Senhora Maya – eu me viro saindo dos meus pensamentos.
— Sim – eu respondo para ela.
— Chegou isso para você.
— O que é? – eu pergunto para ela.
— Flores – ela fala segurando o buque.
— Claro – eu falo sorrindo – eu quis dizer quem enviou.
— Desculpa, não abri o envelope.
— Tudo bem , eu vejo – ela me entrega – obrigada.
— De nada. – Ela fala se afastando.
Eu coloco as flores sobre o piano e pego o envelope para ver quem tinha enviado, mas não tinha nome apenas uma mensagem.
‘’ Saudades de te encontrar todas as noites na gruta. ‘’
Eu paraliso, não podia ser que o meu passado estava voltando á tona.
(...)
Esse era o meu primeiro compromisso antes da véspera do natal na festa que a gente daria aqui, eu iria acompanhar Vicente em uma festa de sua empresa, algo que poderia ser um sucesso ou até mesmo uma ruina.
— Você pode desistir – Vicente me encara
— Eu nem cogitei por isso.
— Você sabe como essas pessoas vão me olhar.
— Você é minha noiva, ninguém vai tratar m*l você e nem falar de você.
— Na minha frente – ele me encara
— Maya, uma mulher tão bonita como você, para frente, com pensamentos incríveis consegue ter tempo para se importar com o que as pessoas vão dizer?
Sua pergunta ecoa na minha cabeça e ele tinha razão, eu nunca me importei com nada e agora pareço uma garota mimada com medo do mundo, com medo dos julgamentos e eu nunca tive medo de nada.
— Eu não tenho medo por mim – eu confesso – tenho medo por você, de como as pessoas são cruéis e podem te machucar.
— Ninguém vai me machucar – ele fala me olhando – ainda mais com palavras vindo de pessoas infelizes, vamos entrar? Quero contar ao mundo que eu tenho a noiva mais bela do mundo.
— Você é gentil.
— Estou sendo sincero.
Em nenhum momento o nosso relacionamento e as poucas coisas que conversamos saíram por fora do contrato, era tudo dentro dos limites que combinamos e acordamos, realmente a gente queria viver aquele contrato como deveria ser, aos olhos de todos um relacionamento feliz e saudável, longe do olhar de todos um contrato de casamento que poderia nos levar a gloria e quando esse contrato acabar, ambos iriam estar milionários prontos para viverem a sua vida como quisesse e eu livre do meu pai e de todos os julgamentos.
Quando eu e Vicente descemos as escadas de mão dadas, o olhar de toda a sociedade que estava presente naquele salão paralisa em nós, assim como todos os fotógrafos e amanhã eu já imagino qual seria a manchete.
‘’ Empresário Vicente Miller resolve reatar noivado com a apocalpitica Maya Gusman, a noiva que abandonou ele no altar.’’
Teriam manchete relembrando alguns dos meus escândalos na adolescência e até mesmo julgando Vicente Miller por estar comigo, querendo descrebilizar ele.
— Maya – meu pai é o primeiro a se aproximar de nós . – Então vocês resolveram se casar mesmo?
— Estou acompanhando meu noivo – eu respondo para ele e ele me encara.
— Fico feliz Maya, que você tenha tomado Juizo.
— Era isso que o senhor queria, não?
— Era – ele olha para Vicente.
Meu pai abre um sorriso mas ao mesmo tempo me olha um pouco confuso, mas as pessoas começam a se aproximar para nos cumprimentar e confesso que mesmo com tantos olhares curiosos, todos eram super gentis com suas palavras e seus gestos.
— Querida Maya fiquei sabendo sobre as suas doações para as ongs, como você é generosa – uma das mulheres que se aproximam fala e eu apenas olho para Vicente que assente com um sorriso e eu abro um sorriso.
— O meu dever é ajudar o próximo, ainda mais com a empresa Miller onde meu noivo é Ceo é uma da maiores influencias – eu falo sorrindo.
Vejo de longe os pais de Vicente, eles nos encaram e vejo que eles se aproximam, meio contra a vontade.
— Senhorita Maya – Mauro, pai de Vicente fala – é um prazer rever.
— Obrigada, digo o mesmo. – eu olho para a mãe dele – Boa noite Senhora Sara.
— Você não é bem vinda aqui – ela fala me encarando
— Mamãe – Vicente fala
— Eu nunca fui a favor do casamento de vocês, nem mesmo quando foi feito o acordo, você não é mulher para o meu filho.
— Sara – Mauro a repreende
— Vou dar uma volta – ela fala se afastando.
— Não de bola a ela – Mauro fala – ela está um pouco nervosa. – eu abro um sorriso amarelado