Maya narrando
Eu tinha chamado a mesma decoradora que a minha mãe contratava para decorar a casa de Vicente para o natal, e eu mesmo estava fazendo os convites , assim como eu fazia todos os anos com a minha mãe e o primeiro convite enviaria ao meu pai.
Será que ele nunca percebeu que tudo que eu fiz foi para chamar a sua atenção? Que eu era apenas uma filha carente do carinho e do amor de um pai?
Eu encaro Vicente que para na minha frente, eu olho para ele estranhando que ele tinha chego cedo da empresa.
— Chegou cedo – eu falo para ele.
— Terminei antes na empresa e resolvi vir para cá , para te ajudar – ele fala olhando ao redor – mas pelo jeito você já arrumou tudo.
— Eu gosto de natais – eu falo para ele
— Estou percebendo.
— Você não?
— Minha família nunca comemorou – ele fala
— Religião?
— Sim – ele fala
— Mas e você não gosta? – eu pergunto para ele.
— Gosto, é uma data legal.
— Faz anos que não comemoro, a última vez minha mãe ainda estava viva – ele me olha – todos os natais eram um evento esperado por todos. – Ele abre um sorriso me vendo contar. – Depois, ela morreu e tudo desabou.
— Eu sinto muito pela morte da sua mãe, não deve ter sido fácil.
— Teria sido mais fácil se meu pai não tivesse virado a pessoa que virou – eu olho para ele e ele me encara. – Bom, o que importa é que vamos comemorar, não é?
— É – ele fala
— Seus pais vão vir?
— Acredito que sim – ele fala
— Eu fiz os convites – eu falo – vou mandar enviar pelo correio.
— Claro – ele fala – tenho certeza de que a casa vai estar cheia.
Vicente narrando
Antes de subir para o quarto, eu olho para baixo vendo a casa sendo decorada e lembro de 5 anos atrás, como era essa casa viva.
Meu celular toca e era meu pai cobrando porque não estava na empresa, eu sei o que ele iria me dizer, ele mesmo disse que depois não aceitava mais meu casamento com Maya, mas agora não iria retornar, eu iria seguir em frente. A gente se casaria, eu tiraria a minha empresa da falência, depois assinaria o divorcio e vida que seguisse para todos os lados.
Eu tomo um banho e vou até a casa de Raul conversar com ele, preciso avisar que Maya estava comigo e que a gente se casaria.
— Senhor Vicente, pode entrar – a secretária de Raul fala.
— Obrigado – eu respondo.
— Vicente – ele fala – não achei que aparecia tão cedo por aqui. Como está Maya?
— Está bem, bem melhor do que você imagina. – Ele me encara
— E como anda as coisas para o preparativo do casamento? – ele pergunta – ela vai se casar ou não?
— Aqui estão os papeis que ela vai assinar – eu falo – ela acredita que vamos enganar você.
— Você conseguiu convencer ela?
— Jonas está atrás dela e ela quer ser muito mais do que apenas a filha de um homem rico.
— E depois do casamento como você vai parar ela? – ele pergunta
— Eu prometi entregar o dinheiro que você entregaria para mim, após o casamento – eu o encarfo – mas você pode impor algumas coisas depois.
— Como um Herdeiro? – ele pergunta
— Acho que é cedo – eu respondo – Maya, ficaria revoltada e provavelmente desistiria do casamento.
— Eu já sei como superar as dificuldades – ele fala – mas após o casamento, após ela dizer Sim na frente de todos, eu dou o meu bote.
— E qual seria? – eu pergunto para ele.
— Você vai ver – ele responde – você fez um excelente trabalho, conte comigo nas suas empresas.
— Eu tenho que levar os papeis para ela assinar – eu falo me levantando – vamos conversando.
— Ok. – ele fala
— Antes que eu me esqueça – eu falo para ele – Maya vai dar uma festa de natal no dia 24 de dezembro.
— Uma festa de natal? – ele pergunta me encarando – uma festa de natal? – ele repete.
— Isso, seu convite deve chegar , tenho certeza que para ela será importante que você vá. Já que não sei se mais alguém vai ir.
— Vou ver se tenho algum compromisso na agenda, se não tiver. Eu irei.
— Ficaremos aguardando – ele somente assente.
Eu saio da casa de Raul e entro no carro, espero que Maya entenda os meus motivos de falar com o pai dela dessa forma, eu precisava salvar a minha empresa, não queria a enganar e nem trair sua confiança, mas era necessário fazer isso.
Eu estaciono o carro na frente da casa dos meus pais e respiro fundo na hora de descer.
— Mamãe? Papai ? – eu pergunto entrando
— Vicente – Minha mãe fala – é com você mesmo que a gente queria falar. Que historia essa de uma festa de natal e ainda ter retornado com Maya, depois dela ter te abandonado no altar?
— Precisamos salvar a empresa da família, é isso ou nada
— Não está certo – ela fala me encarando – não mesmo.
— Vocês me colocaram pressão, para que eu salvasse a empresa da família, agora deixe que as coisas saiam como eu planejei – ela me encara – espero vocês no dia 24.
— Não iremos – ela fala e eu a encaro.
Eu sei que provavelmente ela não iria vir, mas eu tinha que dar um jeito dessa casa encher nessa festa, para que Maya sentisse que nosso contrato daria certo.
— Bom dia, senhorita Maya – eu falo entrando e faço ela levar um susto, a mesma estava tocando piano. – Não sabia que tocava piano.
— Estou enferrujada – ela fala me encarando
— Eu trouxe o contrato.
— Mas já? – ela pergunta
— Eu trouxe para ver se você está de acordo, se não precisar mudar algo, assinamos ele.
— É claro – ela fala me encarando – E meu pai?
— Ainda não conversei com ele, acho que podemos anunciar o nosso noivado na festa de aniversário da empresa.
— De surpresa? – ela pergunta
— Tem coisa melhor do que surpreender o inimigo? – eu falo rindo e ela me encara.
— Meu pai vai ficar surpreso, realmente ele vai – ela fala – posso ler?
— Fique à vontade. – Eu falo entregando o contrato para ela.
Ela abre um sorriso delicado e pega os papeis nas mãos, ela anda de um lado para o outro lendo aquele contrato linha por linha, sem esboçar nenhuma reação ou algo que eu conseguisse desvendar os seus pensamentos.