Vicente narrando
Eu tinha ligado para o meu pai e ele confirmou a ceia de natal da minha mãe, já era quase 19h da noite e estava marcada a ceia aqui em casa para iniciar as 22h, Maya estava em uma correria sem fim dentro de casa, se arrumando, com empregados para cá e para lá, eu recebo uma mensagem do seu pai:
‘’ Não irei a ceia de natal esse ano. Estou fora da cidade.’’
Eu fico sem entender, porque ele realmente sabia o quanto era importante essa data para Maya, e nem mesmo ele iria vir.
Conforme as horas iam se aproximando das 22h da noite, mais pessoas cancelando a vinda, Maya desce toda arrumada e eu olho para ela.
— Estou tão animada – ela fala – falta alguns minutos para 22h.
Eu a encaro sem saber como iria dar a noticia de que talvez pouca gente viesse ou ninguém, ela estava animada para o recomeço de uma forma que eu jamais imaginei que a viria, ela que era toda revoltada com o mundo mas ao mesmo tempo sonhadora, iria destruir todos os seus sonhos.
— Já está na hora né? – ela fala olhando pela janela, ela encara os empregados – já deveria estar chegando alguém.
— Daqui a pouco deve estar chegando – a organizadora responde a ela.
— Deve ser cedo né? – eu a encaro e vejo o medo em seu olhar.
— Acredito que 22h é um horário bom, mas as pessoas devem chegar mais perto das 23h – ela fala – você aceita uma champanhe?
— Aceito – Maya fala.
— Eu também – eu respondo.
Fico sem saber como reagir nesse momento, ela tomava uma taça atrás da outra e olhava para fora, a organizadora se aproxima de mim.
— Já são quase 23h, não seria melhor avisar, que ninguém vai vir? – ela me encara – a sua mãe contratou uma empresa para realizar o natal, estão todos lá , daqui a pouco ela vai ver as noticias – ela me mostra o celular.
— As pessoas devem vir – Maya fala – são quase 23h, uma hora de atraso, o que é? – ela fala e vejo seus olhos brilhando.
— Maya – eu falo para ela – natal é uma data que a gente passa com a família né?
— Nem meu pai veio – ela fala
— Eu sinto muito – eu falo para ela.
— Ninguém vai vir, não é mesmo? – ela pergunta me encarando e eu mostro o celular.
— Me perdoa , eu não sabia que a minha mãe iria fazer isso – eu falo para ela.
— Eu só queria comemorar o natal novamente como antes – ela fala me entregando o celular e limpando as lagrimas , ela olha para toda a decoração – tanta comida, tantos presentes – ela aponta – e não vai ter ninguém.
— Eu não queria que fosse assim – eu falo para ela.
Ela olha para todos os lados, anda até a janela olha para fora, olha para os garçons, cozinheiras, todos estão de prontidão, eram bastante gente trabalhando nessa noite.
— Por favor – ela fala olhando para eles – organizem tudo, Hanna que era nossa funcionaria antiga olha para Maya – Hanna, ajude a organizar, as comidas, os presentes, tudo , tem muita coisa, não pode ir fora. Deixe apenas o necessário para mim – ela me encara – você por favor, vá passar o natal com a sua família, não é justo que você deixe de passar com eles para ficar comigo – sua voz embarga e eu ancaro – na verdade – eu olho para eles – não precisa nem deixar nada para mim, eu irei me deitar – uma lagrima desce em seu rosto e ela sobe as escadas.
Capítulo 14
Maya narrando
Eu vou para o quarto, tiro meus sapatos e minha roupa, coloco um roupão vermelho e me sento na janela, a noite está linda, cheia de estrelas, a lua iluminando tudo, como eu queria que essa noite tivesse sido perfeita. Eu pego meu celular e desligo todas as luzes de Natal ao redor da casa, eu tinha como fazer isso pelo celular, eu começo a ver as pessoas saindo para ir para suas casas felizes, já que não iriam passar o natal com a família porque estariam aqui trabalhando, pelo menos elas teriam natais.
Hanna também vai embora e eu fico ali, lembrando de como era os natais com a minha mãe, são lembranças tão boas e ao mesmo tempo tão doloridas.
— Você vai se atrasar – Vicente fala e eu levo um susto olhando para a porta.
— Vicente? – eu pergunto para ele – o que faz aqui?
— Você realmente acha que eu te deixaria sozinha?
— Você não precisa estar aqui, sua família toda está te esperando – eu falo para ele.
— Eu quero estar aqui com você – ele fala e eu o encaro – falta dez minutos para o Natal – ele abre um sorriso – não precisa se arrumar, você está linda assim.
— Estou de pijama – ele começa a rir
— Acho que o melhor natal será nos dois juntos – ele fala – nosso primeiro natal junto.
— Você deixou de ficar com a sua família para ficar comigo?
— Eles não quiseram passar comigo – ele fala – não merecem a minha presença lá. Venha, não quero que se atrase, nós temos um show de fogos de artifícios para ver.
Eu me levanto e desço com ele as escadas e vejo que em questão de menos de 1h ele tinha arrumado uma mesa perto da árvore com uma pequena ceia para ambos, eu olho para ele sem acreditar no que eu estava vendo.
— Eu quero que esse Natal seja especial para nós dois – ele fala.
Eu abro um sorriso para ele e ele sorri para mim, mesmo meio iludida e triste com o que tinha acontecido, parece que algo tinha acendido dentro de mim, provavelmente era poder comemorar o Natal com alguém que realmente quisesse ficar do meu lado, já que passava todas as datas sozinhas, aprontando ou até mesmo na cadeia.
Ele liga o som e começa tocar várias músicas, mas uma em especial eu presto atenção que era, The Scientist de Coldplay, minha banda preferida.
— Eu amo essa música , eles – eu falo
— Coldplay? – ele pergunta
— Sim – eu respondo
— Também gosto, fui em muitos shows na minha adolescência.
— Você gosta? – eu pergunto para ele e ele começa a rir
— O que foi?
— Nossa, Vicente você é todo certinho – ele me encara e começa a rir. – Pelo jeito as aparências enganam de mais.
Começamos a conversar sobre muitas coisas aleatórias, começamos a rir, a brincar e quando se aproxima da meia noite, ele pega na minha mão e saímos na sacada da sala e começa os fogos de artifícios, eu abro um sorriso, porque parecia que eu tinha 7 anos de idade novamente, quando via o show de fogos de artifícios ao lado da minha mãe.
Era tudo tão lindo.
Tudo tão mágico.
Eu olho para Vicente ao meu lado e ele abre um sorriso me encarando.
— Feliz Natal Maya – ele fala sorrindo
— Feliz natal Vicente – eu falo olhando para ele e a gente sorri.
A gente se encara por alguns segundos, nossos rostos se aproximam e a gente se beija, um beijo lento, tranquilo, eu entrelaço minhas mãos em seu pescoço e ele passa a mão pelo meu corpo.
E ali ao som dos fogos de artifícios que durariam em média de 15 a 20 minutos, com as luzes de natal que tinham sido ligadas no mesmo momento dos fogos, transformando tudo ainda mais impecável, naquela sacada, nossos corpos entrelaçados, nossos lábios se encostando, pele a pele.