Nota da Autora
Eu espero o ano inteiro pelo natal, para enfeitar a minha casa e trazer a magia dessa data para os meus filhos. Toda criança deveria passar por isso, de poder brilhar os olhos ao ver sua casa com os pisca pisca, uma árvore bonita, todas deveriam ter essa chance.
Porque eu estou falando isso? Porque eu fui uma das crianças que eu não tive a oportunidade de ver minha casa enfeitada quando criança, enquanto todas as outras casas eram enfeitas e tinham árvores enormes, a minha era uma casa triste em uma época tão feliz. Devemos sim respeitar todas as crenças e as religiões, mas você já pensou no quanto frustrante pode ser aos seus filhos algumas escolhas que você faz para a sua vida?
Prólogo
Maya narrando
Olho para todos os cantos e me vejo sozinha, nessa cela fedida e suja, tinha baratas andando pelo teto, eu olho para outra cela, uma mulher com um cigarro na mão me encarando.
— O que a patricinha está fazendo aqui? – ela pergunta – em plena noite de natal, deveria estar na sua mansão comemorando com sua família com árvores gigantes.
— Há muito tempo não tem natal na minha casa e muito menos árvores gigantes.
— Vocês ricos são engraçados, tem dinheiro para tudo, mas vivem reclamando – ela me encara sorrindo – queria ver se fosse que nem eu, uma fudida que foi presa por roubar comida na vespéra do natal para poder dar um natal decente aos meus filhos.
— Cadê os seus filhos? – eu questiono
— Nesse momento? – ela me olha balançando a cabeça – deve estar em alguma agencia do conselho tutelar.
— Eu sinto muito – eu respondo e ela me olha rindo.
— Não venha com mentiras, você não imagina nem um pouco o que é a minha realidade.
— Me julga pelas roupas? – eu a encaro
— Já estive aqui outras vezes e já presenciei muitas que nem você, patricinhas rebeldes, revoltadas com o mundo usando a grana do papai, não é a primeira e nem a última a passar por aqui.
— Maya Gusmann? – um policial para na minha frente – você está liberada.
— Estou? – eu pergunto sorrindo
— Seu pai está ai fora.
— Meu pai? – eu pergunto – quem ligou para o meu pai? – eu olho para ele apreensiva.
— Seu pai é um homem importante Maya, seu Gusmann ficaria sabendo rápido sobre a sua prisão.
— Senhor Gusmann – a mulher fala – esse homem é um maldito. Agora entendi, você é filha dele.
— Como você se chama? – eu pergunto para ela e ela me encara.
— Maria do Carmo, seu pai deve conhecer esse nome.
— Vamos Maya – o policial fala.
Eu olho pela última vez para aquela mulher, seu olhar sofrido mas ao mesmo tempo nem um pouco abalada de estar aqui, parecia figurinha antiga dentro desse lugar.
O policial me leva até onde meu pai estava, ele se despede do delegado que joga uma charadinha a ele.
— Cuide que ela fique longe de problemas – o delegado fala – você sabe, o que as pessoas comentam.
— Obrigado Delegado Cunha – ele fala
— As ordens senhor Gusmann.
Meu pai me encara e apenas sai andando, eu respiro fundo e solto a minha respiração indo atrás dele. Eu entro dentro do carro e ele liga o carro, saindo do estacionando da policia.
— Você é uma vergonha Maya – suas palavras são duras e uma lagrima desce em meu rosto – em pleno natal, me dar um desgosto desse, amanhã seu rosto vai aparecer em todos os jornais, o que vão dizer da nossa família?
— Que a nossa família acabou no dia que a minha mãe morreu e você virou esse homem frio, sem se importar com a sua filha – ele me encara. – mas você está mais preocupado, com as aparências papai. – ele me olha.
— Você está equivocada – ele fala nervoso
— Não estou, você só pensa em si mesmo o tempo todo.
— Maya – ele fala quando abro a porta do carro após ele estacionar na frente de casa, eu subo os degraus em direção a porta de casa – Maya, estou falando com você agora.
— Feliz natal, papai!
Eu continuo e entro dentro de casa, eu olho para casa toda e vejo uma casa triste, na mesma hora uma lagrima desce sobre meu rosto me lembrando de como essa casa era quando minha mãe estava viva.
Flash black onn
— Onde coloco esse mamãe? – eu pergunto e ela sorri
— Vamos enfeitar aqui – ela fala
— Está ficando lindo, eu amo o natal, ver a casa toda decorada.
— Eu também, ainda mais quando você me ajuda. – ela fala sorrindo.
Flash black off
Meu celular começa a tocar e vejo que era Daniel, eu desligo na mesma hora e recebo uma mensagem, abro a mensagem e engulo seco quando vejo.
‘’ É fácil quando você é filha de um homem rico, você vai me pagar Maya por essa noite. ‘’
Capítulo 1
Maya narrando
Alguns anos depois....
Estava um dia nublado lá fora, sem cor nenhuma, um dia cinza com uma chuva fina caindo pelas folhas das árvores, a casa estava cheia, tinha que ficar tudo preparado para hoje a noite, era um grande dia segundo o meu pai e para mim, era um dos piores dias, tudo que antecederia esse casamento seria assim, cinza e sem vida. Até o casamento ainda tinha alguns dias e hoje era apenas o jantar oficial do noivado, apenas o jantar oficial de um noivado que eu não fui comunicada ou muito menos ouvida se eu queria ou não.
Meu celular toca e era mensagem de Jonas, eu deixo para responder mais tarde, não tinha coragem de responder a ele que não consegui enfrentar o meu pai ainda. Eu respiro fundo e desço as escadas que chega na sala, escuto a voz do meu pai falando no telefone vindo do escritório dele, eu caminho até o escritório e abro a porta que está entre aberta, ele estava convidando alguém com um sorriso no rosto para essa noite, todos estão felizes, menos a pessoa que seria obrigada a noivar essa noite, sem ao menos ter trocado uma palavra com o meu futuro marido.
— Papai – eu chamo por ele, mas ele continua falando no telefone.
— Depois se falamos – ele fala no telefone e logo desliga – o que ouve Maya? Não deveria estar se arrumando?
— O senhor nunca perguntou o que eu queria – ele me encara – se eu queria me noivar, me casar com esse homem que é totalmente estranho para mim.
— Você precisa entender que esse casamento é importante para nossa família, para a nossa empresa. Maya – ele fala se aproximando – as vezes precisamos renunciar a muitas coisas.
— Papai, eu não quero me casar com esse homem, eu não o amo, mamãe quando estava viva sempre disse que eu deveria me casar com alguém que me fizesse feliz.
— E quem te faz feliz? – meu pai me pergunta – aquele dono de bar falido? – eu o encaro e respiro fundo.
Eu resolvo não responder ele, fico em silêncio e ele continua falando m*l de Jonas, depois ele pega e sai do meu quarto e eu limpo as lágrimas que desce sobre meu rosto.
Eu me olho para o espelho que tinha no escritório do meu pai e limpo as lágrimas que estava descendo sobre o meu rosto. Eu subo para o quarto onde encontro diversas pessoas me esperando, desde cabelereiro, maquiagem a costureira.
— Senhora Maya, precisamos começar, se não ficará pronta até a hora do jantar – A costureira fala.
— Claro – eu respondo e me sento na cadeira.
Estava cansada de ter a minha vida mandada pelo pai, ele ordenava tudo que eu tinha que fazer, eu não poderia ter as minhas próprias decisões, era h******l me sentir dessa forma, me sentir presa a decisões dos outros, não poder decidir, a maquiadora para de fazer a maquiagem porque era inevitável evitar que as lagrimas descia sobre o meu rosto.
— Eu espero para finalizar – ela fala me encarando.
— Obrigada.
Depois de um tempo ela recomeça a maquiagem e meus pensamentos vão em Jonas, ele tinha me prometido que arrumaria uma forma de me impedir de casar-se com Vicente e prometeu que a gente ficaria juntos, mas nessa altura do campeonato eu já acho que seria impossível arrumar uma forma de me livrar desse casamento arranjado que era uma coisa tão antiga e em pleno século 21 eu estava sendo obrigada a me casar com um homem que eu nunca vi na minha vida por causa dos negócios da família.
— Você está pronta? – Meu pai fala entrando no quarto e a costureira estava terminando de ajustar o meu vestido. – Você está linda. – Ele fala abrindo um sorriso em seu rosto e eu o encaro – Você é muito parecida com a sua mãe.
Eu me mantenho em silêncio apenas encarando o espelho na minha frente.
— Estamos finalizando de ajustar – A costureira fala depois de ver o meu silêncio – ela já vai estar pronta.
— Vicente já chegou, não demore Maya – a sua voz rouca ordena antes dele sair fechando a porta do quarto.
— Você está linda – A costureira fala me olhando.
— Obrigada – eu respondo com um tom de voz baixo e sem emoção.
Eu saio do quarto e começo a descer as escadas , conforme eu vou descendo consigo ter visão daqueles dois homens e de uma mulher sentada na sala e quando um deles me ver se levanta automaticamente fazendo todos se levantarem, inclusive meu pai.
— Deixa eu apresentar a minha filha – meu pai fala – Essa é a Maya – ele pega em minha mão quase me obrigando a andar mais perto deles – Esse é Raul e Sara os seus futuros sogros e esse é Vicente Miller.
Aquele homem trajando um terno preto, um perfume cheiroso, com o cabelo bem arrumado, os olhos verdes me encaram de cima a baixo e eu faço o mesmo por ele, não é possível que eu serei obrigada a me casar com um homem como esse.
— Boa noite Senhorita Maya – ele fala me encarando e eu o encaro.
— Acredito que não seja um boa noite para ninguém aqui – eu respondo para ele e ele arqueia a sobrancelha me encarando. Meu pai me olha com um olhar de desaprovação.
Eu sei que meu pai queria que tudo fosse perto, até porque ele pensava em comemorar o primeiro natal depois da morte da minha mãe, meu pai não era uma pessoa r**m, eu sei disso, ele só ficou amargurado após a morte dela, da mulher por qual ele era tão apaixonado.
Perder a minha mãe tão cedo foi algo que me machucou muito e me deixou completamente revoltada com a vida e com todos, eu tinha perdido uma parte de mim.