Capítulo 209

1041 Palavras

Capítulo 209 RAFAELA NARRANDO Saí de casa com o coração martelando no peito e a cabeça fervendo. A voz da Luara ainda ecoava nos meus ouvidos, aquele sermão de irmã mais velha que não pedi. Ela acha que sabe de tudo, mas não faz ideia do que é carregar essa raiva dentro do peito, o nó que eu sinto toda vez que vejo o Sabão fingindo que eu sou só mais uma desconhecida no meio da multidão. “Não caça confusão, ele é tranquilo”, ela disse. Tranquilo pra quem? Pra mim, ele é o infernö. O infernö que me puxa cada vez que eu tento subir pra respirar. Desci o beco rápido, as luzes piscando, o som distante do som estourando lá embaixo. O cheiro de fritura, suor e pólvora misturava com o da fumaça que saía das bocas dos vapores. O morro nunca dorme. E eu também não conseguia mais. Passei

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