Perro Aprendi cedo que território não se toma com rajada — se toma com silêncio. O barulho vem no fim, só para selar a história. O que rouba uma coroa é o sussurro na hora certa. Da laje arranhada onde eu vigio a Rocinha, a noite parecia um animal ferido. As luzes espalhadas eram olhos de gato, e o vento trazia cheiro de óleo de arma, gordura de pastel e promessas quebradas. O Alemão, lá atrás de mim, dormia com um olho aberto; meus sócios colombianos cobram relatórios como se fossem padres pedindo confissão. Eu entrego, mas do meu jeito. Paciência, parceiros. Eu sou Perro — mordo quando vale. — Jefe, chegou o cara do recado — avisou Juancho, a sombra que mais gosto de ouvir. — Diz que a “santa da escola” anda com um bebê no colo. E que o Don… tem herdeiro. Herdeiro. A palavra pousou n

