Capítulo 49 – O Reino do Amanhã

1580 Palavras

Kadu A manhã chegou devagar, como quem pisa em casa alheia. O morro respirava em síncopes — motos longe, panela raspando fundo, um forró que não pedia licença para o silêncio. Na varanda, o céu parecia um lençol lavado a balde, estendido entre fios tortos. Eu estava com o Diário do Fôlego aberto sobre o parapeito quando ouvi o arrastar de meias no corredor. — Tá de pé, general? — perguntei, fechando o caderno. Ele respondeu com um som que não é palavra; é mundo. Meu filho segurou na borda da cadeira, joelhos bambos, mão aberta caçando apoio. Anna apareceu atrás, sorriso cansado e inteiro, cabelo preso com pregador de roupa. — Hoje ele decidiu que a gravidade é negociável — disse, encostando no batente. — Então o reino vai ter que ceder terreno — brinquei, ajoelhando. — Vem, moleque. O

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