Anna Comecei a manhã com cheiro de tinta fresca. As paredes do salão da Associação receberam camadas de branco, depois desenhos simples com giz colorido: letras grandes, números, o traço torto de um sol que uma menina de sete anos insistiu em completar com óculos. Laísa cuidava do quadro de primeiros socorros; Rosa, da cozinha comunitária; Jô e Sônia conferiam a lista de doações. Bia, tímida e atenta, organizava fraldas e separava roupas de bebê com um cuidado que parecia oração. — Vai se chamar “Ecos de Liberdade” — anunciei, a voz mais firme do que eu esperava. — Escola, abrigo e apoio. Quem chegar cansada, senta. Quem chegar ferida, trata. Quem chegar com medo, fica até o medo cansar. A porta aberta virou ponte. Mulheres entravam como quem pede permissão à própria história. A primeir

