Capítulo 53 – Cão à Porta

1592 Palavras

Perro O palco é o morro, com sua luz fraca e exausta. Gatos deslizam pelos telhados, sombras ágeis. O vento traz a mistura de cheiros: graxa, sal e orações que parecem perdidas antes de alcançar o céu. Eu sou Perro. Não subo para atirar, mas para sentir o ritmo das respirações. A mira é controlada por quem domina o próprio fôlego. O trono é tomado por quem controla o tempo. — Jefe, duas motos no ponto — avisou Juancho pelo rádio, voz mastigada de ansiedade. — Uma roda no Dedo de Deus, outra pela Curva S. — Lentas — respondi. — Ninguém aprende nada com pressa. Lembram do jogo: observar, cronometrar, não provocar. A noite, ali de cima, se abriu como um mapa de pele. A mansão do Don cintilava discreta lá no alto; as janelas tinham aprendido a piscar menos. Eu gosto de gente que aprende —

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