Kadu O ar da madrugada carregava o cheiro de metal molhado. Na mansão, a água da laje gotejava na sacada, enquanto lá embaixo a cidade tentava parecer normal: o ronco de uma moto solitária, latidos de cães em disputa, e um rádio antigo espalhando forró. Peguei o Diário e as palavras surgiram: “Hoje, a linha será refeita. Sem show, só precisão. Meu nome não é muro se não for disciplina.” Fechei o caderno, toquei o crucifixo na sala discreta, e depois a arma. A dúvida permanece sobre qual erguer primeiro, mas sei qual guardarei por último. — Chefe — a voz de Lipe quebrou o silêncio pelo rádio —, galpão em ordem. Mapa, estratégia, equipe. Desci carregando o peso de quem tem nas mãos a responsabilidade da rua e da origem. No Galpão 1, parecia caber a comunidade inteira: o cheiro de tinta n

